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Já dizia aquela pomada, não basta ser pai…

Paulo Argollo

É tudo pelo consumismo! No capitalismo não tem santo, é todo mundo lobo e cordeiro ao mesmo tempo. Fale mal, mas fale de mim! Vender! Vender! Vender! Comprar! Comprar! Comprar! Propagando e a alma do negócio! Propaganda é a arma do negócio, mirando nosso desprotegido coração! Não se iluda: para eles você não passa de um número, uma cifra, uma máquina de curtir, comentar e compartilhar.

Mas se acalma. Respira.

No frigir dos ovos, pessoas ainda são pessoas. Poeticamente imperfeitas. Todo mundo quer ser amado, valorizado. Mas acontece que a vida é um eterno todo mundo vê as pinga que eu tomo, mas não vê os tombo que eu levo. 

É difícil acreditar, mas as coisas não mudaram tanto quanto parece. Há muito tempo, na época que ali onde hoje é o Google era tudo mato, as pessoas já falavam da vida umas das outras, queriam parecer legais, queriam mostrar seus feitos e conquistas materiais para os outros. Queriam ser amadas e valorizadas. O Twitter não tem esse nome à toa. A expressão que antecede uma fofoca  “um passarinho me contou” é comum em vários lugares do mundo já há muito tempo.

Falando em passar do tempo, também acho válido registrar que, apesar de todo o avanço tecnológico, globalização e o escambau, a produção realmente criativa e envolvente de ideias na comunicação caiu vertiginosamente. É verdade que as mídias mudaram muito e tal. Mas isso é facilmente adaptável. Em especial na publicidade, fica evidente essa queda. Nos anos noventa uma famosa marca de motocicletas fez uma campanha publicitária genial convidando os consumidores a abandonar a monotonia do dia-a-dia e se aventurar em cima de uma de suas motos. O anúncio era um simpático gordinho cantarolando sua rotina em um cenário monocromático: “Hoje eu acordei, pus o meu pijama, fui pra minha cama, aí eu fui tomar café…” Era um vídeo que hoje poderia viralizar nas redes sociais e faria o mesmo efeito de outrora, ou seja, geraria interesse pela marca e vendas.

Você deve estar se perguntando onde eu quero chegar com todo esse papo de capitalismo, consumismo, pessoas querendo ser amadas e valorizadas, opinião alheia e publicidade. É bem simples. Cada um sabe onde o calo aperta, cada pessoa sabe seus defeitos e qualidades e suas responsabilidades. Quem é pai de verdade, que dá amor, suporte, bronca, que é presente dentro de casa com a família, é o cara que menos deve se importar com opiniões alheias ou em ser valorizado por quem não dá a mínima pra ele. Esse cara já é amado e valorizado por quem realmente importa: os filhos. Com a escassez de boas ideias e conceitos fortes para campanhas publicitárias, marcas usam determinadas celebridades para gerar o burburinho que deveria ser gerado por causa de um título forte ou um conceito incrível. Não que estejam errados, eles usam as armas que tem, e acabam gerando um debate saudável para a sociedade.

O pai que merece ser homenageado neste fim de semana é mais que um homem, é mais que uma representação num anúncio de cosmético. É uma persona, quase uma entidade, que ama, protege e vive intensamente a vida do filho como se fosse sua própria vida, que no fim das contas de fato é.

Feliz dia dos pais a todas as pessoas que são pais de verdade.

HOJE EU RECOMENDO


Disco: Juntos Para Siempre
Artista: Chuchu Valdés & Bebo Valdés
Ano de lançamento: 2008
Um dos maiores ícones do latin jazz, o pianista cubano Bebo Valdés gravou, poucos anos antes de falecer, este disco maravilhoso com seu filho Chuchu. Uma verdadeira celebração à música latina. Tem no Spotify.

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