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Engenharia Civil é finalista de competição global sustentável

O curso de Engenharia Civil está representando o Centro Universitário de Pato Branco (Unidep) na Competição Global de Ideias de Negócios Verdes. O projeto DrainStreet, que visa resolver o problema de alagamentos em áreas urbanas, ficou entre os oito finalistas brasileiros, após a etapa de mapeamento que reuniu 127 soluções vindas de todo país. 

Orientadora do projeto, a professora Keli Starck comenta que o Perfil dos Municípios Brasileiros, estudo realizado pelo IBGE em 2018, chama atenção para os desastres naturais provocados por questões climáticas. Entre 2013 e 2017, 2.706 municípios (48,6%) tiveram secas, 1.726 (31%) alagamentos, 1.515 (27,2%) enxurradas, 1.093 (19,6%) processos erosivos acelerados e 833 (15%) deslizamentos.

“Os sistemas de drenagem são o principal meio de escoamento de águas das chuvas nas áreas urbanas, porém, quando esses sistemas são dimensionados de maneira inadequada ou devido ao alto índice de impermeabilização dos centros urbanos, acabam sendo registrados alguns episódios de alagamentos”, explica. 

Foi pensando em resolver esse problema que a DrainStreet desenvolveu um sistema de drenagem urbana que tem a função de aumentar a área de permeabilidade do solo em espaços com grande índice de pavimentação. Trata-se de um sistema que opera de forma subsuperficial que retira o excesso de água da superfície e faz a condução diretamente para o solo. 

“É importante lembrar que ele não é um substitutivo ao sistema convencional de drenagem, mas atua de forma complementar. As redes de drenagem urbana continuariam existindo, mas ele funciona de forma a auxiliar essas redes de drenagem no processo de escoamento das águas”, conta.

Conforme a professora, esse projeto foi desenvolvido durante três anos da graduação dos egressos, e se tornou um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). A ideia de transformar a solução proposta em um negócio surgiu este ano. “Com os impactos econômicos, sociais e ambientais causados por alagamentos em centros urbanos, tornar as cidades mais permeáveis não é mais uma opção, mas, sim, uma necessidade de sobrevivência”, acredita.  

O destaque na competição global se deu, na percepção de Keli, pelo fato de que o projeto visa solucionar problemas socioambientais, contribuindo para a melhora da qualidade de vida, meio ambiente e, enquanto solução inovadora, possui alto impacto ambiental, oportunizando o desenvolvimento sustentável das cidades. “As falhas apresentadas pelos sistemas atuais de drenagem urbana tornaram evidentes as oportunidades para o desenvolvimento e implantação de novas alternativas para minimizar os impactos econômicos, sociais e ambientais causados pelos alagamentos, melhorando a qualidade de vida da população”.

Para ela, participar da competição está sendo uma oportunidade para adquirir novos conhecimentos, além de visibilidade para o projeto, que trata de temas que buscam um desenvolvimento mais sustentável do planeta. “A relevância, no ambiente acadêmico, se insere na possibilidade de materializar os conhecimentos obtidos durante a graduação, além de evidenciar que a atualização constante e a busca por alternativas de fomento e desenvolvimento de ideias são diferenciais competitivos para os profissionais que estão no mercado”, pontua Keli.  

Agora, a orientadora do projeto, juntamente com os egressos Djuliana Antonia Ribas e Vanderson Andreola Bortolotto, participaram, no final de junho, do bootcamp, com três dias de imersão e treinamento voltados ao desenvolvimento do negócio e apresentação de pitch em inglês. A divulgação dos vencedores desta fase está prevista para o mês de setembro. 

Dentre os finalistas no Brasil, serão selecionados até três projetos para competir na final mundial. Os prêmios incluem aceleração pela Climate-KIC Accelerator para os 16 primeiros colocados. Serão distribuídos, ainda, 10 mil euros, 5 mil euros e 2,5 mil euros para os três primeiros colocados mundiais, respectivamente. “Além disso, ressalta-se a visibilidade oportunizada pelo evento, ao possibilitar a apresentação das ideias de negócios para investidores internacionais”, completa Keli.  

Incentivo no curso  

O coordenador do curso de Engenharia Civil do Unidep, Tobias Jun Shimosaka, evidencia o incentivo para participação de professores, alunos e egressos em competições, por meio do desenvolvimento de estudos e pesquisas com relevância social e ambiental. “O Ensino Superior deve ser entendido como algo além da sala de aula. O conceito dos três pilares – ensino, pesquisa e extensão – precisa reconhecer que eles não são isolados, pois funcionam em harmonia e simultaneamente, considerando as necessidades e condições atuais. Essa relação é o que aproxima a universidade da sociedade e promove uma formação cada vez mais significativa, pois nossos alunos atendem demandas reais”, conclui.   

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