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Gasolina vai ficar melhor e mais cara

Bernd Schray por Pixabay
Por Hairton Ponciano

São Paulo, 22 (AE) – No dia 3 de agosto, começam a valer as novas normas para a gasolina vendida no Brasil. A expectativa é que o combustível seja melhor que o atual, proporcionando aumento do rendimento dos motores e, com isso, redução do consumo. A má notícia é que o preço deverá subir.

A nova gasolina é resultado das normas estabelecidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na Resolução 807/2020. Em resumo, as novas especificações têm a finalidade de aprimorar a qualidade do combustível.

A resolução foi publicada em janeiro deste ano, e a entrada em vigor no início do mês que vem teve como finalidade permitir às refinarias uma adequação às regras. Ao menos no papel, o dia 2 de agosto é o prazo final para que possíveis estoques do combustível de especificação anterior sejam entregues aos postos Isso significa que o reflexo não será imediato no carro, já que ao menos durante alguns dias do mês que vem os tanques dos postos ainda terão combustível antigo.

Apesar do prazo legal, porém, a ANP informa que a maior parte da gasolina comercializada atualmente já está com as novas especificações.

A nova especificação da gasolina passa a estabelecer valor mínimo de massa específica (ME) de 715,0 kg/m³, o que significa mais energia e menos consumo. De acordo com o diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Rogério Gonçalves, esse valor representa a densidade da gasolina.

Gonçalves diz que não havia controle do governo sobre esse índice. Por isso, algumas distribuidoras importavam combustível “muito leve”, de densidade muito baixa. Com a adição obrigatória de etanol (atualmente em 27%), a gasolina brasileira se enquadrava na especificação vigente. Porém, o consumo do motor aumentava.

Mais grave do que isso era o fato de que gasolina de octanagem baixa chegava a quebrar o motor, Isso acabava acontecendo “mesmo em carros novos”, diz o engenheiro.

Outro ponto importante da resolução é que a partir de agora o governo passa a adotar também a medição da octanagem pelo método RON (Research Octane Number). Esse é o padrão utilizado em vários países.

Existem dois parâmetros de octanagem – MON (Motor Octane Number) e RON. No Brasil, só era especificada a octanagem MON (que indica um número mais alto) e o índice antidetonante (IAD), que é a média entre MON e RON.

O valor mínimo de octanagem RON, para a gasolina comum, será 92, a partir de 3 de agosto de 2020, e 93, a partir de 1º de janeiro de 2022. O engenheiro da AEA, porém, adianta que a Petrobrás irá adotar o padrão 93 já a partir do mês que vem. Já para a gasolina premium, será de 97, a partir do próximo dia 3 de agosto.

A ANP informa que as mudanças atenderão aos requisitos de consumo de combustível dos veículos e de leis cada vez mais rigorosas de emissões. E vão se adequar às regras de limites de emissões previstos nas próximas fases do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve), além do programa Rota 2030 do governo.

Além de estabelecer as novas especificações da gasolina, a Resolução ANP nº 807/2020 determina as obrigações quanto ao controle da qualidade.

A ANP informa que, como os preços dos combustíveis são liberados desde 2002, não regula nem faz projeções sobre possíveis impactos nos preços dos combustíveis após a entrada em vitor das novas regrss. Na semana passada, a Petrobrás elevou o preço da gasolina na refinaria em 4%. Nas bombas, o combustível custa R$ 4,097, na média nacional.

PREÇO VARIÁVEL

Podium, comum, V-Power, aditivada, Octapro… Os postos de serviços oferecem gasolina com diversos nomes comerciais, que procuram transmitir a sensação de que, após o abastecimento com uma delas, seu carro vai sair dali fritando pneus e batendo recordes de desempenho e economia.

Mas, na verdade, nem sempre – ou melhor, quase nunca – é assim. Atualmente, a gasolina recebe nomes genéricos, caso da gasolina comum, e também denominações específicas, dadas por cada “bandeira”.

A gasolina mais comum é exatamente a chamada de… comum. Ela é a gasolina tecnicamente identificada como “tipo C”, vendida em todos os postos. Trata-se da gasolina comercial, que leva adição de 27% de etanol anidro (sem água).

Essa gasolina é obtida a partir do combustível do “tipo A”, que não tem nenhuma adição de etanol, e não é vendida em postos.

A gasolina comum, do tipo C, não recebe nenhum aditivo além do etanol, e por isso tem coloração amarelada. Tanto que, antigamente, era conhecida como “gasolina amarela”. Isso nos anos 70 e 80, quando a gasolina mais nobre (e mais cara) tinha coloração azulada.

A gasolina comum tem hoje octanagem mínima de 87 IAD (índice antidetonante). Esse número determina a resistência do combustível à detonação antes da centelha.

DETERGENTE

Acima da gasolina comum aparecem os combustíveis aditivados. Além da adição de etanol, que é obrigatória, essa gasolina recebe também detergentes e dispersantes em sua composição. Teoricamente, esses componentes têm a função de limpar o interior do motor, como formações de carvão em válvulas e câmaras de combustão, por exemplo.

Esse tipo de combustível tem também algum corante, para diferenciá-lo da gasolina comum. Geralmente, ela tem a mesma octanagem da comum, mas pode haver alguma diferença, dependendo da distribuidora.

Acima das gasolinas aditivadas estão os combustíveis conhecidos genericamente como “premium”. Sua principal característica é a maior octanagem. Ela é indicada para motores mais avançados tecnicamente. Ao contrário do que algumas propagandas procuram insinuar, as gasolinas “premium” não aumentam a potência do motor nem melhoram o desempenho do automóvel. Mas extraem o melhor do propulsor.

A gasolina do tipo premium deve ser utilizada em automóveis que foram desenvolvidos para funcionar com ela, especialmente os esportivos importados. Essa orientação costuma estar no manual do veículo e na tampa do reservatório.

Utilizar combustível comum ou aditivado em automóvel feito para trabalhar com gasolina de maior octanagem pode resultar em piora de desempenho. Mas o inverso não ocorre. Carro desenvolvido para funcionar com gasolina comum não vai andar mais com a premium. Ela custa mais e não trará benefícios para o motor.

Cada distribuidora tem um nome próprio para a gasolina especial. Na rede BR, por exemplo, ela é chamada de Podium, e tem 97 IAD. Na rede Ipiranga, ela é batizada de Octapro, numa alusão à maior octanagem (96 IAD). A Shell batiza a sua gasolina premium de V-Power Racing, e informa que ela tem 91 IAD.

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