Entrevista

“Nossa música faz um pequeno espaço se tornar especial”

Se o público não vai até a banda, a banda vai até o público. O som do quinteto Mustache e Os Apaches está bem longe do punk rock, mas o espírito de faça você mesmo já ajudou muito a divulgar o seu trabalho.

Com muita disposição, fé em seu talento e sola de sapato pra gastar a banda iniciou sua carreira há cerca de três anos percorrendo as ruas de São Paulo e apresentando sua música onde fosse possível, desde praças até bares.

De lá pra cá a caminhada já levou os rapazes para apresentações em teatros e ruas das regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste, além de 20 shows pela Europa com o apoio do Ministério da Cultura, e participações em programas de televisão.

Inspirados inicialmente pelas Jug Bands norte americanas e pelos espetáculos do Circo Vaudeville, a banda conta com um naipe de instrumentos pouco usual para mostrar sua arte. Um deles é a washboard, uma tábua de lavar equipada com caneca, buzina e campainha, apetrechos criados para cuidar da percussão.

A Mustache é formada pelos músicos gaúchos Pedro Pastoriz (Voz, Violão e Banjo), Tomas Oliveira (Contrabaixo e voz), Axel Flag (Voz e percussão), Jack Rubens (Bandolim);  e por Lumineiro, de Belo Horizonte, o homem por trás da washboard.

No fim de dezembro o grupo se apresentou em Francisco Beltrão, onde divulgaram o repertório de seu primeiro CD, lançado recentemente. Batemos um papo com Lumineiro, Axel e Tomas nos bastidores do show.

Como a banda surgiu?

(Se entreolham)

Não lembram?

Lumineiro – Acho que nós mesmos não sabemos exatamente como a banda surgiu? (risos). Mas Axel, conte-nos mais sobre nossa trajetória.

Axel – Existem maneiras diferentes de se observar. Acho que o fator mais consistente é o fato de nós três termos morados juntos. Na verdade todos os músicos do grupo moraram na mesma casa em momentos diferentes. Então desse convívio que veio a nossa genética.

Por que Mustache e Os Apaches?

Lumineiro – Por que a banda era formada por um bigodudo e quatro índios (risos). No início eu tinha o maior bigode, mas às vezes trocamos. O Tomas já assumiu o bigode da banda, e o Axel, assim que entrou, deixou o cavanhaque crescer.

Além da música alguns de vocês  também já transitaram por outras artes, como o circo. Como essa convergência influencia o som da banda?

Tomas – Eu e o Lumineiro tocamos na rua. E ele tem muito daquela coisa de apresentador, de chegar, abrir o gogó e reunir o público a nossa volta. Isso é um elemento meio circense que incorporamos nas nossas apresentações.

Lumineiro – A gente usa muitas técnicas de palhaço também, e outras coisas que aparecem principalmente nos shows. Alguns de nós já conheciam as técnicas, outros precisaram estudá-las.

A experiência de tocar na rua, onde as pessoas geralmente não esperavam vê-los, é diferente de tocar em um festival, aonde o público vai para assistí-los?

Tomas – É diferente sim…

Axel – (interrompe) Eu discordo completamente, acho que é a mesma coisa (risos)…

Por que?

Axel – (Para Tomas) Desculpa te interromper. As coisas acontecem assim na rua: Nós saímos, escolhemos um espaço, paramos e tocamos. Daqui a pouco está todo mundo ao redor, curtindo e se divertindo. E no festival acontece a mesma coisa.

Tomas – É. Pensando desta forma eu tenho que concordar (risos).

Lumineiro – Eu também (risos).

Tomas, por que então você achava que as experiências eram diferentes?

Tomas – Primeiro pela dimensão das coisas. Em um festival tocamos em um palco, com uma estrutura de som, que leva nossa música para um público grande. Já a acústica da rua é outra. É o nosso gogó, é um cantinho, um espaço pequeno que se torna especial para um grupo de pessoas que acabou passando por acaso e nos achou.

Vocês adaptaram as canções para gravar o disco ou elas foram registradas da mesma forma que são apresentadas nas ruas?

Lumineiro – Foi uma mistura das duas coisas. As músicas que gravamos foram todas compostas entre um bar e outro, os arranjos são ao vivo mesmo. Então elas trazem a energia da rua. Apenas duas músicas nós criamos na rua e adaptamos para o estúdio, que foram O Gato e Escapa do Bom; são canções em que usamos bateria, por exemplo. Por conta de todo o aparato que o estúdio nos permite nós também utilizamos hammonds em alguns momentos.

Tomas – Sem contar outros objetos que usamos como instrumentos, como um serrote na faixa O Gato. Mas o grosso foi o que a banda é mesmo, que foi o baixo, o banjo, bandolim, violão, o washboard e as vozes. 80% do disco é isso.

Lumineiro – E o ganzá…

Tomas – Exatamente. Nós aproveitamos tudo isso, pois o estúdio propicia coisas novas que não estamos acostumados a usar na rua. Mas no próximo disco já pensamos em fazer diferente, pensamos em explorar mais a energia da rua.

Então já há planos para um próximo disco?

Lumineiro – Sim há. Algumas composições novas a gente já apresenta ao vivo, inclusive.

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