Nem herói, nem bandido: simplesmente pai!

Prezados amigos leitores, peço licença para hoje sair dos nossos temas habituais relacionados à educação. De certa maneira continuamos ligados ao tema, mas hoje, quero manifestar eu pensamento a respeito dessa figura ímpar na vida de todos nós.

Somos muito acostumados a pensar que devemos nossa existência aquela pessoa que nos carregou no ventre por nove meses e teve seu corpo todo modificado, seu humor alterado, sua vida toda reprogramada.

Certamente não existe coisa mais sublime do que ser mãe. Certamente. Há diferenças imensas, tanto físicas quanto emocionais e sentimentais nos papeis desempenhados pelo pai e pela mãe. Sem competição alguma, sem valorização ou desvalorização do papel de nenhum, quero apenas, nesse texto manifestar minhas impressões, talvez alegrias e tristezas por ter tido pai e por ter sido pai.

Ouvi de muitos pais dizerem que o dia em que seus filhos nasceram (muitos não dizem, apenas ficam com o nó na garganta) foi o dia mais especial de suas vidas.

Muitos de nós até pensamos que eles dizem isso para nos agradar, mas como pai que sou, garanto que não existe momento mais mágico do que cruzar o olhar pela vez com o filho.

Em relação a nossa mãe, sempre sentiremos a necessidade do colo, ou se quiserem, sempre teremos um sentimento de dependência. Mas, com relação ao pai, as coisas são um pouco diferentes. Ainda mais, na cultura dominadora e absolutista da qual muitos de nós, do sul do país, pertencemos.

Para além de nossas opiniões, no caso do pai especificamente, há estudos mostrando que sua presença ativa e amorosa traz conforto e nos faz criar um sentido de independência (uma vez que a nossa atenção não fica completamente voltada à nossa mãe), coragem e diversidade.

O pai é quem nos apresenta um mundo vasto e cheio de descobertas fantásticas. Por isso, essa relação começa depois que somos apresentados ao mundo, permeia praticamente todos os nossos relacionamentos. Criamos, com nosso pai uma ligação emocional profunda e única. Por isso, o chamamos de herói. Os meninos querem ser iguais a seus pais, até certa idade.

Queria muito poder voltar ao tempo, mas como não é possível, hoje, quero dizer ao meu pai: Pai, não sei se aí de cima consegue me ouvir. Mas continuo pedindo o seu auxílio nesta longa jornada. Ensina-me a te sentir e entender que está por perto. Se infelizmente nesta data não posso lhe dar um grande abraço, só quero que saiba que você é e sempre será o maior e melhor pai.

Lembro que quando eu ouvia a música Meu Velho, de Altemar Dutra, achava piegas, mas hoje, bem, hoje ela faz todo o sentido.  Gostaria de homenageá-lo seu “Leão”, dizendo com Altemar Dutra: É um bom tipo, meu velho/ Que anda só e carregando/ Sua tristeza infinita/ De tanto seguir andando/ Eu o estudo desde longe/ Porque somos diferentes/ Ele cresceu com os tempos/ Do respeito e dos mais crentes/ Velho meu querido velho/ Agora caminha lento/ Como perdoando o vento/ Eu sou teu sangue meu velho/ Teu silêncio e o teu tempo/ Seus olhos são tão serenos/ Sua figura é cansada/ Pela idade foi vencido/ Mas caminha sua estrada/ Eu vivo os dias de hoje/ Em ti o passado lembra / Só a dor e o sofrimento/ Tem sua história sem tempo…

Velho, meu querido velho, obrigado por ter-me dado o privilégio de viver. Tomo emprestado de Wison Paim: “Te confesso, a saudade é grande/ Mas por mais que eu ande/ Vou juntar-me a ti/ E num abraço forte acabarão tristezas/ E terei certeza que não te perdi.”

Gostaria também, e muito de agradecer a Deus pelo privilégio da vida, da vida dos filhos dos meus filhos. Quando eu era mais moço e ouvia Fábio Júnior cantando “Pai Herói”, meus  filhos eram pequenos e eu imagina que eles, um dia, diriam a mesma coisa pra mim e eu cantarolava, talvez com a ingenuidade de pai: Pai pode ser que daqui algum tempo/Haja tempo pra gente ser mais/ Muito mais que dois grandes amigos/ Pai e filho talvez/ Pai, pode ser que daí você sinta Qualquer coisa entre esses vinte ou trinta/ Longos anos em busca de paz/ Pai, pode crer eu ‘tô bem, eu vou indo/ ‘Tô tentando vivendo e pedindo; Com loucura pra você renascer/ Pai, eu não faço questão de ser tudo/ Eu só não quero e não vou ficar mudo/ Pra falar de amor pra você/ Pai, senta aqui que o jantar ‘tá mesa/ Fala um pouco tua voz ‘tá tão presa/ Nos ensina esse jogo da vida/ Onde vida só paga pra ver/ Pai, me perdoa essa insegurança/ É que eu não sou mais aquela criança/ Que um dia morrendo de medo / Nos teus braços/ você fez segredo/ Nos teus passos você foi mais eu/ Pai, eu cresci…

Enfim, nesse domingo, dia 9 de agosto, eu só quero dizer aos meus filhos, aos meus amigos e leitores: neste dia tão especial, eu quero apenas parabenizar a cada um de vocês.

Vocês que são amigos, protetores, conselheiros, cozinheiros, amorosos, gentis, cuidadosos, brincalhões, amigos de seus filhos, e dizer que não precisa ser nem herói, nem bandido, basta ser simplesmente PAI !!!!

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