Padre Judinei Vanzeto

A palavra corrupção provém do termo latino corruptione, na ligação das palavras cor (coração) e rupta (quebra, rompimento). A corrupção, infelizmente, tem suas diferentes facetas.

Na Cartilha de Orientação Política para as eleições 2022, publicada pela CNBB Sul 2 (Igreja Católica do Paraná), lemos sobre a voz da Igreja diante da “melhor política”. Não obstante, o Papa Francisco, na Bula do Jubileu Extraordinário da Misericórdia (2015), afirmou sobre a corrupção: “Esta praga apodrecida da sociedade é um pecado grave que brada aos céus porque mina as próprias bases da vida pessoal e social. A corrupção impede de olhar para o futuro com esperança porque, com a sua prepotência e avidez, destrói os projetos dos fracos e esmaga os mais pobres. É um mal que se esconde nos gestos diários para se estender depois aos escândalos públicos. A corrupção é uma teimosia no pecado que pretende substituir Deus com a ilusão do dinheiro, como forma de poder”.

Em outras palavras o Papa Francisco aponta que o cristão e a corrupção são como água e óleo, não se misturam. Além disso, a corrupção não é uma atitude meramente do político, pois se um cristão for conveniente em aceitar favores de candidatos, ou seja, vender o seu voto, também está sendo corrupto quanto a ele.

Ao comprar ou vender o voto o eleitor e o candidato estão cometendo um crime eleitoral. Para tal crime o Código Eleitoral determina até quatro anos de prisão, não somente para candidatos que oferecem dinheiro ou bens em troca de votos, mas também para o eleitor que recebeu dinheiro ou qualquer outra vantagem (Informações do site do TSE). Mas, infelizmente, poucos candidatos se elegem, de fato, sem a compra de votos. Isso é constatado na grande maioria dos municípios do Sudoeste do Paraná.

Por outro lado, vale a pena lembrar a presença de uma corrupção institucionalizada no contexto do estado democrático de direito brasileiro. A corrupção está muito latente no comportamento de partidos políticos. Nesse meio existe o jogo de interesses particulares e da cartilha do próprio partido.

Em breve teremos o Programa Político Gratuito. E aqui vale ressaltar programa realmente gratuito, porque as emissoras não recebem nenhum centavo para tal veiculação. Então, nos tais Programas Políticos Gratuitos todos os dias ouviremos, desde a esfera federal passando pela estadual, os apoios políticos recheados de promessas de liberação de recursos etc. Conteúdos orientados pelos marqueteiros políticos, uma maquiagem ao candidato.

Esse tipo de comportamento político partidário parece ser uma corrupção institucionalizada, onde a população passa a ser um engodo das amarrações políticas. Sendo que, sobre esta mesma população recai a carga do peso dos impostos e as centenas de obras públicas inacabadas. Essa mesma população tem o direito assegurado pela Constituição Federal de ver bem aplicado o dinheiro de seus tributos. Mas, por vezes, esse ou aquele partidário não direcional tal verba necessária porque não tem um significativo número de votos em determinada região. Dessa maneira, o povo padece pelos interesses pessoais de partidos políticos. Aliás, a desgraça da política brasileira consiste na proliferação de partidos.

Infelizmente, a proliferação de partidos no país constitui-se numa corrupção desvelada e o povo brasileiro torna-se refém de leis de proteção ardilosas em prol de uma minoria rompante no poder. Além disso, criaram o orçamento secreto. Como assim, dinheiro que o legislador não precisa prestar contas ao povo? Nisso, pois, ensejam o poder a qualquer custo. Gradativamente esquecem que poder, em estrito senso da palavra, significa servir em prol do bem comum.

Tal comportamento é preocupante e vale a indignação, pois diante dessa corrupção institucionalizada faz perder os valores referenciais da justiça e do verdadeiro exercício do poder, colocando em xeque a camada mais vulnerável da sociedade. Assim sendo, a corrupção institucionalizada é uma das piores formas de violência contra o ser humano em nosso país, infelizmente, presente em todos as esferas.

Jornalista, gestor do Polo Unilassale/Fapas, diretor administrativo da Rádio Vicente Pallotti e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida (PR)

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