Entrevista

Caio Feijó aborda educação e tecnologia e suas interferências

Psicólogo, especialista em psicologia Clínica, psicoterapeuta de jovens, adultos e famílias, mestre em Psicologia da Infância e da Adolescência, professor de Psicologia, Terapia Cognitivo-Comportamental, Desenvolvimento Pessoal, Desenvolvimento Interpessoal e de Mediação (Gestão de Conflitos), autor de sete livros, sendo seis que abordam a educação de filhos e alunos, Caio Feijó esteve na terça-feira, 15, em Pato Branco, conversando com pais e educadores em uma palestra organizada pelo Colégio Vicentino Nossa Senhora das Graças.

Caio comenta que suas palestras são marcadas pelo fato de não levar o que as pessoas querem ouvir, mas sim o que precisam ouvir, o que abrange não apenas professores, mas também pais.

Para ele, quando se percebe por meio que pais estão cometendo erros, ou instituições comportamentos é importante lembra que a falha está no educador (pais e professores), não na criança.

Na palestra de Pato Branco, usou como tema central seu mais recente livro voltado a educação ‘Os Desafios (e Soluções) para a Educação no Século XXI’, onde o autor afirma que não há volta para a questão da evolução tecnológica, ao passo que cada dia somos surpreendidos com novidades até então inimagináveis.

Diário do Sudoeste: Na sua visão, quais são os desafios e as soluções para a educação neste século?

Caio Feijó: Vivemos um momento de transição causado por dois fenômenos muito marcantes; a libertação da mulher e a revolução tecnológica.

Aquela figura de dona de casa de antigamente, aos moldes da minha mãe, que quando eu chegava da escola para poder brincar tinha que dizer a tabuada, ou conjugar verbo, isso não tem mais.

A mãe hoje trabalha fora, e muitas são provedoras familiares e é uma coisa que tem fazendo muita falta. Os pais ficam o dia todo fora de casa e as crianças estão sendo criadas por babás, creches, por pessoas estranhas.

Isso tem um risco gigantesco e isso não tem muito o que fazer.

Por sua vez a revolução tecnológica faz com que hoje toda a criança saiba lidar com internet, aplicativos.

Vivemos uma nova doença, a nomofogica, que é o medo de perder o celular. Ela não é exclusividade de crianças, mas de toda a sociedade em suas diferentes faixas etárias.

Para tanto é necessário resgatar algumas atribuições paternas, que envolvem valores; estabelecer limites para filhos; saber onde ele vai, com quem ele vai; saber das amizades, do que ele gosta.

Enquanto que a escola tem que criar com os educadores programas de socialização, humanização, saindo desse universo apenas de internet e resgatar brincadeiras, de atividades de grupo, mas sem dispositivos eletrônicos.

Diário: É possível uma reversão dessa situação de afastamento de pais e filhos por causa da revolução tecnológica?

Caio Feijó: Não há como reverter o andamento tecnológico. Quanto o convívio pais e filhos, este deve ser revisto com aproximação.

O que me preocupa muito, é que questões sociais estão sendo deixadas de lado.

Por exemplo, a escola realiza campanha de inverno para coleta de alimentos e roupas, ao chegar na escola com os donativos a criança não sabe o que é alimento o que é roupa. Se os pais estivessem presentes, deveriam chamar os filhos para a escolha das roupas, na compra dos alimentos a serem doadas.

Diário: Frente essa realidade tecnológica, qual o futuro da educação?

Caio Feijó: Se a educação não acordar teremos sérios problemas, mas este processo que está aí não faz sentido nenhum.

Na Austrália em 2012 uma professora tinha dificuldades imensas de trabalhar com os alunos, porque todos queria usar seus celulares e era proibido por lei o uso em sala de aula.

Ela desenvolveu um projeto piloto com uma turma durante um ano e os resultados foram surpreendentes, com a turma tendo o melhor desempenho do ano da escola.

Isso chama-se ‘uso de tecnologia com supervisão’, essa professora revolucionou e esse é um caminho. Porém, é difícil no Brasil ter uma coisa linear, pois vivemos uma realidade bastante diferente porque não temos somente um Brasil, e sim vários brasis.

Neste país encontramos desde a professora que ensina com papelão no lugar de giz e papelão fazendo o papel de lousa, ao mesmo tempo que temos laboratórios de informática de última geração em uma outra realidade.

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