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Bolsonaro está rendido a dividir governabilidade com o Centrão, diz Roberto Gondo

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está rendido a dividir a governabilidade do Brasil com partidos de Centro e, por isso, perdem espaço no gabinete do Executivo membros dos extremos ideológicos, como é o caso do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. A avaliação é do professor de comunicação política e coordenador do Observatório de Marketing Político e Governamental (OMPG) da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Roberto Gondo.
“O governo foi forçado a sofrer uma mutação e ir mais leve. Agora, a um ano das eleições presidenciais, esta é uma maneira de criar mecanismos para angariar eleitores que perderam com o tempo, que se arrependeram do voto”, afirmou ao Broadcast Político.
Araújo é o último ministro que restou no governo Bolsonaro a seguir as teses de Olavo de Carvalho. O ministro apresentou na segunda-feira, 29, sua carta de demissão, após atritos com parlamentares, entre eles, o mais recente com a senadora Kátia Abreu (PP-TO), presidente da Comissão das Relações Exteriores no Senado.
Segundo o especialista, não é comum que o Congresso e o grupo de partidos de Centro pressionem por mudanças na política externa, porém ressalta que a dependência da importação de insumos farmacêuticos e de vacinas contra a covid-19 gerou uma exposição internacional muito maior do que a política de relações exteriores nos últimos dois anos.
“Não houvesse situação pandêmica e uma carência das vacinas dos países do Brics – entre eles China e Índia -, talvez Ernesto Araújo nem fosse lembrado”, disse. “É a primeira vez, desde a redemocratização, que o papel do chanceler tem sido tão forte”, completou.
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