O desafio é vencer e viver!

* Dirceu Antonio Ruaro

No texto da semana passada, amigos leitores, falei de possíveis lições que podemos aprender com a pandemia.

Na verdade, apontei duas delas. As duas, reconheço negativas. E foi, sem dúvida, intencional.

Primeiro, porque é necessário que despertemos, de vez, a sensibilidade para a complexidade do momento que a raça humana está atravessando, novamente com isolamentos mais radicais e medidas mais agressivas.

Momentos contraditórios, é verdade. Complexidade extrema. É preciso, de alguma forma, estabelecer metas, objetivos e preservar a vida.

É lógico que as lições que se pode tirar da pandemia não são apenas e, tão somente, as negativas. Até porque, particularmente, não sou “negacionista”.

Reconheço os desafios, mas creio na vida, na vitória da ciência, na natureza humana.

E, posso imaginar que um dos grandes aprendizados que tive nesse tempo de isolamento social foi o “valor da vida” Aprendizado que não é só meu, com certeza absoluta.

Poder abraçar, beijar, cumprimentar, sorrir com os lábios e não só com olhos, compartilhar coisas boas e ruins com nossos pares, nossos familiares e nossos amigos, não tem preço.

Aprendi isso e com certeza muitos dos leitores também aprenderam. E esse aprendizado leva a dizer que, não se trata apenas de “estar juntos” fisicamente. Podemos “estar juntos de outras formas”, também.

Sei que muitos, sentem falta da “rotina” do seu trabalho, de sua casa, do estudo. Sei que não é nada fácil superar coisas que nem bem compreendemos. Porém, sei também, que o vírus, esse “inimigo invisível” não poupa ninguém, e que estamos todos no mesmo barco.

Por isso, entendo ser importante ouvir as vozes das pessoas, ouvir as experiências, fazer da vivência um aprendizado.

E, de fato, a pandemia parece ter ensinado que precisamos ouvir nossas próprias vozes e as vozes dos outros. Parece que nos ensinou que não podemos viver sem a voz do outro.

Sim, parece que precisamos aprender, de novo, a falar com o outro. Mais que isso, precisamos aprender a ouvir o outro. É nesse movimento estranho que nos encontramos. Precisamos do(s) outro(s), porém não podemos tê-lo(s) fisicamente.

Ao olhar para trás, entendemos que estamos testemunhando uma das maiores tragédias humanas. A perda de vidas, quase sem sentido. Vidas humanas que importam para alguém. A condição da vida humana parece estar numa das mais terríveis encruzilhadas da história.

Ao lado das descobertas cientificas, da busca incansável pela cura, ao lado de histórias de verdadeiros heróis pela vida, encontramos os incrédulos, para os quais, numa perspectiva histórica, ficará a mancha do descrédito, da incompetência e da ignorância.

No pós-pandemia, certamente, teremos estudos científicos capazes de nos fornecer alguma compreensão a respeito do que, de fato, aconteceu na cidade chinesa de Wuhan, origem do coronavírus e do desastre humanitário sem precedentes que estamos vivenciando.

Também, historicamente, poderemos entender as “teorias de conspiração” que se espalharam pelo mundo levando até mesmo, “altas autoridades” pensar que tudo era contra si e seus governos.

Tenho a impressão de que, sim, teremos excelentes atitudes humanas de zelo e preservação da vida para estudar e lembrar. Como penso, também, que teremos novos paradigmas a enfrentar.

Quem sabe, a humanidade possa pensar e construir uma “nova visão da vida”, das pessoas e dos sentimentos humanos. E quem sabe, possa entender o valor da vida e das pessoas.

É possível que uma das maiores lições positivas seja essa. Valorizar a vida, não só a sua, mas de todos.

Quem sabe essa nova “visão de mundo” que nos vincula e vincula nossas ideias, convicções e atitudes, seja para dar à vida o valor e o lugar que merece no contexto humano, pense nisso, enquanto lhe desejo boa semana.

* Doutor em Educação pela UNICAMP, Psicopedagogo Clínico-Institucional e Assessor Pedagógico da Faculdade Mater Dei