Nova rotina familiar e a busca por novas aprendizagens!

* Por Dirceu Antonio Ruaro

Prezados amigos, pais e educadores, no texto da semana passada, levantei questões relacionadas à aprendizagens que podem ocorrer em meio à pandemia.

Uma delas, e quiçá das mais importantes, é a dos relacionamentos interpessoais. Usar das oportunidades para aprender a conviver consigo mesmo e com os outros, pode ser um ganho pessoal muito importante nesse tempo de distanciamento social.

Não há necessidade de reafirmar o contexto de caos e incertezas pelos quais estamos passando. Também não é necessário comentar do desafio que a pandemia de COVID-19 trouxe para os pais, crianças e jovens com as escolas fechadas.

Preocupações com a saúde de cada um e de todos os familiares é a pauta das conversas na família e com amigos, mesmo na forma virtual.

Por isso, além das aprendizagens ricas de relacionamentos interpessoais, há muitas outras que merecem nossa atenção. É lógico que lidar com as crianças nesse período de quarentena não tem sido fácil para as famílias.

A mídia toda fala que é preciso “reinventar-se” e reinventar os relacionamentos familiares, proporcionando novas experiências às crianças e adolescentes na falta da escola presencial.

Uma das aprendizagens que considero importante que aconteça nesse tempo, é a do exercício da autonomia para estudar e aprender. As aulas virtuais, ou remotas, possibilitam esse exercício desde que os pais saibam ensinar aos filhos como se organizar, como cumprir suas obrigações e levar as aulas a sério.

Nessas últimas duas semanas, tenho observado que para muitos adolescentes (basta sair às ruas, ir ao centro da cidade, creio que em quase todas as cidades), a pandemia já passou. Muitos andam de bicicleta, skate, fazem rodas de conversa sem se preocupar com os cuidados do distanciamento social, do uso de máscaras.

Penso que os pais precisam reaprender a retomar a rédea do funcionamento da casa em suas mãos.  Não está liberada a falta de cuidados, de prevenção, de higiene, de distanciamento. É preciso insistir sobre a lavagem das mãos, a etiqueta adequada para espirrar ou tossir, a forma adequada de cumprimentos ao encontrar com um amigo.

Sei que há uma imensa dificuldade para preencher as horas dentro de casa. Além de orientar a criança/jovem a se organizar para ocupar o  tempo que se passava na escola presencialmente, assumindo e fazendo suas tarefas on line ou remotas, é importante que, para essa população em franco desenvolvimento e crescimento, os pais auxiliem a organizar o tempo para brincadeiras, é importante exercitar a criatividade com jogos, confecção de algum trabalho manual.

Muitas crianças e jovens precisam exercitar a imaginação. É desaconselhável passar horas a fio diante da TV ou do celular vendo filmes. Uma possibilidade é ajuda-los a criar histórias, personagens e exercitar a escrita. As crianças e jovens podem se desafiar nos grupos de WhatsApp, postar suas escritas, comentar, enriquecer personagens e as histórias uns dos outros.

Evidentemente que é preciso de um pouco de acompanhamento dos pais.  Ler, orientar, opinar sobre a história criada é muito interessante até para estabelecer um relacionamento interpessoal com os pais, por meio do diálogo que a história pode proporcionar.

Infelizmente, caros amigos, é preciso sim reinventar uma rotina familiar. Não sabemos quando poderemos ter a “vida normal” do antes da pandemia. Os pais e/ou responsáveis estão, na sua maioria, nesse momento, tendo de criar uma nova rotina para suas atividades. Pois bem, é preciso estabelecer também uma rotina para as crianças e jovens.

E isso envolve um relacionamento saudável de confiança entre pais e filhos. Criar uma rotina por escrito, deixar visível em algum lugar. Estabelecer horários para os estudos, para as brincadeiras, para as conversas por meio de redes sociais ou mídias entre as crianças e jovens é importante para a “reinvenção” que tanto se prega.

Além disso, a casa continua funcionando. Mesmo que se tenha que depois rearrumar a cama, é salutar que as crianças aprendam a estender a roupa de cama, levar suas roupas sujas no local onde a família deposita para depois lavar. Tirar a mesa, arrumar a mesa. Lavar pequenas louças, tudo isso faz parte de uma rotina que, para muitos, não existia.

Os filhos precisam apender a ajudar em casa. E isso não é torná-los seus escravos. Ah, mas eu disse “ajudar” não tomar conta da casa. Crianças continuam sendo crianças e fazer certas coisas como cozinhar é extremamente perigoso e, não deve ser incentivado sem a presença do adulto, para supervisionar.

Enfim, caros pais, façam seus filhos entenderem que não estão de férias, que a quarentena não terminou e é algo grave sim. Que eles precisam se organizar para muito além de falar que vão fazer alguma coisa. Que precisam criar uma rotina e seguir os horários estabelecidos, pense nisso, enquanto lhes desejo boa semana.

* Dirceu Antonio Ruaro é doutor em Educação pela Unicamp, psicopedagogo clínico-institucional e assessor pedagógico da Faculdade Mater Dei, de Pato Branco (PR)

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