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Ah, a prova de redação!

“Eu não vou bem em redação”, “não ingressei no curso que queria por causa da redação”, “eu odeio ter que escrever uma redação”, “eu nunca vou usar redação na minha vida”. Talvez você tenha se identificado com alguma dessas frases, quem sabe até mesmo pronunciou algo parecido ou ouviu isso de alguém – especialmente se você for um professor da área. Não é novidade que Redação, como uma disciplina do currículo básico, seja ela trabalhada de maneira isolada ou aliada à Língua Portuguesa e Literatura, causa “dor de cabeça” para muitos alunos. Se você pensa dessa maneira, sinto muito, mas devo informar que não será uma aspirina que acabará com essa “dor”, mas procurar entender a importância de tal disciplina é um bom caminho.

É verdade que, em termos gramaticais, a língua portuguesa é vista como complexa por algumas pessoas. Ao contrário disso, eu vejo essa complexidade como riqueza: somos falantes nativos do quinto idioma mais falado no mundo, estima-se que há cerca de 280 milhões de falantes; só no Brasil, o português possui uma diversidade linguística admirável; sem falar que o ato de fazer cafuné em alguém desafia os tradutores de outros idiomas, pois o termo “cafuné”, assim como “xodó”, é exclusivo do português. Mas, mesmo assim, ainda há dificuldade na hora de escrever um texto, especialmente se você é um estudante do nível básico e reconhece o poder da redação na hora do Enem ou vestibular – afinal, ela pode te incluir ou excluir da lista de aprovados, uma vez que seu peso compõe boa parte da nota desses exames. Calma! não é tão difícil quanto parece.

A palavra “texto” tem em sua origem etimológica o sentido de “construir”, “tecer”, “material tecido”. Nesse sentido, o ato de tecer pode ser definido como um entrelaçamento de fios que, juntos, formam um tecido. Contudo, com o passar do tempo, o vocábulo “texto” evoluiu e recebeu mais um significado: estruturação de palavras. Partindo desse ponto, mas continuando no universo da costura, o que seria o entrelaçamento de palavras senão um texto? Pois é, quem diria que essa combinação de cinco letras teria tantos significados somente em sua origem etimológica! – se você pesquisar “texto” em qualquer dicionário verá que existem outras acepções além das mencionas acima.

Eu gosto de imaginar uma redação a partir dessa ideia de tecelagem, porque isso representa mais de uma possibilidade de composição: com uma boa interpretação textual, uma escolha vocabular adequada, certo conhecimento de gramática e acerca da estrutura do gênero em questão, é possível escrever sem muitas dificuldades qualquer criação textual. O primeiro elemento, a interpretação de texto, é fundamental para que você entenda o contexto de produção, mas também é algo que depende muito do conhecimento de mundo de cada indivíduo; por isso, ler diariamente e manter-se informado é indispensável para superar esse medo da temida redação. Quanto aos demais elementos, você pode estudá-los com seus professores e acompanhar nossas dicas semanais aqui na “Linguagem sem excuse!”. Não tenha medo de escrever, ainda mais em sua língua materna, pois com muito estudo e organização, essa prática deixará de ser motivo de pavor em sua vida.

Carla Helena Lange: formada em Letras Português e Inglês e em Pedagogia. Mestra em Letras pela UTFPR. Atua como professora particular de Língua Portuguesa, Literatura e Redação.

Contato: www.textogramma.com | Instagram: @Textogramma

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