A necessidade do bom senso e do respeito ao outro

Marcelo Silveira Dalle Teze

Uma sociedade onde a intolerância, a ganância e a sede por poder se colocam em primeiro plano caminha para o caos. Esta semana foi amplamente difundida na imprensa o caso de uma jovem loira que não queria encostar o cabelo na pessoa que estava no banco oposto no metro. Em momento algum a postura da jovem apresentada na televisão conotou racismo (Não queria encostar cabelos), mas a outra pessoa, dando de dedo nela, enfatizava e “de dedo apontado” fazia o vínculo a questões étnicas. Uma postura que quase rendeu um linchamento público da suposta racista, numa oportunidade em que, no impulso, o povo julga, sentencia e executa a condenação nem sempre tendo a razão para tal.

Sem aprofundar mais no caso acima, independente de quem tem ou não tem a razão, a intolerância está enraizada e levando a conflitos desnecessários que, ao invés de gerarem evolução social, nos direcionam ao retrocesso como seres e como sociedade. Algo que se vê, também, na política partidária, nas religiões, em alguns esportes de competição, nas estruturas de poder, enfim, nas diversas frentes de convívio coletivo.  Práticas tão comuns que pessoas não alinhadas a tão pobre linha de raciocínio e conduta passam a ser taxadas e até mesmo discriminadas pela linha de pensamento mais ampla e desprovida de conexões insensatas.

Não precisamos ter a postura de defender por defender ou acusar por acusar, por ter este ou aquele grupo ou defesa ideológica. O certo é o certo e não depende do ponto de vista. Mas o que é o certo? O certo é o que preserva a vida, a natureza, o bom convívio, o respeito ao outro como indivíduo e ser social, valoriza o desenvolvimento e o bem comum, não exclui, inclui. Fora isso está errado e deve ser, sim, modificado. Mas vivemos num mundo em que o errado parece ser o certo e quem se posiciona diferente – pensando naquilo que é verdadeiramente importante – tende a ser questionado e, até mesmo, repelido e o inimaginável é aceito.

Exemplo também na postura da Assembleia Legislativa em buscar criar uma “montanha” de cargos é outro deboche a conjuntura social e as expectativas da nossa gente. Parece que existem mundos diferentes para os parlamentares, havendo boas exceções que reconhecemos e agradecemos por existirem.

Há algo falho na formação das pessoas. Boa parte de quem tem a chance de mudar coloca o poder e a ganância acima de qualquer coisa, inclusive com posturas corporativistas que não fazem o bem social. Um capitalismo selvagem que foge do bom senso num mundo que, independente de debates e ideologias, caminhará para o social-capitalismo, tal a exclusão proporcionada por tecnologias entrantes e o modelo econômico existente que é, sim, o menor, mas não menos excludente e deverá ser reinventado.

Enfim, este mundo que temos como lar deve ser repensado sob o risco de torná-lo ainda mais agressivo, triste, amargo, desigual e numa condição em que o individualismo ganha o protagonismo, o que tende a não gerar bons resultados favoráveis ao bem comum coletivo.

Se integrar um grupo ou a uma ideologia (Muitas em moda), não tenha obrigação em concordar em tudo; se ver uma notícia (Como a do cabelo) avalie melhor o que acompanha; se integra qualquer organização veja, sempre, se há bom senso voltado ao bem comum ou onde querem chegar.

Vivenciei a fase final da ditadura e, entendo que hoje, sem dúvida, a intolerância, a soberba e a avareza tornam caminhos evolutivos como sociedade mais desafiadores, penosos e com barreiras, talvez, intransponíveis. Religiosos, políticos, esportistas e supostos líderes das mais diversas esferas vendem, geralmente, uma esperança de mundo melhor em cima de uma visão de coletividade, de integração e de respeitabilidade que, infelizmente, na prática, não adotam. Fazem exatamente o contrário do propalado.

Bom estudarmos, filosofarmos, realizarmos conectividades para vivermos o momento e identificarmos o objetivo fim de tais atores.

Reflita melhor o que vive e se proteja, focando no que é, de fato, para o bem comum. Ainda dá para perceber e separar o que é certo do que é errado.

Jornalista e presidente do Instituto Regional de Desenvolvimento Econômico e Social (Irdes), de Pato Branco

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