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Afinal, temos ou não temos 5G no Brasil?

Recentemente, uma dúvida pairou sobre pato-branquense como uma formação nebulosa meio estranha: existe ou não existe a tecnologia 5G no nosso Brasil (mais ou menos, mais pra menos) varonil?

Antes de responder essa questão, quero saber: você sabe do que isso se trata? Porque eu, assumo, não fazia ideia.

Foi por isso que entrei em contato com o atual Secretário Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Vinícius De Bortolli, que também é professor e uma fonte muito querida por essa repórter que vos escreve. Ninguém melhor do que ele para me/nos explicar com didática. Afinal, se um dinossauro da internet entender como funciona o 5G, todos entenderão.

Bortolli diz que a tecnologia 5G é a próxima geração de rede de internet móvel. “A promessa é de que ela trará ainda mais velocidade para downloads e uploads, cobertura mais ampla e conexões mais estáveis, melhorando as videochamadas por exemplo, além de permitir mais conexões por metro quadrado. De acordo com especialistas, o 5G permitirá que mais de 1 milhão de aparelhos se conectem por metro quadrado”, me disse.

Atualmente, as redes móveis 4G mais rápidas oferecem, em média, aproximadamente 45 Mbps (megabit por segundo). Já a média da velocidade 3G no Brasil é de 8,82 Mbps (megabits por segundo).

Vários testes mostram que o 5G pode atingir rapidez de navegação e download cerca de dez a 20 vezes mais que a 4G – ou seja, 1 Gbps (gigabits por segundo). Já imaginou poder baixar um filme em alta definição em apenas um minuto?

E, mais: a proposta da popularização do 5G é tornar tudo conectado, como celulares, carros, geladeira, máquinas de lavar e câmeras de segurança, entre outros eletrônicos. “Por sua baixa latência (atraso), permitirá carros autônomos, cirurgias a distância e muitas outras possibilidades de aplicação, pois o verdadeiro 5G vem para resolver os problemas de falta de recursos das redes atuais para as aplicações de IoT [internet das coisas em inglês], indústria 4.0, Big Data e outras”. Está compreendido?

Afinal, a tecnologia 5G está ou não presente do Brasil?

“A 5G verdadeira oficialmente não existe no Brasil”, informa Bortolli. “Ainda está em processo de licitação. Isto deve acontecer em algum momento de 2021, onde as diversas faixas serão ‘compradas’ pelas operadoras de telefonia”, explica.

Além disso, o secretário ainda comenta que ainda há uma grande disputa entre EUA e China pelo padrão do mercado brasileiro, o que pode adiar o processo da licitação. “Resolvido isto, os investimentos irão, aos poucos, possibilitando que as cidades maiores (e mais lucrativas) possam ter o serviço”, acredita.

O primeiro país a ter 5G foi a Coreia do Sul, em 2019, seguida dos EUA, da China e do Reino Unido. O Brasil e o Canadá são os próximos, mas a pandemia atrasou todo o processo.

No entanto, em alguns pontos do país, a Huawei, que visitou Pato Branco na semana passada, vai colocar equipamentos para teste, limitados a poucos metros de distância, somente para pesquisadores desenvolverem aplicativos e softwares para, quando a 5G for implantada, poderem ser utilizados. “Pato Branco tem a chance de, se as negociações prosperarem, ter alguns equipamentos para testar, mas somente no Parque Tecnológico e arredores”, indica Bortolli.

Depois dos testes, de a internet 5G chegar nas cidades maiores, mais cedo ou mais tarde ela vai se tornar padrão, convivendo com as demais faixas existentes. “É preciso um investimento imenso em tecnologia e infraestrutura por parte das operadoras, e elas farão isto aos poucos, primeiro nos mercados mais lucrativos e promissores”, reforça.

Enquanto isso não acontece, a 5G vendida por algumas operadoras é, na verdade, a 5G DSS, que usa a faixa da 4G LTE, por exemplo. “Ela chega a 400 Mbps de velocidade, algo que não se compara a 5G, nem entrega todas as potencialidades dela em vários aspectos”, define o especialista.

Outra questão técnica do 5G ausente no DSS é a baixa latência, “isto é, tempo de reação entre um pacote de dados ser enviado para a rede e voltar ao aparelho, que é mais um indicador de qualidade de conexão do que de velocidade. Ela é necessária para que objetos conectados possam ser controlados remotamente quase sem atraso, como carros autônomos”, explica.

A estratégia de as operadores venderem pacotes com o nome de 5G, para Marcos, é uma forma de dar uma experiência de como será a 5G e vender celulares e planos de telefonia. “A grosso modo, é uma 4G turbinada, um meio termo entre 4G e 5G. Como já tem a 4.5 G, seria uma 4.6 ou 4.7 G. (risos). Inclusive, o PROCON-SP notificou as empresas a respeito disso, para que expliquem adequadamente as limitações do serviço 5G DSS”.

A promessa dos celulares 5G DSS vendidos, aparelhos que custam em torno de R$ 5 mil a R$ 6 mil, é que, quando a 5G funcionar de fato, estes aparelhos possam ser utilizados também no padrão. “Porém, não se arrisque a comprar aparelhos importados pode ser que eles não funcionem no padrão a ser definido no Brasil no futuro”, aconselha.

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