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Em Santos, quiosques seguem restrições e enfrentam até resistência de clientes

O que era ruim ficou ainda pior para os quiosqueiros que atuam nas praias do litoral paulista após todo o Estado entrar na fase vermelha do Plano São Paulo neste final de semana. Neste domingo, 7, na praia do Embaré, em Santos, logo pela manhã os comerciantes lamentavam a falta de movimento.

“Já estava fraco devido às restrições e caiu ainda mais com a fase vermelha que começou ontem. Estamos trabalhando apenas com retirada e delivery, mas mesmo assim afetou muito. O guarda-sol ajuda a atrair mais turistas e a retirada deles prejudica ainda mais”, disse o quiosqueiro Fabrício Vitorino, 28 anos.

A fase vermelha do Plano São Paulo seguirá até o dia 19 de março e o acesso às praias só é permitido para a prática esportiva individual. A montagem de mesas, cadeiras, tendas e guarda-sóis não é permitida.

“Está bem difícil, muitos clientes não aceitam que a gente venda coco nas garrafinhas para levar para casa. As pessoas querem sentar, consumir aqui e falamos que não pode, mas mesmo assim eles insistem e até tiraram as fitas de proteção. Está bem complicada a nossa situação, até porque o coco é perecível e, se estraga, nós ficamos com o prejuízo”, disse a proprietária de um quiosque que vende coco em Santos, Pâmella Oliveira, 24 anos.

Sobre a permissão da prática esportiva individual, Pâmella criticou a decisão: “Está havendo aglomeração da mesma forma. Tem gente em grupo andando, muita gente que faz esporte há muitos anos em grupo e continua fazendo. As pessoas estão saindo de casa da mesma forma. O trabalhador não pode trabalhar, mas o esportista pode sair para correr”.

Fiscalização na areia

Neste sábado, 6, em Santos, a fiscalização da Guarda Civil Municipal (GCM) abordou três mulheres e uma criança que estavam sentadas sobre uma toalha de praia na areia, perto do canal 3. Depois de rápidos esclarecimentos, as banhistas se levantaram e passaram a caminhar. Perto desse grupo, um casal, com filho pequeno, também foi advertido por guardas municipais de que não poderia ficar sentado na areia.

No total, 70 pessoas foram orientadas pela Guarda Civil de Santos por não usarem máscara, além de 57 pessoas orientadas a se retirarem da faixa de areia por não estarem praticando atividade física individual.

Já neste domingo, 7, a reportagem do Estadão esteve na praia do Embaré e identificou um alto número de pessoas caminhando e correndo na faixa de areia, mas nem todas estavam sozinhas e algumas formaram grupos de três ou mais pessoas. Além disso, a reportagem identificou a atuação da Guarda Civil na orientação de uma família que estava sentada na areia da praia.

Praia em Santos

Praia em Santos durante a fase vermelha do Plano São Paulo Foto: Lucas Melo

“Vim para fazer uma caminhada, eu acho correto estarmos na fase vermelha porque o povo abusa muito. Moro aqui na frente e vejo o abuso, eles não usam máscara, principalmente os jovens. As pessoas não têm consciência. A maioria está respeitando (prática esportiva individual), apesar do movimento ser grande”, disse a aposentada Fátima Menezes, 65 anos.

Ainda em Santos, muitos esportistas aproveitaram a manhã de domingo para caminhar, correr ou andar de bicicleta na orla da praia e mesmo com o alto movimento não houve aglomeração de pessoas. Porém, nem todos fizeram o uso de máscara de proteção.

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