Metodologias ativas de aprendizagem: do modismo à necessidade

* Dirceu Antonio Ruaro

Prezados leitores, nos dois textos anteriores ao do Dia do Professor, apresentei reflexões sobre a questão ensino híbrido. Alertei para a necessidade de um conceito consistente e, uma compreensão profunda, do que seja essa “metodologia” de ensino e de aprendizagem.

Disse, também, que ao que parece e, diante das circunstâncias da pandemia da COvid-19 o ensino híbrido vem para a centralidade da discussão. Considerei também, que não só os professores e gestores educacionais, como os pais precisam ter uma noção clara de que, não se trata, apenas, de uma mudança de forma de ensinar.

Evidentemente que precisamos concordar que é necessário se pensar, planejar e adotar uma atitude pedagógica diferente para o retorno das aulas presenciais, no momento em que forem autorizadas.

É possível retornar com todas as turmas e todos os cursos e modalidades da educação básica, antes do final deste ano letivo, no Paraná?

Por ora, não se pode responder a essa questão nem afirmativa e nem negativamente. Há uma série de circunstâncias que as autoridades devem levar em consideração, até porque essas autoridades têm dito que o mais importante é preservar a vida.

Não quero levantar polêmicas e discussões que não nos levariam a nada, nesse momento, mas, se a afirmação acima fosse verdadeira, outras medidas teriam sido adotadas. Porém, como disse, não é o momento para isso.

Voltando ao tema de nossa reflexão, é claro que há muito tempo, se vem discutindo, nos meios educacionais, a necessidade de se repensar o processo de ensinar e aprender, diante dos novos contextos e da própria evolução da pedagogia e da sociedade de forma em geral. É consenso que a escola precisa se “modernizar” e deixar de ser apenas “transmissora” de conteúdos.

E, um dos discursos que tem sido adotado é de que as escolas precisam modificar suas técnicas de ensinar.

Na minha concepção, concordo que há necessidade premente de mudar o discurso pedagógico expositivo, tão tradicional e tão caro a “certas filosofias” e linhas pedagógicas.

A necessidade de mudar não é apenas da forma de ensinar, como também da forma de aprender. Isso faz com que entendamos que o processo é de ensino e aprendizagem. Não só de ensino e nem só de aprendizagem.

Considero que a pandemia, apesar de todos os inconvenientes e transtornos que causou, demonstrou que a grande maioria das escolas e,  dos docentes, não estavam, ainda, preparados e decididos por mudanças pedagógicas na direção de adotar ferramentas e técnicas de ensino e de aprendizagem,  mais adequadas ao contexto de desenvolvimento em que nos encontramos.

Sei que para muito além de resolver questões de técnicas de ensino, há muito mais que fazer, como por exemplo, a questão do analfabetismo, da permanência na escola com sucesso e a questão do abandono escolar.

Temas que, nesse momento, são caros à retórica dos palanques eleitorais nos mais diversos municípios brasileiros e, que, logo depois da eleição, serão letra morta, como tem ocorrido na tradição pedagógica dos municípios e estados brasileiros.

Mas, de uma coisa precisamos entender rapidamente. Não é mais possível continuar o processo pedagógico com as ferramentas e técnicas tradicionais, apenas.

A pedagogia, assim como outras ciências e artes, apresentam a cada espaço de tempo, “modismos” para, de alguma forma, passar um verniz na velha casca. A educação sabe muito bem disso. Os educadores entendem muito bem disso. E, ao que parece nesse momento de complexidade, as metodologias ativas de aprendizagem passaram a ser “abola da vez”.

Dizendo isso não estou condenando nada, muito menos criticando. Estou alertando para que os gestores tomem as devidas providências no sentido de preparar melhor o corpo docente de suas unidades escolares para o retorno de atividades pedagógicas presenciais.

Por isso, é fundamental entender que “metodologias ativas de aprendizagem são técnicas que colocam o estudante como o grande responsável pela obtenção de conhecimento para si”.

Evidentemente, entendendo o papel a ser exercido pelo professor e pelo aluno não como um papel ativo do professor e passivo do aluno. Nas metodologias ativas de aprendizagem, ocorre a coparticipação, a interação entre alunos e professores, no sentido de buscar respostas para os problemas que são apresentados e se constituem nos conteúdos curriculares.

As metodologias ativas de aprendizagem proporcionam aos docentes e alunos uma gama de técnicas ou estratégias que, no contexto atual, podem auxiliar de maneira muito eficaz o processo pedagógico.

Não há, é claro, uma única estratégia ou técnica pedagógica nas metodologias ativas, que merecem ser bem estudadas para que possam ser compreendidas e adotadas.

É importante que os pais entendam a função das estratégias e técnicas para que possam auxiliar seus filhos na construção dos conhecimentos, especialmente nesse tempo de excepcionalidade que vivemos.

É interessante que os docentes, de todos os níveis e modalidades, possam aprofundar seus conhecimentos e planejar a melhor forma de agir pedagogicamente falando. Por isso, nos próximos textos, devo trazer, mesmo que rapidamente, algumas das estratégias da metodologia ativa de aprendizagem.

No momento atual, é imprescindível a troca de conhecimentos, de informações, e muito estudo para que a escola possa dar as respostas adequadas aos anseios da sociedade, pensem nisso, enquanto lhes desejo boa semana.

* Dirceu Antonio Ruaro é doutor em Educação pela UNICAMP, psicopedagogo clínico-institucional e assessor pedagógico da Faculdade Mater Dei

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