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10 motivos para ouvir música

Ouvir música é uma das melhores coisas da vida, seja para desfrutar bons momentos, para ter concentração e para reunir pessoas. Nós estamos sempre cercados por ela, quer seja ligada em nossos fones de ouvido ou no som ambiente que toca em supermercados e restaurantes. 

Com o isolamento social, o número de assinantes de aplicativos para streaming de músicas cresceu. De acordo com um levantamento da Counterpoint Research divulgado no último dia 8, as assinaturas de serviços de streaming de música apresentaram um crescimento de 35% no primeiro trimestre de 2020. Juntos, serviços como Spotify, Apple Music, Amazon Music, entre outros, alcançaram um total de 394 milhões de assinaturas.

Mas por que esses números estão em um caderno de Saúde? Simples: a música causa benefícios reais no seu bem-estar físico e mental. 

A música é formada por letra, melodia e ritmo e, de acordo com o que você está ouvindo, pode nos alegrar, chorar, fazer dançar ou dar sono. Já de cara dá para entender certos efeitos: de acordo com o ritmo (rápido ou lento) e notas (mais graves ou agudas) e letra de cada canção, os neurotransmissores do cérebro vão trabalhar na mesma “frequência”, liberando um tipo de hormônio para cada música. 

Conforme Aurilene Guerra, mestre em neuropsicologia e professora de Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), “o processamento da música começa com a penetração das vibrações sonoras no ouvido interno, provocando movimentos nas células ciliares que variam de acordo com a frequência das ondas. Os estímulos sonoros seguem pelo nervo auditivo até o lobo temporal, onde se dá a senso-percepção musical: é nesse estágio que são decodificados altura, timbre, contorno e ritmo do som. O lobo temporal conecta-se em circuitos de ida e volta com o hipocampo, uma das áreas ligadas à memória, o cerebelo e a amígdala, áreas que integram o chamado cérebro primitivo e são responsáveis pela regulação motora e emocional, e ainda um pequeno núcleo de massa cinzenta, relacionado à sensação de bem-estar gerada por uma boa música. Enquanto as áreas temporais do cérebro são aquelas que recebem e processam os sons, algumas áreas específicas do lobo frontal são responsáveis pela decodificação da estrutura e ordem temporal, isto é, do comportamento musical mais planejado”.

Independente do seu gosto musical, o resultado de ouvir uma boa música é o prazer. Tanto é que há alguns anos surgiram drogas em MP3, que na verdade eram harmonias sintetizadas que prometiam causar o mesmo efeito de psicotrópicos como o THC da maconha, a cocaína, ácidos, etc. 

O interessante é destacar o sentido do propósito: diversos estudos comprovaram que a música ativa o mesmo circuito cerebral que sexo, drogas e até massagens relaxantes, disparando a liberação de opióides endógenos, como as endorfinas, e neurotransmissores como a dopamina.

Muitos dos benefícios da música vêm por ela ser uma distração, nos ajudando nas atividades mecânicas. Sua playlist é capaz de distrair seu cérebro. Algo simples e eficaz, não é mesmo?

Confira alguns dos benefícios da música para sua saúde:

Aumento no desempenho
A música potencializa nosso desempenho. Há diversos estudos que mostram as ondas sonoras potencializando nossas capacidades cognitivas quando realizamos tarefas como exames acadêmicos e processos que exigem um raciocínio mais apurado. Outras pesquisas mostram que músicas animadas ajudam a ter um bom desempenho mesmo sob pressão.

Concentração e Raciocínio
Para as atividades que requerem mais atenção e raciocínio, a música clássica ou instrumental é indicada porque melhora a performance intelectual. As músicas com 60 a 70 batidas por minutos favorecem a concentração. A canção “Para Elise”, de Beethoven, foi aplicada em um estudo, e as pessoas que a estavam ouvindo acertaram em média 12% a mais em testes de matemática.

Criatividade
Uma pesquisa britânica realizada pela psicóloga Emma Gray, especialista em comportamento cognitivo, mostra que músicas de 50 a 80 batidas por minuto são as mais indicadas para ajudar em processos criativos. Isso porque permite que o cérebro absorva e se lembre de informações de forma mais fácil. Entre elas estão canções do pop rock, hits dos anos 80 e pop americano e britânico.

Reduz a ansiedade
Ouvir uma música mais tranquila ajuda muito a se concentrar e a realizar as tarefas com mais calma e dedicação. Pesquisadores no Reino Unido chegam a afirmar que certas canções são capazes de reduzir nossa ansiedade em 65%. 

Eleva o bom humor
Músicas animadas e empolgantes nos transmitem a energia do bom humor, liberando dopamina em nosso organismo, o neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar e satisfação. Isso melhora nossas relações interpessoais e ajuda com que consigamos concluir atividades chatas com mais facilidade.  

Ajuda na atividade física
A música pode ajudar a embalar o exercício e torná-lo mais fácil e mais prazeroso, já que serve como um estimulante para quem se exercita. Ela disfarça a sensação de fadiga, dor e cansaço, além de induzir ao movimento.

Vale por uma sessão de massagem
Contra a ansiedade, a música tem no corpo o mesmo efeito de uma sessão de massagem. Mas, para isso, é preciso ser uma canção relaxante e você precisa ouvi-la preferencialmente deitado e sem distrações. Isso porque as músicas usadas na meditação alteram a velocidade das ondas cerebrais. Isso ajuda ainda a aliviar dores de cabeça e até a TPM.

Cria vínculo entre mãe e filho
A música é capaz de acalmar os recém-nascidos, e até mesmo reduzir em até dez dias a permanência dos prematuros na UTI neonatal. Essa identificação dos pequenos com a música começa já na 21ª semana de gestação, quando o aparelho auditivo do bebê começa a receber vibrações sonoras quando o tímpano entra em contato com o líquido amniótico. O bebê passa processar vibrações e a reconhecer, por exemplo, a voz da sua mãe. Por isso, quando ela canta, ele se sente seguro e acolhido, como se estivesse no útero.

Cura dores emocionais
Um estudo realizado em 2014 pela da Free University of Berlin sugere que músicas melancólicas, tristes, podem induzir emoções positivas ao invés de causar ainda mais tristeza. Elas possuem um papel muito importante na hora de consolar as pessoas e regular os sentimentos negativos. Também, quem ouve canções tristes sente mais empatia pois se identifica com o entristecimento do cantor.

Ajuda a dormir
Diversos estudos já apontaram que a música, principalmente a clássica, pode ajudar na qualidade do sono de jovens, adultos e idosos, inclusive de quem apresenta distúrbios agudos e crônicos do sono. Isso porque a música relaxante pode reduzir a atividade do sistema nervoso simpático, diminuir a ansiedade, pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória, fatores que têm efeitos positivos no sono através do relaxamento muscular e da distração dos pensamentos.

Atenção ao volume!
O limite sugerido para o ouvido é de até 80 decibéis. Se o uso contínuo de fones de ouvidos e o som esteja acima disso, poderá haver danos nos sensores do ouvido, parte mais interna, o que pode causar zumbidos ou mesmo a perda auditiva futuramente. 
A dica para ouvir suas músicas favoritas é deixar a intensidade do controle de volume sempre pela metade.

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