É inevitável modificar a forma de ensinar e aprender

* Dirceu Antonio Ruaro

Prezados leitores, pais, professores, gestores da educação pública e privada, na semana passada, em meu texto, considerei que as metodologias ativas de aprendizagem deixam de ser “modismo” ou “diferencial” nas unidades de ensino de todo o pais, para se tornarem uma necessidade.

A educação mundial passou por um período de grande turbulência. Fica, no meu entendimento grandes legados, o primeiro pode ser “a compreensão que é inevitável modificar a forma de ensinar e aprender”.  É preciso que as instituições de ensino, sejam públicas ou privadas entendam que não é mais possível “existir” como “escola” da forma tradicional como a conhecemos.

A adoção de modelos híbridos de ensino, permeado pelas metodologias ativas de aprendizagem é um cenário pedagógico que “veio para ficar”.

Como dissemos na semana passada, as escolas, pais e professores, foram “obrigados” de uma hora para outra a se transformar, a descobrir novas formas de agir pedagogicamente.

É interessante observar que, na verdade, as metodologias ativas de aprendizagem não são fermentas novas. O que ocorreu foi que o contexto obrigou as escolas e os professores a pensarem e agirem de forma interativa por meio das tecnologias de informação e comunicação, como nunca se havia feito, especialmente na educação básica.

Outro legado que me parece muito forte é de que “ mesmo com a distância física, a escola e a família conseguiram se aproximar muito”. A forma de comunicação foi alterada, e nessa alteração, a compreensão de que é possível participar da escola e da aprendizagem de seus filhos, mesmo a distância, por meio de reuniões virtuais e ter, mesmo assim, sua voz ouvida e atendida, deixando claro que, nesse contexto, a distância física não é empecilho para a comunicação dos pais com as escolas.

Um legado, que também se apresenta de forma contundente é a “compreensão de que os alunos podem aprender de forma ativa, simplificada e profunda” mesmo sem a presencialidade física do professor.

Porém, é preciso chamar a atenção dos gestores, pedagogos, professores e pais sobre a possibilidade de as metodologias ativas transformarem a forma de ensinar e aprender na escola, mas, isso não pode ser feito de forma isolada.

A adoção de metodologias ativas só fará sentido no contexto de mudança estruturada e sistêmica. Ou seja, a escola toda, deverá redesenhar sua forma de ensinar e aprender, a própria organização do processo pedagógico, dos espaços pedagógicos de aprendizagem e de ensino, da avaliação e da atualização e contextualização do próprio currículo escolar.

Assim, o processo pedagógico precisa ser gerenciado de forma criativa, autônoma e colaborativa.

É o momento de as unidades de ensino, sejam quais forem, se replanejar, se reinventar para enfrentar o ano letivo de 2021, que, pelo que se apresenta no contexto atual, não voltará a ter aulas presenciais da forma tradicional como estamos rotineiramente acostumados.

Por isso, o planejamento pedagógico precisa ser institucional, ou seja, da unidade de ensino com um todo, não apenas de um professor ou de uma turma.

Isso é importante para entender que tipos de ferramentas e estratégias precisam ser utilizadas para que todos os alunos aprendam de forma significativa.

Na semana passada, apresentei uma pequena reflexão sobre o “ensino híbrido” como ferramenta pedagógica e alternativa para a construção pedagógica da aprendizagem e do ensino, no contexto do distanciamento social.

Um dos processos interessantes do ensino por meio das metodologias ativas de aprendizagem é a personalização.

O que é a personalização?

Do ponto de vista do aluno, é o movimento de construção de trilhas de aprendizagem  “que façam sentido para cada um dos alunos,  que os motivem para aprender; que ampliem seus horizontes e os levem a processos de ser mais livres e autônomos”.

Nas “trilhas de aprendizagem”, cada aluno, de forma direta ou indireta procura respostas para suas inquietações podendo relacioná-las ao seu “projeto de vida” e a sua visão de futuro. Esse tipo de estratégia precisa contar com mentores competentes e confiáveis (docentes).

Já do ponto de vista da escola e do docente, a “aprendizagem personalizada” é “o momento de ir ao encontro das necessidades e interesses dos estudantes”  e ajudá-los a desenvolver todo o seu potencial, a motivá-los, a engajá-los em projetos significativos, em construção de conhecimentos mais profundos e no desenvolvimento de competências mais amplas.

É evidente que essa metodologia exige do professor, dos pedagogos, do estudante e da família, uma coparticipação, um “agir” juntos, para que os estudantes possam aprender de várias formas, tendo o professor como referência na construção do fio condutor da aprendizagem, porem, tendo autonomia e criatividade para buscar respostas às questões que lhes são apresentadas.

Como lhes disse na semana passada, aos poucos vou trazendo algumas questões e estratégias das metodologias ativas para desafiar nossos leitores a investigar e procurar entender o que vem pela frente no ensino brasileiro, como possíveis respostas ao contexto trazido pela pandemia da Covid-19 para o ensino, pensem nisso, enquanto lhes desejo boa semana.

* Dirceu Antonio Ruaro é doutor em Educação pela UNICAMP, psicopedagogo clínico-institucional e assessor pedagógico da Faculdade Mater Dei

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima