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Carros que mudaram o mundo

Motor a etanol, propulsão híbrida e tração integral… Essas são algumas das soluções que surgiram ao longo dos anos na indústria automotiva. No Brasil e lá fora, há sempre um pioneiro para tirar as coisas da mesmice. O primeiro utilitário-esportivo, por exemplo, foi feito pela Jeep. E a Tesla é apontada como a responsável pela disseminação do veículo elétrico.
E já que para falar de veículo atualmente é quase impossível fugir do tema “emissões de poluentes”, um bom exemplo de modelo sustentável é o Toyota Prius. Híbrido mais vendido do mundo, é também um dos maiores sucessos da fabricante.
Lançado em 1997, no Japão, o Prius é o primeiro híbrido feito em massa. A ideia de combinar motor a combustão e elétrica e, de quebra, ter baterias alimentadas com o movimento do carro, acabou por conquistar a indústria – e o mundo.
A possibilidade de carregamento em tomadas (plug-in) veio mais tarde. Mesmo com alto custo, claro, tais tecnologias chamaram a atenção da concorrência. E logo surgiram rivais como Ford Fusion Hybrid e Honda Insight, por exemplo.
CARRO A ÁLCOOL
Mas anos antes disso, quando o carro alimentado por baterias ainda estava longe de ser realidade nas ruas, o Brasil já estava de olho em alternativas ao petróleo. No início da década de 1980, o lançamento do Fiat 147 movido a álcool iniciou uma nova era para a indústria de veículos no País. Rapidamente, Chevrolet, Ford e Volkswagen lançaram seus representantes com motores que podiam queimar o combustível de origem vegetal.
Mas, assim como o carro só a gasolina, o apenas a álcool ficava à mercê dos humores do mercado – era comum faltar combustível nos postos. Para resolver esse problema, em 24 de março de 2003, por meio de uma jogada de marketing muito bem orquestrada, a Volkswagen lançou o Gol Total Flex dias antes de a Fiat apresentar seu modelo que podia rodar com gasolina, álcool ou a mistura de ambos em qualquer proporção.
A ideia vingou. E fez tanto sucesso que em 2020, por exemplo, mais de 85% dos automóveis e comerciais leves novos vendidos no País tinham motores bicombustíveis.
FUSCA
Voltando um pouco mais no tempo, não dá para falar de carro no mundo sem citar o alemão Käfer (besouro), que no Brasil ganhou o apelido de Fusca. O modelo foi desenvolvido por Ferdinand Porsche por determinação de Adolf Hitler e chegou ao mercado em 1935 para ser o “carro do povo”, significado da palavra Volkswagen.
E fez história graças às soluções simples e eficientes. Como o motor refrigerado a ar instalado na traseira e o porta-malas na frente.
Bem-sucedido, é o carro feito em série no mundo por mais tempo. Foram três gerações ao longo de 81 anos, de 1938 a 2019. Apenas no Brasil, foram produzidas 3,35 milhões de unidades.
De 1998, o New Beetle tinha visual retrô e muita tecnologia. Por isso, era muito caro – diferentemente da proposta do modelo original. De 2011, o último modelo tinha base do Golf e, mesmo com apelo moderno e soluções inovadoras, não emplacou e, em julho de 2019 o carro deixou de ser feito no México.
PRECURSORA DOS AVENTUREIROS
Lançada em 1999, a Fiat Palio Weekend Adventure pode ser considerada o modelo precursor da moda de “aventureiros urbanos”. E talvez até da onda dos SUVs compactos – que não para de crescer.
O modelo inovou ao trazer visual que lembrava o de carros off-road e até uma solução para encarar uma lamazinha. O sistema de bloqueio de diferencial, fornecido pela Eaton, foi batizado pela Fiat de Locker.
Depois vieram outros aventureiros de butique, como o Volkswagen CrossFox e o Renault Sandero Stepway, por exemplo. Até que a Ford resolveu fazer um carro urbano sobre a base do Fiesta, mas com visual que lembrasse um SUV.
O EcoSport foi um tremendo sucesso, virou um modelo global e deu origem a um novo segmento. Atualmente, as principais montadoras têm pelo menos um modelo do tipo. E os SUVs já respondem por um de cada três carros zero-km vendidos no mercado brasileiro.
ESPORTIVO PERENE
Outro sucesso da Ford, este atemporal, é o Mustang. Nenhum outro carro despertou tanto o desejo do consumidor como o cupê lançado em 1964 nos Estados Unidos.
O modelo virou sinônimo de esportividade e inaugurou o segmento de muscle cars (carros musculosos). Depois do Ford vieram Chevrolet Camaro, Dodge Challenger e companhia.
Atualmente, o Mustang é vendido no Brasil na versão Black Shadow. O motor é V8 5.0 de 466 cv e a tabela, de R$ 396.900.
PIONEIRO 1.0
Na década de 1990, o Fiat Uno Mille fez uma verdadeira revolução no mercado. Além de ser econômico, o carrinho tinha a simplicidade com uma de suas principais características. O sucesso foi imediato, mas o viés espartano era também um ponto negativo.
Eis que em março de 1994 entrava em cena no Brasil o Corsa. O novo projeto era inspirado no do europeu, tinha linhas arredondadas e acabamento mais caprichado que o do Mille.
O Chevrolet chegou a ser chamado por alguns de “novo Fusca”. E a fila de espera passava dos seis meses.
O COMEÇO DE TUDO
E não dá para encerrar esta reportagem sem falar do Ford T. O modelo foi um divisor de águas não só para o setor de veículos, mas para a indústria como um todo.
Lançado em outubro de 1908, o modelo era simples, robusto e, por inaugurar o processo de produção em série, barato. Com o novo formato de fabricação, a produtividade disparou e revolucionou a indústria.
O sucesso foi tanto que, na década de 1920, um em cada dois carros do mundo era um Ford da linha T. Foram feitas mais de 15 milhões de unidades até 1927.
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