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Com aumento de mortes por covid, Prefeitura de SP começa abrir 600 valas por dia

Com o sistema funerário pressionado pelo agravamento da pandemia do novo coronavírus, a gestão Bruno Covas (PSDB) começa nesta quarta-feira, 7, uma operação para abrir 600 valas por dia na capital paulista. A Prefeitura também estuda a construção de um cemitério vertical e planeja fazer convênios com crematórios de municípios da Grande São Paulo.

Historicamente, a cidade realiza entre 240 sepultamentos (primavera e verão) e 300 (outono e inverno) por dia. Já os dados mais recentes do boletim da Prefeitura apontam que, desde março, a média subiu para mais de 315 casos, com recorde de sepultamentos registrado no período. E cientistas alertam que há tendência de alta para mortes por covid nas próximas semanas, o que impacta de forma direta na demanda do serviço funerário.

“Todos os estudos apontam para uma maior demanda de sepultamentos no País nos meses de abril e maio”, afirmou o secretário de Subprefeituras, Alexandre Modonezi, ao Estadão. “Com base nisso, estamos ampliando a abertura de valas diárias para estarmos preparados, caso ocorra esse aumento.”

Mesmo com a recente escalada de óbitos por covid, nenhuma necrópole municipal estaria próxima do esgotamento e ainda haveria capacidade para outras ampliações, segundo a Prefeitura. A medida atual, no entanto, está prevista no Plano de Contingenciamento do Serviço Funerário, elaborado no ano passado, que antecipa cenários e prevê ações por etapas para evitar colapso no sistema.

A meta é evitar que São Paulo registre episódios como o de Manaus, onde corpos chegaram a ser enterrados em valas coletivas durante a pandemia. “Hoje, não corremos risco (de colapso)”, disse Modonezi. “O nosso principal objetivo é oferecer dignidade às pessoas, sempre com sepultamento individual.”

A operação empenhou dez retroescavadeiras e vai focar em quatro grandes cemitérios, onde a Prefeitura identificou maior margem de exumações, que ocorrem após dois (crianças) ou três anos (adultos), e, portanto, de novas vagas. São eles: Vila Formosa e Itaquera, na zona leste, além do São Luiz, na zona sul, e Dom Bosco, na zona oeste.

Em Itaquera, há plano para erguer um cemitério vertical em duas quadras do cemitério, área correspondente a 1,6 mil m², com sepulturas em alvenaria e de estilo gavetões. O projeto está em fase de estudo de engenharia. O tempo de implantação é estimado em 90 dias, após conclusão da análise, o que deve ocorrer na próxima semana.

Em paralelo, existe proposta de convênio com seis crematórios privados de cidades vizinhas, que ampliariam a capacidade do serviço de cerca de 50 para 100 cremações diárias. Se confirmada, a parceria vai manter os preços que constam da tabela do Serviço Funerário Municipal nesses outros lugares.

“É preciso reforçar todos os cuidados sanitários durante a pandemia, como o uso de máscaras e o distanciamento. O Serviço Funerário vive o reflexo direto da não tomada dessas medidas”, afirmou o secretário. “Além dos óbitos de covid, a cidade continua tendo os óbitos de outras causas: são cerca de 200 sepultamentos que normalmente já precisamos absorver.”

Atualmente, a cidade conta com 398 sepultadores atuando nos 22 cemitérios municipais. Em março, a Prefeitura começou a usar 50 vans particulares, contratadas para atuar no transporte funerário.

Também desde o mês passado, os cemitérios da Vila Formosa, São Luiz, Vila Nova Cachoeirinha e São Pedro têm realizado enterros em horário estendido, até as 22 horas. Nas demais, as cerimônias seguem de 7h às 18 horas.

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