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Um mundo a ser explorado em dez dias

Online pelo segundo ano consecutivo, o É Tudo Verdade 2021 é um mundo a ser explorado em dez dias. Nada menos que 69 filmes, brasileiros e estrangeiros, num festival cuja marca registrada é a qualidade das produções selecionadas.

Entre as atrações, o primeiro destaque fica para o longa de estreia, Fuga, de Jonas Poher Rasmussen, eleito melhor documentário do Festival de Sundance. É um curioso espécime (embora não pioneiro) daquilo que os especialistas chamam na intimidade de “animadoc”. Filmes de animação documentais, o que, em tempos mais tradicionais do formato, seria uma espécie de contradição em termos. Com técnica de animação, Fuga narra a história bem real do personagem, em seu trajeto do Afeganistão assolado pelos talebans até um problemático exílio na Dinamarca. O filme é bastante impressionante, tanto pelo aspecto formal como pelo tom empregado em questões de tamanha gravidade.

Bastante interessante, também, é Glória à Rainha, de Tatia Skhirtladze, uma produção da Áustria, Geórgia e Sérvia. Apresenta a história de quatro mulheres enxadristas que fizeram sucesso num mundo predominantemente masculino. Nona Gaprindashvili, Nana Alexandria, Maia Chiburdanidze e Nana Ioseliani, todas georgianas, botaram o mundo enxadrístico de cabeça para baixo com sua inteligência e talento. Isso num tempo de Guerra Fria, em que o esporte era considerado prioridade na antiga União Soviética como maneira de afirmar a superioridade socialista diante do capitalismo. Belo filme, que surge num momento de interesse pelo xadrez feminino despertado pela série da Netflix O Gambito de Rainha.

Sob Controle Total, de Alex Gibney, Ophelia Harutyunyan e Suzanne Hillinger, trata da irresponsabilidade do governo de Donald Trump diante da pandemia do novo coronavírus. Escancara um aspecto crucial para nós ao mostrar que cada passo em falso de Trump – negacionismo, descrença na ciência, desprezo pelo isolamento social e uso de máscaras, má administração de recursos, falta de previdência na vacinação, uso de medicamentos inadequados, má gestão dos hospitais, etc – foi rigorosamente imitado por seu clone brasileiro. Não por acaso são os dois países com maior número de mortos em todo o mundo.

Por fim, não deixe de ver Charlie Chaplin, Gênio da Liberdade, de Yves Jeuland. São 145 minutos de puro prazer, acompanhando a trajetória do criador de Carlitos, da infância miserável em Londres à glória de ter se transformado no cineasta e ator mais famoso de seu tempo. Muitas cenas de filmes, material inédito e narração em off do ator francês Mathieu Amalric.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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