Cultura

Jornais impressos são os mais confiáveis, confirma pesquisa Ibope

Os jornais impressos são os mais confiáveis como meio de comunicação, apontados por 58% dos entrevistados, seguidos do rádio e televisão, com 57% e 54%, respectivamente.

Os dados integram pesquisa encomendada ao Ibope pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, com o objetivo de saber como os brasileiros se informam. Em agosto do ano passado, foram ouvidos 15.050 brasileiros de todas as regiões do país. O resultado foi publicado no começo deste ano. 
Sobre o que leem na internet, 71% disseram não confiar no que é publicado nas redes sociais, 69% não confiam em blogs e 67% não confiam nos sites de notícias.
A pesquisa revelou que o tempo médio de leitura dos jornais impressos é de uma 1 hora e 10 minutos. Dentro do universo em que vivemos vimos muitos impressos desaparecerem, mas os que estão aí circulando mostraram que se adaptaram às mudanças e com a credibilidade conquistada têm mantido suas circulações. O mundo inteiro vivencia um momento em que grandes investidores têm apostado cada vez mais nos impressos. Um exemplo disso é a compra do tradicional Washington Post, pelo dono da Amazon, maior empresa de internet do mundo, Jeff Bezzos.
Conforme o diretor geral do Diário do Sudoeste, André Almeida, o jornalismo impresso vai se adaptando aos novos tempos porque o avanço da comunicação digital é inexorável. Os jornais regionais têm investido forte em soluções digitais, mas sem perder de vista o jornal impresso. 
Para André Almeida, a pesquisa confirma a credibilidade do jornal impresso e reafirma o veículo como fonte de informação confiável, o que nem sempre é o caso quando se trata de redes sociais e outros meios sem o comprometimento com a apuração jornalística e com a isenção, marcas do jornal impresso. 

Mídia regional 
De acordo com o diretor do Diário, a mídia regional consegue estar próxima da comunidade e retratar em suas páginas o cotidiano do leitor, despertando interesse contínuo, permitindo que as pessoas sejam informadas com clareza e rapidez. 
Por isso, Almeida diz que o Diário do Sudoeste continua a investir, tanto no impresso quanto no digital. A busca incessante por um produto melhor a cada dia tem resultado num aumento de assinantes. Os jornais, principalmente os regionais, continuam muito fortes. Pois estão próximo da comunidade, e boa parte das notícias que produz é exclusiva não sendo possível encontrá-las em nenhuma outra fonte. Além disso, trata-se de um produto com mais de 200 anos de história, com credibilidade, pois o que está no papel, não pode ser apagado.

Era pós-verdade
O mundo passa por constantes transformações. Um fenômeno que vem acompanhando o crescimento do volume de informações que recebemos e compartilhamos foi consagrado pelo Dicionário Oxford como o termo do ano de 2016: A pós-verdade. A nova palavra vem ganhando notoriedade, principalmente – mas não só –, no universo político e jornalístico e se resume a circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência para a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais.
O crescimento das ferramentas online de propagação das notícias, como as redes sociais e a quantidade de fontes alternativas, tem aumentado, expressivamente, o consumo das chamadas fake news, produzindo, segundo o presidente da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), Fábio Gallo, uma maior tolerância e indiferença com a verdade dos fatos. As fake news sempre existiram, mas hoje, com o alcance e força da internet ganharam proporções alarmantes. É difícil até mensurar e identificar, ressalta o executivo.
Gallo reitera o protagonismo da entidade, do jornalismo profissional e das empresas de comunicação neste cenário. É uma oportunidade de as organizações que prestam um serviço ético, crível e essencial despertarem na sociedade a consciência sobre a credibilidade da notícia e os processos que envolvem a apuração com rigor editorial.
Para se ter uma ideia da ascensão do termo, a palavra pós-verdade teve um crescimento de buscas realizadas por meio do Google, no último ano, de mais de 20,2 milhões de citações em inglês, 11 milhões em espanhol e 9 milhões em português. Muito deste sucesso é oriundo das polêmicas e reflexos gerados a partir de declarações do então candidato e hoje presidente, Donald Trump à época da eleição americana.
No Brasil, tivemos, recentemente, episódios repletos de teorias sobre a causa da morte do então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavaski. Em ambos os casos citados, e em tantos outros, há uma predileção por versões de boatos a fatos, com sérias consequências à sociedade, explicita Gallo.


Mais de dois séculos de história
O primeiro jornal impresso do Brasil foi a Gazeta do Rio de Janeiro. Circulou no Rio de Janeiro em 10 de setembro de 1808. Em que pese o Correio Braziliense, impresso na Inglaterra ter começado a circular por aqui em julho de 1808. Portanto, há quase 210 anos jornais impressos se consolidaram como a fonte mais confiável de informação.
 

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