Agropecuária

Falta de chuva de fevereiro causa incertezas no plantio e colheita de grãos

Colheita da safra 2020/21 de soja já está 80% concluída - Foto: Jaelson Lucas/AEN

A colheita da soja referente à safra 2020/21 já está com 80% concluída e tem previsão de término para o final de abril. Segundo o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) do Núcleo de Pato Branco, Ivano Carniel, mesmo com a seca do mês de fevereiro, as condições climáticas impróprias para o cultivo de grãos não trouxeram muitos prejuízos para a safra da soja.

Para o técnico agrícola, o rendimento é satisfatório, pois os produtores têm investido em adaptação genética das sementes para a nossa região e também no manejo e controle de pragas e doenças. Esses investimentos têm surtido efeito principalmente na safra de soja, onde o rendimento está em 4.200 quilos por hectares.

Durante a safra 2020/21 a soja somou 90% do plantio de grãos nos 15 munícipios, enquanto o milho foi o responsável por 10% do plantio. Com fim da colheita se aproximando, Ivano afirma que a safra do milho vem sofrendo impactos negativos do ataque intenso de cigarrinhas, já que a falta de chuva dos últimos meses diminuiu a umidade do solo e não permite que os produtores façam o controle necessário.

Primeira safra de soja ultrapassa 80% da colheita

A safra de soja plantada em setembro de 2020 tem o fim da colheita prevista para o próximo mês. Com uma área plantada de 321 mil hectares, 1% menor em relação ao ano passado, segundo Carniel, as condições climáticas criaram uma incógnita sobre o que esperar da colheita. “Quando a soja foi plantada em setembro, faltava chuva, o desenvolvimento não foi satisfatório, depois com o grande volume de chuva do mês de janeiro, uma média de 600 milímetros, foi três vezes maior que a média do mês, depois veio fevereiro extremamente seco, com condições muito desfavoráveis para a cultura da soja, e mesmo assim estamos com resultados satisfatórios”, afirma.

A estimativa inicial da produção dos 15 municípios da região era em torno de 1.200 toneladas, aproximadamente. Esse valor representa uma parcela de 6% da produção estadual, que espera a produção de mais de 20 milhões de toneladas. Segundo o Deral, foi observado que os agricultores estão atingindo rendimento com média de produtividade de 200 sacas por alqueires.

Outro fator que tem chamado atenção no último ano são os preços de comercialização, que tem atingido em torno de R$ 155 a saca, mostrando uma excelente rentabilidade. Mesmo com o preço em alta, cerca de 40% dos produtores fizeram a venda antecipada, então esses contratos saem com preço abaixo do esperado para esse ano, girando em torno de R$80.

Safras de milho tem prejuízos causados pela cigarrinha

Com mais de 85% da colheita dos 360 mil hectares previstos já realizados, o ataque intenso da Cigarrinha diminuiu a quantidade de milho em até 50% na primeira safra. A produção esperada nesse momento é de 3,1 milhões de toneladas.

Carniel afirma que os agricultores plantaram milho esperando uma colheita mínima de 470 até 500 sacas por alqueire, mas muitos produtores não atingiram nem metade disso, a avaliação de rendimento de produtividade é em média de 315 sacas por alqueires, atingindo a menor média de produtividade para o milho registrada nos últimos 15 anos.

O problema da cigarrinha, que permite a entrada de doença fúngica no milho, pode continuar na segunda safra, que já concluiu o plantio e está em fase de desenvolvimento. Ivano afirma que para o sucesso da safra, é necessário que as condições climáticas melhorem, trazendo chuva para não ter maiores prejuízos na produção.

Segundo o técnico, é estimado para a safrinha 80 mil hectares de milho nos 15 municípios, valor 13% superior em relação ao ano passado. “Esperamos produzir em torno de 550 mil toneladas, 4% da produção do estado, que está previsto para mais de 13 milhões”, diz.

A estimativa é que a colheita do milho inicie no final de maio.

Dados do boletim informativo do Deral mostram que o milho apresentou novos preços recordes. O preço recebido pelo produtor pela saca de 60 kg está acima de R$ 76, o valor é 80% maior que no mesmo período de 2020.

Produção de feijão tem um aumento de 15% em relação ao ano passado

Segundo Carniel, o plantio da segunda safra de feijão foi finalizado em fevereiro, enquanto acontecia a colheita da primeira safra de grãos, e afirma que mesmo com o clima muito seco e sem chuva, as condições das lavouras se mantem regulares.

O plantio foi realizado em 60 mil hectares da região, um aumento de 15% na produção em relação ao ano passado e representam 26% da área total do feijão plantado em segunda safra no Paraná.

A estimativa do Deral é que a produção fique em torno de 120 mil toneladas nos 15 municípios da região, enquanto o Paraná estima uma produção de 461 mil toneladas. 

Conforme dados do Deral/Seab, os agricultores paranaenses receberam o preço médio na segunda semana de março de R$ 281,35 saca/60kg para o feijão classe cores e R$ 296,31/sc de 60 kg para o classe preto, redução de 2,2% em relação à semana anterior para o feijão classe cores, e valores nos mesmos patamares nestas duas semanas para o preto.

A colheita da segunda safra do feijão está prevista para iniciar no final de abril e pode se estender até maio.

Comercialização de grãos

Em um contexto geral, o técnico agrícola afirma que a situação econômica atual do nosso país, com alta do dólar, desvalorização do real e aumento da procura de investidores nas bolsas por commodities agrícolas gerou um aumento significativo nos preços dos grãos para os produtores.

“Para efeito comparativo, temos um aumento de aproximadamente 50% no milho e aproximadamente 90% a mais no valor da soja, em relação ao ano passado”, afirma.

Outro possível fator que motivou o aumento dos valores segundo Carniel é a alta demanda de Países asiáticos, principalmente da China.

Todos esses fatores estão gerando alta rentabilidade para os produtores. A tendência é que a sustentação desses preços permaneça nas próximas safras.

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