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Grandes filmes no Oscar

O Oscar deste ano traz filmes grandiosos, com boas histórias e narrativas lineares. Mais uma vez, encarei a missão de assistir aos indicados nas principais categorias.

É um ano de produções bastante longas. Cinco delas têm mais de duas horas de duração. O Regresso é o mais extenso (2h 36 min), com Leonardo Di Caprio falando quase nada, mas ainda assim dando show de interpretação. O ator, contudo, terá uma disputa difícil pela frente. Se Matt Damon ou Eddie Redmayne ganharem, não será menos justo.

Melhor filme

Mas antes de chegarmos aos atores, vamos aos indicados a melhor filme. O favorito para levar a estatueta é O Regresso. Spootligth e Perdido em Marte correm por fora – somados a O Quarto de Jack, os melhores concorrentes da premiação, naturalmente na minha modesta opinião.

Divulgação

Perdido em Marte concorre a melhor filme. Matt Damon está na disputa na categoria melhor ator

O Regresso é um épico belo, com uma fotografia que fala por si num filme com poucos diálogos, muito sofrimento e luta ferrenha pela sobrevivência. Um faroeste requintado, recheado de cenas fortes. No filme, não é apenas a vingança um prato que se come cru. A carne – até de cavalo – também o é.

Perdido em Marte é uma ficção científica que segue a linha da sobrevivência – acrescentada de ingredientes que mexem com a imaginação. Logo no começo, Mark Watney (Matt Damon) fica sozinho em Marte sem qualquer comunicação. Todos pensam que ele está morto. O solitário Náufrago (2000), interpretado por Tom Hanks, é coisa pouca comparado a solidão absoluta de estar em outro planeta. Por sorte, passados alguns sóis, a falta de comunicação é resolvida. O que não diminuirá a dificuldade para sobreviver num planeta inóspito e, aparentemente, estéril.

O filme tem momentos geniais que celebram a vida, trazendo cenas de fatos corriqueiros da terra em contraste com a rotina mais ou menos estática de Marte. Uma trilha sonora despretensiosa e, por mais que óbvia em alguns momentos, adequada. Sim, Starman de David Bowie está lá. Mas como não se emocionar ao escutá-la no filme poucas semanas após a morte de Bowie?

A atmosfera é de suspense, com a dificuldade extra de reproduzir ambientes do espaço. Por isso, Ridley Scott merecia ter sido indicado na categoria melhor diretor.

Ainda temos Mad Max, um dos primeiros indicados lançados no Brasil. Uma superprodução e uma retomada magistral como poucas vezes se viu numa franquia. Não tem como não gostar. Ao lado de Perdido em Marte, é o filme mais fácil de assistir, por conta da ação e das cenas cheias de adrenalina.

A Grande Aposta conta de uma forma irreverente a crise imobiliária de 2008 – e mostra como a ganância e poder financeiro ditam os ritmos da sociedade. Mesmo após o mundo ruir com a crise e o jogo sujo de Wall Street. Um enredo complexo contatado de forma inteligente, através de uma narrativa dinâmica e repleta de humor. É o filme menos convencional, entrelaçando várias histórias.

O Quarto de Jack é comovente. Difícil lutar contra as lágrimas que insistirão em cair. Sim, isso soa piegas. Mas não se você assistir ao filme e testemunhar o sofrimento de uma mulher sequestrada durante quatro anos, onde a vida se resume a um quarto subterrâneo com uma claraboia que deixa passar parcos raios de sol e na qual ela tem um filho. Para dar sentido à vida, objetos do cotidiano que sequer prestamos atenção passam a ser brinquedos e a ter nomes próprios – por exemplo, cascas de ovo. Como explicar para uma criança que nasceu nessa realidade que existe um mundo lá fora e que não são mentiras da TV as árvores, o céu, os animais e as pessoas?

Spotligth é o mais impactante em termos políticos. Sacode o vespeiro que é a questão da pedofilia na igreja católica e mostra que jornalismo é importante e fundamental, quando feito com alguma independência, estrutura e determinação em investigar. Um exemplo de que um jornal de respeito – e um time de repórteres tarimbados – não aceitam a primeira explicação. Não se curvam a interesses menores – nem mesmo de uma instituição imponente como a igreja. E que essa relevância, quando vista na prática, é que faz do jornalismo algo sensacional e indispensável.

Temos ainda Brooklin, o mais fraquinho dos concorrentes. Não é um filme ruim. A história fala da dificuldade em deixar o lar, quebrar laços e começar a vida do zero. Está um nível abaixo dos demais.

Por fim, temos Ponte dos Espiões, um filme de espionagem sobre a Guerra Fria, com boa atuação de Tom Hanks e direção segura de Steven Spielberg.

Melhor ator e atriz

A disputa será acirrada nas categorias de atores. Leonardo Di Caprio é o mais cotado para melhor ator, mas tem a concorrência de Eddie Redmayne, que está estupendo em A Garota Dinamarquesa, baseado na história real de Lili Elbe, a primeira pessoa transgênero. E de Bryan Cranston (um brinde aos fãs de Breaking Bad), que também tem uma atuação firme e convincente em Trumbo, filme que conta como o radicalismo parece atrofiar o cérebro dos entes políticos, até mesmo numa das principais democracias do mundo, os Estados Unidos.

A categoria de melhor atriz tem novamente Cate Blanchett na disputa, por seu papel em Carol, mas para renovar a estatueta ela terá de superar Brie Larson (O quarto de Jack), a favorita de muitos críticos.

Apostas e torcidas

Assim sendo, eis minhas apostas e minhas torcidas para o Oscar 2016. Melhor filme: ganha O Regresso. Torcidas: O Quarto de Jack, Spootligth e Perdido em Marte. Melhor Ator: ganha Leonardo Di Caprio. Torcida: Eddie Redmayne. Melhor atriz: ganha e tem minha torcida Brie Larson. Melhor diretor: ganha e tem minha torcida Alejandro G. Iñárritu, pela verossimilhança que deu a O regresso.

A maioria das categorias está em aberto. O que deve deixar alguns insatisfeitos. Mas vale a torcida. Principalmente para O Menino e o Mundo, animação brasileira que está na disputa.

Bom Oscar e boa pipoca.

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