Educação: Esperança e Resiliência!

Dirceu Ruaro

Amigos leitores, na semana passada, trouxe para nossa reflexão o fato de as crianças e jovens estarem em casa por mais tempo devido à pandemia e a as aulas estarem na forma híbrida, ou mesmo remotas.

Pois bem, as crianças pequenas sentem, muito mais do que outras, a falta dos colegas, as brincadeiras, as relações interpessoais, as trocas que as aulas presenciais oferecem.

É verdade que os adolescentes também estão no seu limite. Muitos se manifestam dizendo que já está complicado demais “suportar” as aulas remotas. Penso que, não é só as aulas remotas. É a ausência dos amigos, das relações, da vida escolar.

É lógico que também os alunos dos cursos superiores sentem a falta da aula presencial, da troca com os colegas e professores.

Enfim, a verdade é que em termos de educação, há perdas que levaremos muito tempo para minimizar, e algumas nunca mais.

E é nesse campo minado da pandemia, que abre escola, fecha escola, chama professor, manda professor trabalhar de casa, manda aluno vir pra aula, manda aluno assistir aula em casa, que a educação precisa sobreviver.

Nesse contexto, temos encontrado manifestações das mais diversas, sejam de cunho político, religioso, humanitário, pedagógico e pessoal. Manifestações que nos levam à diversas reflexões sobre o ser humano e a humanidade (deveria dizer, em muitos casos, dos seres desumanos e da desumanidade) nas não quero fazer julgamentos precipitados.

Há correntes de todas as espécies e, é nosso dever ser benevolentes e compreensivos, pois muitos podem estar sob um estresse muito grande e podem, eventualmente, manifestar aquilo que, na verdade não pensam.

Há correntes, também, que pedem que tenhamos resiliência e esperança.

Creio que, na educação, há muito essa ideia, e se o comércio, a indústria, os eventos foram prejudicados pela pandemia, imaginem o que acontece com o desenvolvimento cognitivo das crianças. Deixa dizer de outra forma: imaginem o prejuízo que a sociedade brasileira teve em termos de escolares. Ah, antes que me entendam mal, não estou falando de prejuízo econômico. Houve, também. Mas, o maior prejuízo foi e, está sendo, no desenvolvimento do conhecimento das nossas crianças, jovens e adultos que, afastados dos bancos escolares, tentam remar de alguma forma e aprender alguma coisa.

Sabemos que a pandemia nos colocou diante de situações adversas e inesperadas, entre elas a paralisação de aulas. E, como dissemos, essa situação vem acompanhada de muita ansiedade, dúvidas, estresse e angústia, contribuindo para nosso sentimento de impotência diante da crise que nos assola.

Por isso, nesse momento, mais do que nunca, é necessário ter resiliência e esperança. Certo. Fala-se muito em resiliência, e as pessoas até repetem que devem tê-la, sem, às vezes, compreenderem o sentido pleno da palavra.

Originalmente, a resiliência é uma propriedade da matéria física, na qual alguns corpos apresentam a habilidade de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica.

Já no sentido figurado, de acordo com alguns dicionários, a resiliência refere-se à capacidade de se recompor ou de se adaptar frente a situações diversas.

Nesse sentido, uma pessoa resiliente é aquela que apresenta otimismo quando enfrenta problemas pessoais ou profissionais. São pessoas que não se deixam abater facilmente e buscam soluções criativas para “dar a volta por cima” e contornar os obstáculos.

Essa é a ideia que se busca despertar na sociedade, especialmente na escola, nesse momento de crise pela qual passamos.

É fundamental ter a perspectiva de resistência, de criatividade, de esperança para que possamos suportar e suplantar as feridas causadas pela pandemia.

Mesmo com toda a negatividade que combate a esperança e a resiliência, por meio de informações de uma hecatombe que se abate sobre nós, é preciso existir em cada um, um sentimento de otimismo e de inteligência emocional, capaz de driblar os sentimentos de pessimismo a que as notícias nos submetem.

Por isso, é importante que a educação mantenha uma rotina de ensino e aprendizagem, mesmo que de maneira remota, híbrida, com grupos alternados ou mesmo com exercícios dirigidos.

É fundamental que os estudantes, sejam do nível que forem, da idade que forem, mantenham uma rotina de estudos, com horários e locais determinados, a fim de “emprestar” algum tipo de “normalidade” às ações que precisam ser desenvolvidas.

Para os estudantes, portanto, é de fundamental importância desenvolver a resiliência como a capacidade de superar problemas e adversidades pela falta de aula presencial, reduzindo ao mínimo possível as perdas e mesmo o sofrimento emocional causado pela ausência na escola.

Ter esperança de que logo estaremos juntos novamente, com os cuidados necessários, mantendo a vigilância da saúde e do comportamento social, usando de bom senso e equilíbrio para fortalecer o espírito e ter certeza de que os obstáculos precisam ser vencidos para que possamos, novamente, ter nossa rotina “de alguma forma devolvida ou reestabelecida”, pense nisso, enquanto lhe desejo boa semana.

Doutor em Educação pela UNICAMP, psicopedagogo clínico-institucional e assessor pedagógico da Faculdade Mater Dei