Ensino Fundamental e Médio: como será o amanhã?

* Por Dirceu Antonio Ruaro

Prezados amigos,  no texto da semana passada, tratamos sobre  a educação infantil e o contexto atual da pandemia, considerando as incertezas, angústias e esperanças.

Hoje, por uma questão de dever, preciso considerar o ensino fundamental e médio. A educação infantil, o ensino fundamental e  ensino médio, constituem a educação básica brasileira.

Por si só, essa constituição é extremamente importante porque trata, exatamente, das bases da educação do cidadão brasileiro.

Infelizmente, se a educação e a saúde não fossem apenas “retórica de palanque político”, a educação brasileira, em todos os níveis estaria muito melhor estruturada e, quem sabe, até poderia ter enfrentado a pandemia com muito mais segurança e qualidade dos serviços educacionais.

Nesse momento, o contexto da pandemia não nos permite avanços na direção das aulas presenciais com a devida segurança e certeza de não contaminação e contágio. Essa incerteza tem gerado inúmeros desafios.

Certamente o ano de 2020 ficará marcado na memória de nossos alunos como o ano do grande desafio no qual “manter a vida” foi a prioridade. A perda de referências cotidianas escolares, a interação interpessoal, tão cara ao processo de aprender e ensinar, foi alterada abruptamente obrigando as escolas e os alunos aprenderem a lidar com novas formas de ação escolar e novas experiências cotidianas.

Penso que seria ingênuo e creio mesmo “crime de lesa pátria” dizer que não houve e não haverá perdas de aprendizagem. É evidente que a grande maioria de nossos professores, estão tentando, de alguma forma dar conta do recado de ensinar, mesmo que nunca tenham sido capacitados para usar a tecnologia como ferramenta de ensino.

Não sem tem, ainda,  certeza de quando todas as escolas brasileiras da educação básica poderão retornar às aulas presenciais. Porém, sabe-se que, quando essa volta acontecer, haverá a exigência de mudanças estruturais das escolas e dos recursos humanos.

Os protocolos sanitários ou de biossegurança determinarão as ações que deverão ser feitas para garantir a segurança e o não contágio da comunidade escolar.

A escola de educação básica, urgentemente, precisa repensar seus espaços e suas formas de ação. “Reinvenção” é o termo que mais se usa. Então, se é assim, momento é de propor, de reinventar, repensar, ressignificar, reconstruir e remodelar o processo de ensinar e aprender.

Tanto os professores quanto os alunos do ensino básico sentirão uma verdade que, muitas vezes, estava adormecida: a valorização da interação, do relacionamento interpessoal, diria mesmo, da necessidade uns dos outros. No meu ponto de vista, esse foi um ganho (se é que houve ganhos) da pandemia no processo escolar.

Outra questão que ganhou centralidade nesse período e, no contexto geral da pandemia, não só nas escolas, foi a questão tecnológica. As formas de comunicação e interação por meio de ferramentas tecnológicas vieram para ficar. Se em algumas escolas isso era “um plus” oferecido, agora é a centralidade do processo interativo educacional.

Tanto o ensino fundamental como o ensino médio têm pela frente três grandes desafios: a infraestrutura tecnológica, a formação dos professores, e a reorganização das metodologias de ensino.

A educação fundamental, mesmo com a Base Nacional Comum Curricular em implantação, não fez uma das tarefas fundamentais que é a formação adequada dos professores para o processo de ensino (metodologias atuais, entre elas, a questão tecnológica).

O ensino médio ainda discute a Base Nacional Comum para essa etapa da educação básica. É verdade que essa discussão foi atropelada pela pandemia.

Diante desse panorama, é preciso que o Ministério da Educação, órgão maior da educação, coordene ações de aprimoramento da infraestrutura tecnológica em todas as escolas de educação básica; coordene, também, um processo eficiente e eficaz de formação de professores e, nesse processo, seja capaz de preparar o professor  para o uso de metodologias ativas de aprendizagem.

Nesse sentido a formação continuada deveria levar o professor a entender que ele é parte do processo e de que da maneira que os alunos precisam aprender, ele, professor, precisa continuar aprendendo para poder oferecer um ensino de qualidade.

É possível que tenhamos uma das respostas para o amanhã da educação básica: a educação básica brasileira não será mais a mesma pós-pandemia, pois o cenário angustiante de isolamento e distanciamento social trouxeram  a necessidade de reinventar possibilidades e solidificar a tecnologia aliada a criatividade, como uma propulsora para que a educação chegasse aos estudantes, o que talvez nos leve, nesse momento a considerar o “ensino híbrido” como alternativa para o ano letivo de 2021, tema que vou abordar na próxima semana, pensem nisso, enquanto lhes desejo boa semana.

* Dirceu Antonio Ruaro é doutor em Educação pela Unicamp, psicopedagogo clínico-institucional e assessor pedagógico da Faculdade Mater Dei, de Pato Branco (PR)

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima