Cotidiano

Região Sul tem maior incidência de câncer de mama do país

O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente na população feminina brasileira e mundial. Em 2016, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) confirmou que a doença também é a primeira mais frequente nas mulheres da Região Sul. Para o mesmo ano, foram estimados 10.970 casos da doença na região, sendo 5.210 localizados somente no Rio Grande do Sul.

O INCA apontou que o câncer de mama representa 25% entre os dez cânceres mais incidentes nas sulistas, são 74,3 casos da doença para cada 100 mil mulheres. Segundo Rosane Johnsson, médica do serviço de oncologia do Hospital Erasto Gaertner, este número se deve a diversos fatores, entre eles a alta expectativa de vida da população feminina da região, que é de aproximadamente 80 anos, e ao nível de tabagismo de 14,9%, que é o maior entre as brasileiras.

Conhecer fatores biológicos, como o histórico familiar de câncer de mama e o funcionamento dos hormônios, é de extrema importância para a prevenção da mulher. Assim como a adoção de hábitos alimentares e físicos saudáveis, afirma a oncologista.

A especialista destaca também a relevância do autoexame e de consultas e exames periódicos para a detecção precoce. Entretanto, uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto Datafolha4 mostra que 15% das brasileiras, com idade entre 40 e 69 anos, nunca realizaram mamografia. Um levantamento feito pelo A.C. Camargo Câncer Center5 com 4,5 mil pacientes aponta que 11,4% descobriram tumor até os 39 anos. Estes dados revelam que nem sempre é possível fazer o diagnóstico da doença em fase inicial.

Segundo a pesquisa do Instituto Datafolha4, 46% da sociedade não sabe a diferença entre câncer de mama inicial e avançado. Quatro entre dez mulheres e seis em cada dez homens, afirmaram nunca ter ouvido falar sobre o estágio metastático da doença.

Entretanto, de acordo com o Tribunal de Contas da União, no sistema público brasileiro, 50% dos casos da doença são identificados na fase metastática, o que dificulta o tratamento da paciente.

Apesar dos avanços científicos dos últimos anos, a percepção negativa relacionada a esse estágio do tumor permanece entre a população brasileira. 70% das pessoas associam o câncer de mama metastático a pouco tempo de vida, má qualidade de vida e até mesmo à morte das pacientes4. Porém, atualmente existem medicamentos que atuam diretamente nas células cancerígenas, permitindo o controle da progressão da doença e proporcionando uma vida com mais bem-estar aos pacientes.

Este é o caso da aposentada Juraci Santos Nicolau, curitibana de 68 anos que está há 13 em tratamento do câncer de mama metastático e que leva uma vida normal. A descoberta de calcificação da mama aconteceu durante um exame de rotina, o que a levou a realizar uma série de outras investigações até chegar no diagnóstico correto.

Em 2004, após uma cirurgia na qual foi retirado um quadrante de sua mama e seis meses seguidos de quimioterapia e radioterapia, a paranaense evoluiu para a fase metastática, com células tumorais no pulmão e no fígado, mesmo sem ter histórico de ser fumante ou beber socialmente. Pelo sistema privado de saúde, a dona de casa teve acesso ao tratamento tecnologicamente avançado e adequado para o estágio da doença que além de impedir a progressão dos tumores, os fez diminuir. Realizo todas as minhas atividades cotidianas, viajo e faço exercícios físicos. Enfim, levo uma vida normal. E completa: Se todos tivessem a mesma possibilidade de tratamento que eu tenho, a realidade do câncer no país seria outra, conclui.

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