Agropecuária

Grande estiagem afeta as lavouras

A pior estiagem no Sudoeste registra pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), desde 1997 — quando iniciaram as medições, vem afetando as lavouras. A realidade não é exclusiva, e se repete em todas as regiões do Estado.
Como o Diário do Sudoeste divulgou nesta semana, a falta de chuva é decorrente de uma “neutralidade nas águas [o Oceano Pacífico Equatorial, ou seja, não temos El Niño e nem La Niña], o que vem ocorrendo são bloqueios atmosféricos na alta troposfera, que não deixam as frentes frias avançarem até o Paraná”, conforme revelou o meteorologista do Simepar, Paulo Barbieri.
O próprio Simepar aponta que a baixa dos índices pluviométricos se prolonga por 12 meses, em algumas regiões do Paraná.
As perdas não apensas são registradas na cultura do feijão como na do milho e pode comprometer nos próximos meses a semeadura do trigo.
No caso do feijão segunda safra, Ivano Carniel, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), relata que parte da cultura está danificada com o sol.
Segundo ele, dos 70 mil hectares semeados, atualmente 5 mil hectares foram colhidos. “O rendimento não é o esperado pelos produtores, está tendo um rendimento médio de 20 a 30 sacas por hectares, mas em contrapartida, o preço vem compensando”, afirma Carniel falando em preços de R$ 300 a saca do feijão carioca e R$ 200 a saca para o feijão preto.
Com relação ao que ainda está no campo, o técnico do Deral destaca que “ainda está em uma condição de regular para boa, mas está dependente de mais chuvas.  Se não chover nos próximos dias, ele vai perder potencial produtivo.”
O presidente do Sindicato Rural de Pato Branco, Oradi Caldatto por sua vez avalia que “se o preço não ajudasse, não compensava colher.”
A fala de Caldatto está diretamente relacionada a falta de chuva, que segundo o olhar do produtor, já não ocorre a tempo suficiente para interferir nas fontes e vertentes nas propriedades, o que é conhecido no meio rural como “mexer com as águas”.

Milho
Em fase de formação de grão, a grande parcela das lavouras de milho segundo Carniel permitem a manutenção da estimativa de produção inicial, que é de 6 mil a 7 mil quilos por hectare.
Contudo, essa projeção também passa a ficar comprometida se a seca se estender, tudo porque o levantamento estadual é de que algumas lavouras da região estão em condições ruins, ao mesmo tempo em que uma grande parcela segue de regular para boa. 
“Se não chover nos próximos dias, vai perder potencial produtivo”, afirma o técnico lembrando que o fato que não permite uma avaliação mais pessimista no momento, foi o registro de chuvas esparsas. “Não é uma condição ótima, mas ainda dá condições de sustentação, mas com a necessidade de chuva em um curto período.”
Com a última chuva sendo registra da cerca de 12 dias e com uma previsão a longo prazo, em se confirmando aproximadamente 25 dias de chuva, todo o potencial produtivo do milho deixa de existir em sua plenitude, o que faz Caldatto afirma que “com certeza vai ter quebra. Temos um caminho a percorrer, mas se não chover logo, vamos ter uma quebra considerável.”

Trigo
Com relação ao trigo Carniel e Caldatto não observam uma grande interferência da falta de chuva no comportamento do produtor.
No entanto, enquanto o técnico aponta que neste momento com a saca de trigo cotada a R$ 60, o produtor vem se mostrando atraído ao plantio. Porém, Caldatto argumenta que mesmo o preço sendo atrativo agora, os produtores já estão cansados de ver o preço despencar no mento da safra.
Ao certo é que a cultura deve começar a ser semeada em meados de maio, junho e se estendo a julho, e se não chover, também passa a ser comprometida. 
 

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