Almanaque+

Depois de Bob Dylan e Neil Young, Shakira vende direitos de seu catálogo musical

A cantora colombiana Shakira se tornou a mais recente artista a vender os direitos de seu catálogo de 145 canções para o Hipgnosis Songs Fund, empresa de investimento situada em Londres. O anúncio foi feito nesta quarta, 13, em comunicado divulgado pela empresa.
Vencedora de três prêmios Grammy, famosa por músicas como Hips Don’t Lie, Whenever, Wherever, Underneath Your Clothes e a canção da Copa do Mundo de 2010 Waka Waka (This Time For Africa), a cantora vendeu mais de 80 milhões de discos e tem muitos seguidores nas plataformas de streaming de música Spotify e YouTube.
A pandemia praticamente cortou os ganhos com shows ao vivo e uma lista crescente de músicos tem buscado monetizar seus catálogos. Bob Dylan vendeu seu catálogo no mês passado e foi seguido por outros, como Neil Young.
Uma onda de música online, que levou vários sucessos antigos de volta ao topo das paradas, aumentou o interesse dos investidores. O JP Morgan disse que o Hipgnosis é um investimento atraente por suas receitas de longo prazo devido às leis de direitos autorais.
Criado no início de 2018 por Merck Mercuriadis, ex-empresário de vários gigantes como Elton John e Iron Maiden, o fundo Hipgnosis abriu o capital na Bolsa de Valores de Londres naquele mesmo ano. Desde então, garantiu os direitos do produtor Timbaland e do cantor Barry Manilow, entre muitos outros músicos.
A empresa já levantou cerca de US$ 850 milhões de investidores, de acordo com seu site oficial, e controla os direitos de dezenas de sucessos, incluindo Shape of You, de Ed Sheeran, e Uptown Funk!, de Bruno Mars.
“Aos oito anos, muito antes de cantar, eu escrevia para dar sentido ao mundo”, disse Shakira, de 43 anos, em um comunicado. “Cada música é um reflexo da pessoa que eu era na época em que a escrevi, mas, uma vez que uma música é lançada no mundo, ela pertence não apenas a mim, mas também àqueles que a apreciam. Eu sei que o Hipgnosis será um ótimo lar para o meu catálogo.”
A colombiana integra a restrita lista das três artistas femininas que superaram a marca de 2 bilhões de visualizações no YouTube. Hoje, sua composição Waka Waka (This Time for Africa) registra mais de 2,7 bilhões de reproduções. Segundo noticiou o jornal espanhol El País, no entanto, suas músicas continuarão sendo administradas pela gravadora Sony por mais sete anos.
A Hipgnosis Songs Fund não revelou detalhes financeiros do negócio, que é o mais recente da empresa depois de outros realizados neste ano, como com o músico Neil Young que, em janeiro, acertou a venda de 1.180 músicas por um total de US$ 150 milhões, segunda a BBC. Também negociaram o guitarrista da banda Fleetwood Mac Lindsey Buckingham e o produtor musical Jimmy Iovine. Já Bob Dylan vendeu seu catálogo com 600 canções para Universal Music Group em dezembro, por US$ 300 milhões.
Segundo especialistas, o maior número de operações desse tipo registradas nas últimas semanas teria a ver, por um lado, com a paralisação das viagens por um ano devido à pandemia da covid-19 (uma de suas principais fontes de rendimento) e, por outro lado, com a chegada à Casa Branca do democrata Joe Biden e o eventual aumento dos impostos que incidem sobre o aumento de capital.
Há um outro detalhe, que diz respeito à valorização dos direitos musicais por conta do papel predominante que passaram a ter as plataformas de streaming. De acordo com uma estimativa publicada pelo The Wall Street Journal, os catálogos de música estão sendo reavaliados ano a ano, a ponto de um repertório pelo qual se pagariam 41 mil euros agora pode ser avaliado em uma faixa ampla de 4 milhões a 40 milhões de euros. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
Para cima