‘Como brasileira, quero ser reconhecida como latina’, diz Alice Braga

De Los Angeles, na Califórnia, onde está passando a quarentena com a namorada Bianca Comparato, Alice Braga deu a entrevista que foi exibida nesta terça-feira, 6, no programa Conversa com Bial.

A atriz, que está no elenco dos filmes Novos Mutantes e Esquadrão Suicida 2, falou sobre representatividade na indústria do cinema. “Quando me perguntam se eu não acho ruim ser taxada como latina, eu falo ‘o oposto’. Eu tenho muito orgulho. Eu como brasileira, quero ser reconhecida como latina, porque somos latinos.”

A artista comentou que está feliz por a representatividade latina estar “super forte” em Hollywood neste momento. “Me sinto muito privilegiada e honrada de estar aqui quando os latinos estão com uma força muito grande, não só na política, mas também no entretenimento. Tem uma coisa de a gente estar incluso nesse movimento que tem uma coisa muito forte cultural. A gente como brasileiros, como latinos, traz uma coisa artística muito potente”, afirmou.

No entanto, Alice defendeu que essa diversidade cultural precisa existir também nos bastidores do cinema. “E tem que continuar batalhando não só para frente das câmeras como por trás, porque só assim que a gente transforma. Se a produção executiva, o roteirista, se o diretor ou a diretora de fotografia também forem latinos mais histórias latino americanas vão ser contadas. Então acho que a representatividade é muito importante.”

Pedro Bial comentou a origem familiar de Alice: “mãe Ana Braga, atriz; tia Sonia Braga, atriz; pai Nico Moraes, diretor”. “A tua carreira de atriz não era uma questão de ‘se’, era ‘quando’. O quando foi em Cidade de Deus, mas como se deu esse quando?”, questionou o apresentador.

A atriz confirmou que cresceu indo com frequência a sets de filmagem com a mãe, que tinha parado de atuar e trabalhava como assistente de direção, e ainda começou a fazer teatro no colégio. “Eu tenho uma coisa muito potente com Cidade de Deus. Além de ser um filme que é super importante para a história do cinema nacional, virou um dos filmes mais elogiados do mundo na história do cinema mesmo. É um filme que eu tenho muito orgulho e honra de fazer parte”, respondeu Alice.

Alice continuou falando sobre a influência dos familiares e do filme de Fernando Meirelles. “Para mim foi o encontro, onde fez o clique de que realmente é isso que eu quero fazer, eu quero ser atriz. Eu amo fazer cinema. Como eu cresci numa família que fazia cinema, para mim fazer cinema não era muito uma questão. A questão para mim era se seria na frente ou atrás da câmeras”.

O filme que se passa em uma favela carioca também foi fundamental para a carreira internacional de Alice Braga. “Comecei a viajar mais, conheci minha agente, comecei a conhecer mais gente aqui fora e também a falar mais inglês. Foram os dois filmes [Cidade de Deus e Cidade Baixa] que me ajudaram aqui fora.”

Outra produção que foi importante na carreira de atriz brasileira na mesma época foi a peça teatral A Máquina, que tinha no elenco Gustavo Falcão, Wagner Moura, Lázaro Ramos e Vladimir Brichta. “Foi a primeira vez que eu vi esses meninos e lembro de olhar eles e pensar ‘esse tipo de atuação que eu acredito. Não tem como não fazer isso”, disse atriz.

Durante participação no Conversa com Bial, Alice Braga também falou sobre ativismo e lembrou da live que fez com a atriz Jane Fonda sobre desmatamento da Amazônia. “A informação de que 80% do desmatamento mundial vem do agronegócio para mim foi muito chocante.”