De volta pro nosso aconchego!

* Dirceu Antonio Ruaro

Amigos leitores, pais, professores e estudantes. Falei, na semana passada, nesse espaço, sobre a “o retorno à vida”. Citei as “falas” de pessoas com quais mantive contato sobre o retorno às aulas presenciais. Disse, da emoção de mães, ao deixarem seus filhos na escola.

Pois bem, esse retorno, para alguns estudantes já de duas semanas, para outros de uma e, para outros, de expectativa para a retomada, despertou em mim a lembrança de uma canção “clássica” de  José Domingos de Moraes  e Fernando Manoel Correia, interpretada por Elba Ramalho, cujo título é “ De volta pro meu aconchego”, e sinto que os versos “Estou de volta pro meu aconchego/ Trazendo na mala bastante saudade/ Querendo um sorriso sincero, um abraço/ Pra aliviar meu cansaço/ E toda essa minha vontade/ Que bom poder tá contigo de novo”,  traduzem muito especificamente esse sentimento de volta.

A saudade do olhar, do abraço, do carinho dos professores e colegas, certamente, ainda é, muito grande e precisa ser contido devido à segurança que se exige e ao distanciamento social que precisamos manter.

Porém, o fato de estar “junto de novo”, alivia o cansaço, a tristeza, o distanciamento. Alivia a ausência dos olhares, dos silêncios, das falas, das trocas humanas que só somos capazes de vivenciar, em plenitude, na presença dos outros.

“Que bom poder estar contigo de novo” diz o verso e, certamente, nossos professores e alunos, sentiram isso nessas semanas iniciais. Muitas coisas continuam acontecendo, a pandemia ainda não foi embora.

Corremos sérios riscos, ainda. A transmissão continua ascendente e tem alcançado, nos últimos dias, patamares superiores aos do ano passado.  Por isso, reforçamos a necessidade de agir com segurança, de cumprir os protocolos de saúde, de etiqueta social, de comportamento, tanto dos gestores, professores, funcionários, pais e alunos.

As autoridades sanitárias têm insistido com os cuidados necessários, com o cumprimento do distanciamento social, com o uso de máscaras, com a higiene pessoal, de materiais e objetos de uso pessoal, com o cuidado para não haver empréstimos e compartilhamentos de objetos escolares. Enfim, é necessário que todos, pais, alunos, professores, gestores e funcionários das escolas cumpram com os protocolos de segurança.

Além dessa questão física, prática de segurança, aos professores cabe, ainda, ficarem atentos aos comportamentos sociais, afetivos, emoções e pensamentos a respeito de tudo o que aconteceu e está, ainda, acontecendo.

O momento pede atenção redobrada, como disse, não apenas às questões práticas de higiene e distanciamento na escola, durante as atividades acadêmicas.

Diria, que, nesse momento, os professores continuam com o dever de “dar o exemplo”, no uso da máscara, nas atitudes com relação ao uso dela durante os períodos das aulas, de nunca abaixar a máscara para falar, de não tocar na sua superfície, de trocar de máscara no intervalo da aula.

Perdoem, professores, mas isso é fundamental. Se todos mantiverem o mesmo comportamento, os alunos seguirão as atitudes, muito mais do que as “falas” e recomendações.

Por isso, por mais que o desejo seja de “aconchego”, é o momento de aprender a sorrir com os olhos, a mostrar afeto pelos olhos, e manter o distanciamento indicado nos protocolos.

Por isso, preciso dizer: cuidem da prática do uso da máscara, do uso do álcool em gel, da higiene das mãos, do distanciamento das carteiras dos alunos e de não tocar nos materiais deles e não permitir as trocas, inclusive, de não permitir compartilhamento de alimentos.

Penso que, em casa, os pais precisam conversar com os filhos, desde os menores, sobre essas questões. Perguntar como está sendo o cumprimento das regras e normas estabelecidas pela escola, como está sendo o relacionamento na sala de aula, nos intervalos. Como está sendo o cuidado com a higiene dos ambientes, inclusive banheiros. Incentivar que levem seu próprio kit de máscaras, álcool em gel, lenço umedecido ou pacotinhos de lenço de uso pessoal.

Os professores, nesses dias de retorno, precisam estar atentos aos desafios emocionais apresentados pelas crianças e adolescentes. As reações são as mais diversas. Por isso, é importante promover o acolhimento, a empatia, a solidariedade.

Nesse momento, o exercício da empatia, estabelecendo uma conexão com os alunos que estão presencialmente na escola e os que estão no modo remoto, é fundamental para que haja uma boa relação interpessoal entre todos.

É fundamental compreender e fazer os alunos compreenderem que, a PANDEMIA NÃO ACABOU, que a vacina  está ainda engatinhando, que não estamos imunes, que ninguém, absolutamente ninguém,  está a salvo, que a doença não escolhe status social, ou qualquer outro tipo de característica, que estamos num  momento em que podemos “retornar” ao isolamento e, como consequência, fechar novamente as escolas, pense nisso, enquanto lhe desejo boa semana.

Doutor em Educação pela UNICAMP, psicopedagogo Clínico-Institucional e assessor pedagógico da Faculdade Mater Dei