Agropecuária

Soja safrinha: o plantio que os agricultores tanto esperaram

Poucas são as lavouras de soja que ainda estão com a cultura para ser colhida na região. Estas áreas fazem parte do chamado ciclo de soja safrinha, que nos últimos anos produtores rurais do Sudoeste travaram inúmeros debates, até conseguirem a autorização da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), para garantir a segunda safra do grão.
Semeadas em sua maioria na palha de milho, — na primeira safra e colhida no início de janeiro —, a soja que está em final de ciclo sofreu em todas as fases com a falta de chuva, devido a severa estiagem registrada na região.
Com isso, o resultado é possível ser observado nas lavouras, uma produção pouco abaixo do esperado pelos produtores, mas que mesmo assim, rende comentários otimistas com a possibilidade de uma ocupação de solo que faz um ano no campo ter 13 meses, devido os ciclos produtivos, com a possibilidade de três safras.
Em uma área de 20 alqueires às margens da PR-493 em Pato Branco, os irmãos Sílvio e Sandro Hasse colocaram o maquinário no campo na quinta e sexta-feira (28 e 29). A safrinha é encarrada pelos irmãos como uma alternativa para os produtores rurais.
Mesmo com a colheita em andamento, e avaliando todo o ‘sofrimento’ das plantas devido à falta de umidade em momentos importantes, eles pontuam que a média de 115 sacas por alqueire é “excelente” neste momento.

Conquista
Presidente do Sindicato Rural de Pato Branco, Oradi Caldato, foi um dos grandes defensores da possibilidade de uma segunda safra de soja no Sudoeste.
Ao percorrer a lavoura dos irmãos Hasse, Caldato destaca que um dos fatores positivos da safrinha de soja é a rotação de cultura bem executada, garantindo assim, uma cobertura de solo essencial.
Conforme Caldato, este é um momento de comemoração para os produtores, ao se referir a possibilidade de um segundo plantio de soja no mesmo ciclo/ano. “Temos um clima diferenciado, com uma aptidão e foi o que sempre defendemos em todos os debates”, disse ele lembrando que até o momento o zoneamento agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ainda não estabelece esta possibilidade, contudo, tal prática é autorizada pela Seab.
Ele lembra que sem essa autorização da secretaria estadual a alternativa passava a ser a cultura do feijão, o que inviabilizava determinadas áreas pelo constante plantio do grão. “Os produtores passaram a ter mais oportunidades nas lavouras”, diz Caldato, falando na capacitação que os produtores tiveram que obter ao longo dos anos, gerando assim uma expertise na atividade agrícola, que envolve desde a estrutura de maquinário, aprofundamento de técnicas agrícolas, mas também o conhecimento e a promoção de genética.
Caldato avalia que este por ser o primeiro ano da retomada da soja safrinha, a cultura ainda está ‘tímida’ na região. Segundo ele como não estava autorizado em anos anteriores, o agricultor teve que se reinventar e acabou por destinar 90% da área produtiva do Sudoeste para o plantio da soja primeira safra, o que refletiu ainda em pouco mais de 5% da área para milho.
“Com essa possibilidade [soja safrinha], tenho certeza que o plantio de milho vai aumentar na primeira safra”, diz ele falando que a cultura de milho está atrativa.

Deral
Na sexta, o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, anunciou em seu relatório mensal, que o Paraná deverá produzir 40,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2019/2020, volume 13% superior ao da safra 2018/2019, em uma área de quase 10 milhões de hectares. 
Com poucas lavouras ainda para serem colhidas [percentual baixo de áreas de soja safrinha], a safra de soja é descrita como encerrada no Paraná, com volume recorde de 20,7 milhões de toneladas, 28% superior ao da safra 2018/2019. Cerca de 82% da produção está comercializada até o momento, o que equivale a 17 milhões de toneladas, um resultado considerado avançado para a época. No mesmo período do ano passado, esse índice era de 50% – cerca de 8 milhões de toneladas. 
Segundo o economista do Deral, Marcelo Garrido, a alta do dólar, acima dos R$ 5, tem garantido a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
A comercialização da safra 2020/2021, no entanto, ainda é incerta para os produtores, principalmente por causa da pandemia do novo coronavírus. “Os insumos para a próxima safra serão comprados em dólar. Então, as vendas dependem da relação cambial”, diz Garrido. A saca de 60 kg é comercializada por R$ 94, valor 39% maior do que no ano passado, de R$ 70.
 

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