Especial

Frei Policarpo e a comunicação

Policarpo orgulhoso com sua obra nas comunicações, ao fundo antena adquirida por ele na década de 1970 - Foto: Rudi Bodanese

Marilena Chociai Rizzi

O ano era 1924. Em uma vila rural formada por imigrantes italianos, em Rodeio, Santa Catarina, nascia Inácio Berri, o frei Policarpo.  O franciscano marcaria seu nome nas comunicações.

O mundo se encantava com as transmissões de rádio, após a 1ª guerra mundial.  No Brasil, o rádio também começava a ser conhecido. A primeira transmissão oficial, havia sido feita em comemoração ao centenário da Independência, em 7 de setembro de 1922.

Desde pequeno, Inácio sempre demonstrou a inquietude de quem tem a comunicação nas veias.  Aos 8 anos, já interno do Seminário Seráfico São Luis de Tolosa, em Rio Negro (PR), era uma criança curiosa. Gostava de aprender, de compartilhar ideias e pensamentos. Teve contato com a música, com a literatura, com a filosofia e, audacioso, escreveu uma carta em alemão, questionando o líder nazista Adolf Hitler. Estava inconformado com a determinação dele em proibir que jovens da Alemanha continuassem vindo para o Brasil para serem padres. A carta não foi enviada pelos superiores do seminário, mas a atitude do jovem seminarista deixava claras algumas características de liderança e desejo de transformar o mundo.

A partir da década de 1930, a Igreja Católica aderiu ao poder de penetração do rádio e começou a internacionalizar as comunicações, com a aquisição da Rádio Vaticano. Também foi neste período que foram apresentadas as primeiras experiências de televisão, na Alemanha.

As comunicações viviam grandes transformações enquanto o seminarista Inácio Berri ampliava seus conhecimentos em instituições de ensino católicas, sempre atento ao que se passava pelo mundo. Após concluir os estudos, já com o nome de Policarpo, foi designado para a região Sudoeste do Paraná.

O ano era 1956. Na paróquia São Pedro Apóstolo, em Pato Branco, teria a missão de evangelizar, mas não só isso. Afinal, a religião católica trazida pelos franciscanos desde os anos 1900, está longe de ser o único legado dos frades menores nesta região, conta a professora e historiadora Neri Bochese. “Eles trouxeram o conhecimento. Eles que sabiam as veredas, os caminhos. Construíram pontes. Ensinaram os caboclos a curarem bicheiras, alguns remédios caseiros, a fazerem cerca nas hortas. A cultivarem pomar. Ajudaram esse povo que vivia aqui a sobreviver”, explicou.

Ainda na década de 1950, na América Latina, o rádio tornou-se instrumento de luta e deu voz a movimentos de libertação. Um exemplo foi a rádio Rebelde dos guerrilheiros aliados a Fidel Castro de Cuba, que, por iniciativa de Ernesto Che Guevara, irradiou mensagens dos territórios libertados da Sierra Maestra.

Enquanto isso, no sudoeste do Paraná, frei Policarpo também encontrou um cenário de conflitos. Colonos lutavam pela posse das áreas onde se estabeleceram, contra as companhias de terras, que tentavam expulsá-los. Era a revolta dos Posseiros de 1957.

A vida era difícil. As estradas, de chão. As distâncias eram longas e o transporte, a cavalo, era demorado. “Naquele tempo as casas eram de madeira, havia muita poeira no tempo de seca e muita lama quando chovia. Quando a gente ia visitar as capelas a cavalo, ficava com lama até a barriga”, contou frei Policarpo que, por vezes, se perdeu nos caminhos para as capelas.

Diante dessa realidade, o frade logo entendeu que os veículos de comunicação poderiam ser importantes aliados ao propósito de evangelizar. Através do rádio, pretendia encurtar distâncias e levar cultura e educação para o povo.

O rádio

A história do rádio em Pato Branco teve início em 1954, com a criação da Rádio Colmeia. A emissora pertencia a uma rede de rádios da família Rotilli. Quando a Colmeia foi colocada à venda, alguns anos depois, frei Policarpo convenceu a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil a comprá-la. “Eu conversei com o provincial e ele autorizou que comprássemos, desde que não comprometêssemos a província com dívidas. Assim resolvemos comprar. A rádio era de 250 watts, a única rádio que havia em Pato Branco. A segunda no Sudoeste, de 100 watts, era em Francisco Beltrão. A rádio Colmeia tinha 40 long plays. Na época era uma potência”, disse frei Policarpo.  Pouco tempo depois, a emissora passou a chamar-se Celinauta — aquela que guia para o céu. Uma homenagem à Nossa Senhora, segundo Policarpo.

Inauguração do Parque do Som, onde ficava o transmissor e antena a Rádio Celinauta. Dom Agostinho José Sartori, frei Nelson, Agostinho Barrinuevo e Laudi Vedana – Foto: Acervo Rede Celinauta

Frei Inocêncio Michels foi escolhido para dirigir, mas frei Policarpo, que trabalhou na rádio desde o início, logo assumiu a direção. Ficou no cargo até 1975, quando frei Nelson Rabelo passou a administrar a emissora.

A programação era bastante variada. Havia jornal falado, entretenimento, programas musicais, envio de recados, avisos, dedicatórias e as transmissões religiosas. Por um longo período, Policarpo apresentou o programa diário “Aos pés de Maria”, ao meio dia.

Naquele tempo, poucos eram privilegiados em ter um aparelho de rádio em casa. As famílias se reuniam nas casas de quem tinha, para ouvir, como se fosse uma solenidade. “O chefe da família ligava solenemente o rádio, era uma cerimônia. Todos da família tomavam banho e se arrumavam para se reunir na sala e ouvir rádio”, disse Policarpo.

Para muitos moradores da zona rural, a rádio era a única forma de saber notícias de outros lugares. “A ligação da cidadezinha com as comunidades rurais era através do rádio. A missa e o terço também eram transmitidos pela Rádio Celinauta, num tempo onde os padres conseguiam ir para as capelas somente uma vez ao mês ou menos do que isso”, contou a historiadora Neri Fornari Bocchese.

Policarpo acrescentou ainda que, como os rádios funcionavam só a bateria, era comum os agricultores pedirem para o vendedor “carregar” o aparelho somente com música sertaneja, que era o que gostavam. O franciscano também falou sobre seu encantamento e surpresa, no dia que teve contato com o aparelho, pela primeira vez. “Na primeira vez, vi um homem de costas, sentado, de terno e parecia que ele fazia um discurso, eu não entendi direito o que era. Tinha uma caixa no meio da mesa, mas não sabia que era rádio. Perguntei como é que ele conseguia falar sem mexer a boca, sem saber que o som saía daquela caixa”.

O objetivo principal da rádio Celinauta, segundo Policarpo, foi evangelizar, mas havia a preocupação em melhorar a comunicação entre o povo. “Nas capelas, as distâncias eram sempre grandes, não tinha jornais. Com o rádio a gente podia conversar com o povo todos os dias. E a gente atendia todo o Oeste de SC e Sudoeste do PR”, explicou.

A abrangência do rádio foi um fator importante durante a revolta dos colonos, episódio que consolidou a presença da rádio, em 1957. O rádio era praticamente o único meio de comunicação entre os colonos. “Era através do rádio que os agricultores se organizavam contra as companhias que pretendiam expulsá-los de suas terras”, contou Ivo Tomazoni, um dos radialistas mais atuantes na época. Agostinho Seleski, empresário de comunicações, contou que “Frei Policarpo abriu as portas da rádio em Pato Branco pressionando as Companhias e o Governo do Estado a parar de forçar os agricultores a saírem das suas terras. Os agricultores estavam organizados e revoltados. Por isso o governador Lupion mandou fechar as companhias de terra. O rádio dava voz aos colonos e fazia o povo se mobilizar”, concluiu.

A Revista O Cruzeiro, uma das mais importantes do país na época, publicou que as rádios do Sudoeste eram responsáveis pelas lutas que culminaram com a vitória dos colonos. Por conta do poder de mobilização dos agricultores, a rádio foi ameaçada de fechamento e frei Policarpo levou uma advertência dos superiores da Província.

Com a influência do rádio, Policarpo participou ativamente dos movimentos sociais. Frei Nelson Rabelo (em memória) contava que ele tinha uma capacidade impressionante de organizar os moradores em torno do desenvolvimento das suas Capelas. Também foi com a ajuda do rádio que se realizaram campanhas importantes dentro da Paróquia São Pedro, como as da aquisição do órgão de tubos da Alemanha e construção da Igreja Matriz de Pato Branco. “A rádio era usada para angariar fundos, para motivar os agricultores a colaborarem com a construção, naquela época em que a Igreja foi construída muito na base do mutirão, entre os anos de 1960 e 1965”, disse frei Nelson.

Frei Policarpo com os companheiros de jornada, frei Sergio, frei Lindolfo e frei Nelson Rabelo – Foto: Acervo pessoal frei Nelson

Aulas Radiofônicas

Levar educação e cultura para as comunidades mais distantes foi outra preocupação da Rádio Celinauta. Um exemplo, foram as aulas radiofônicas: uma experiência pioneira de educação à distância. O programa foi implantado em parceria entre a rádio e o governo do Estado, em 1961. Frei Policarpo distribuiu 600 aparelhos de rádio nas escolas e comunidades rurais, para ouvirem as aulas. “No começo o frei Ponciano e o frei Euclides davam aulas radiofônicas. Eles eram muito ativos. Faziam umas aulas bem animadas, o povo e as crianças, que se reuniam nas escolas para ouvir, ficavam animados. Depois tinha a Setembrina Zucchi Nunes e a Batiston, que eram professoras. Durante anos elas davam matérias como geografia, matemática, ciências…  Era um complemento das escolas. Houve uma época em que todo o Sudoeste e uma parte do oeste de Santa Catarina, ouviam as aulas radiofônicas pela Celinauta”, contou frei Policarpo e acrescentou: “Produzimos as aulas radiofônicas onde durante 20 anos, onde dávamos a catequese e educação. Foi uma pena que acabou.”

A expansão dos veículos de comunicação franciscanos

Também apaixonado pelas comunicações, frei Nelson contava que frei Policarpo sempre foi interessado pela área jurídica das emissoras. “Estava a par de todas as leis que regem o rádio. Lia o Diário Oficial da União todos os dias. Com isso podíamos estar sempre atualizados com as exigências do governo. Qualquer documento que ia para o governo, passava pelo frei Policarpo”.

E este interesse do franciscano pelas questões mais burocráticas foi fundamental para o aumento de potência da rádio Celinauta e também para a aquisição da Rádio Pato Branco e para as concessões da TV Sudoeste, fundada em 1987, e da Movimento FM, criada como FM Stúdio 3, em 1981. A Rádio Pato Branco foi vendida pelos frades e atualmente é a Rádio Cidade.

Frei Nelson e frei Sérgio, no Ministério das Comunicações em Brasília, no dia da assinatura da concessão do canal de TV para Pato Branco – Foto: Acervo pessoal frei Nelson

Inelci Matiello, comunicador esportivo que fez escola na Rádio Celinauta, afirma que frei Policarpo é um dos maiores comunicadores do país: “Ele quase não falava em microfone, mas não precisava falar, não. Eu, menino ainda, admirava aquele homem dinâmico, inteligentíssimo! Além de cuidar da Celinauta, ele fez muitos processos para concessão de várias emissoras de rádio aqui do Sudoeste. E sem cobrar absolutamente nada”. Matiello lembra ainda das jornadas do franciscano atrás de autorizações e documentação das emissoras da Rede: “Frei Policarpo embarcava aqui em Pato Branco de ônibus e ia a São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, para conseguir junto ao Ministério das Comunicações, aumento de potência da radio Celinauta. Conseguiu a concessão da rádio Pato Branco, hoje Cidade, e ficava até 45 dias em Brasília, esperando, com aquela paciência de sempre”. Policarpo confirma, “no tempo do Castelo Branco eu ficava horas e horas no palácio do Planalto. Uma vez fiquei quase um mês em Brasília até a rádio ser registrada no Tribunal de Ccontas, até a rádio ser aprovada e registrada, porque era muito difícil. Eu ficava lá, porque se fosse embora, aquilo ficava tudo parado”. E tinha suas estratégias para conseguir o que precisava. “eu sempre levava umas lembrancinhas e uns santinhos para o pessoal que trabalhava lá dentro. Eu tinha bastante amizade com o pessoal.”

A televisão

Frei Policarpo acompanhando o início das obras do prédio da TV Sudoeste, no Parque do Som – Foto: Arquivo pessoal

A estreia da televisão no Brasil ocorreu em 1950, numa iniciativa de Assis Chateaubriand e até o final da década, já funcionavam as TVs Tupi, Record e Paulista, Rio e Excelsior. Nos anos 1960, entrou no ar a TV Paranaense.

Acompanhando o ritmo das comunicações, os freis de Pato Branco também começaram a pensar em uma emissora de TV, como contou frei Nelson Rabelo: “Já por volta de 1967, os freis Sérgio e Policarpo andavam falando em uma emissora de televisão aqui para Pato Branco e região. Eles estavam preocupados em tornar a imagem do evangelho algo visível para a região. E eles também se espelhavam no exemplo da cidade de Erechim, no Rio Grande do Sul, que por pequena que fosse, naquela época já tinha seu canal de televisão”.

Antes mesmo de sonhar com a televisão para Pato Branco, Policarpo já fazia suas experiências audiovisuais. Com um aparelho projetor de imagens, percorria as comunidades rurais apresentando slides de histórias, como se fosse cinema. “A gente tinha um aparelho com bateria, então a gente passava coleções de alguma história ou sacramento. Eram quadros luminosos, não era bem cinema. A gente passava e o povo ficava maravilhado com as historietas que a gente contava. Quando eu passava no pavilhão de festas da igreja vinham mais de 500 pessoas. Passava histórias, até da branca de neve e do Pinóquio”, disse sorrindo.

Os anos 1970 foram duros. Os veículos de comunicação precisaram se adaptar às regras impostas pelo governo militar. Programas de TV como “Chacrinha” e “Dercy Golçalves” foram censurados e tirados do ar.

Foi neste período que o franciscano Policarpo Berri idealizou o projeto de levar a tecnologia das imagens em movimento e em cores para o interior do Paraná. E começou a montar o projeto que apresentaria ao Governo Federal para conseguir a concessão do canal.

Frei Nelson Rabelo, que acompanhou toda a jornada, reconhecia frei Policarpo como um exemplo de perseverança. “Ele abriu caminhos para que viesse a televisão para cá. Ele fez naquela época, um projeto dos estúdios da TV Sudoeste. Na sua certeza de que conseguiria o canal, em 1971 já comprou a torre para a sustentação da antena da televisão e, em seguida, também comprou o transmissor Maxuel e toda a parafernália que faz parte de um estúdio de televisão. Ele tomou todas estas iniciativas mesmo sem ter a certeza de que conseguiria a concessão. Era uma época da ditadura militar e havia muita oposição de que a Igreja mantivesse um canal. Nós íamos aos congressos e fazíamos amizades com políticos para que conseguíssemos a concessão que saiu em 1979”, contou.

Policarpo explicou que foram oito anos fazendo viagens a Brasília e Rio de Janeiro até conseguir a liberação do canal. “Chamamos de Rádio e Televisão Sudoeste do Paraná Ltda. Canal 7. Éramos eu, o frei Sérgio e o frei Samuel os responsáveis. Com o tempo, quando saiu o decreto para a construção da empresa, entrou o frei Nelson na sociedade. Depois, mudamos todos os veículos de firma comercial para a Fundação Cultural Celinauta”.

Como as emissoras não podiam pertencer às pessoas físicas dos frades, criou-se a Fundação, uma entidade jurídica onde os veículos de comunicação passaram a ser departamentos. Os frades que trabalham nela não recebem remuneração.

O próximo passo era conseguir recursos para comprar os equipamentos de estúdio, o que ocorreu com o apoio de uma fundação católica da Alemanha, a Missionszentrale. O prédio para a instalação da emissora, onde ela se encontra até hoje, no alto da rua Ararigbóia, no Parque do Som, começou a ser construído em fevereiro de 1984.

Finalmente, em 18 de junho de 1987, a TV Sudoeste entrou em operação. A programação era diversificada, mas o foco era a evangelização. A missão franciscana foi evidente desde o princípio com os programas religiosos, como o “Jornal da Igreja” e o programa “Ao Clarão da TV”, ambos apresentados por frei Nelson Rabelo.

O primeiro telejornal diário, “Sudoeste em Manchete”, foi ao ar no dia 23 de junho de 1987. Era exibido ao vivo, às 19h.  Tinha como âncoras os apresentadores Silvonei José e Margarete Camargo. Silvonei José atualmente trabalha na Rádio Vaticano.

Como ocorreu com a maioria dos profissionais que foram para frente das câmeras da TV Sudoeste, Margarete também começou na Rádio Celinauta.  “A estreia da televisão em Pato Branco foi cercada de expectativa. Foi a grande novidade da época. A gente assistia só às tevês de fora, então para a gente foi um evento. Todo mundo queria saber quem seriam os comunicadores, como iria funcionar”, explicou. O projeto era grande, mas a estrutura era simples. Tudo foi construído com muito sacrifício e empenho dos frades franciscanos.

Antigos estúdios da Rádio Celinauta AM – Foto: Acervo Rede Celinauta

Atualmente, a TV Sudoeste exibe programação local de mais de duas horas diárias. São dois telejornais diários e um programa com pautas sobre segurança pública e de cidadania, além de outros programas semanais voltados para a informação, cultura, religião e entretenimento. A transmissão da Santa Missa Dominical é tradicional desde o início da emissora. A bênção diária de frei Policarpo se consolidou como um dos momentos importantes de fé.  A emissora atinge um público estimado em mais de meio milhão de pessoas, nos 42 municípios do sudoeste do Paraná e do noroeste de Santa Catarina.

Atualmente, frei Policarpo não participa diretamente da administração das emissoras. Frei Neuri Reinish, diretor da Fundação Cultural Celinauta, explica que, apesar de não estar presente nas emissoras, Policarpo procura estar sempre informado sobre tudo o que acontece e aconselhar sobre decisões a serem tomadas. “Só pelo fato dele ter construído tudo isso que nós temos e continuar sempre informado, dando ideias, a importância dele para nós é fundamental. Ele acompanha o andamento. Eu faço prestação de contas e converso com ele sobre projetos. Ele é minucioso, desde a parte técnica, até faturamento, vendas, planos e investimentos”, contou.

Em dezembro de 2015, a TV Sudoeste passou a transmitir em sinal digital, pelo canal 27. Também foi lançada a transmissão da TV pela internet. Frei Policarpo, que participou da solenidade, falou empolgado o resultado da digitalização. “Nosso provincial assistiu ao vivo lá em São Paulo a inauguração da nossa televisão digital. Então, você veja que agora, a televisão chega em muitos lugares. Um dia, quando frei Olivo Marafon, na época pároco em Pato Branco, estava na Terra Santa, ele contou que assistiu a nossa missa do domingo aqui da TV Sudoeste, da Igreja Matriz São Pedro, ao vivo, diretamente do hotel onde estava em Tiberíades, Irsael”.

Hoje, a Rede Celinauta de Comunicação é composta pela Rádio Celinauta, pela Movimento FM e pela TV Sudoeste, além dos canais pela internet. Todas as emissoras transmitem em tecnologia digital. Tem como entidade mantenedora a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. A comunicação é uma das frentes de atuação da Província. Nela constam, além das emissoras de Pato Branco, as rádios, Coroados e Movimento FM de Curitibanos –SC, e a Editora Vozes, com sede em Petrópolis – RJ.

Parcerias

Dom José Antônio Peruzzo, então bispo da Diocese de Palmas/Francisco Beltrão, em entrevista na TV Sudoeste – Foto: Zeca Bett

Frei Policarpo reuniu talentos e fez parcerias importantes no sonho de criar uma rede de comunicação em Pato Branco. Amigos que se foram e deixaram um legado de trabalho e dedicação. O franciscano lembra do companheirismo de frei Sérgio Hillesheim, que esteve junto desde o início dos projetos. “Frei Sergio era muito camarada, a gente conviveu juntos muitos anos até ele falecer, com 87 anos. Ele gostava muito da agricultura. Incentivava os colonos a plantar soja, a trabalhar em cooperativismo, fazia parte da cooperativa Capeg.  Gostava muito da natureza e tinha um espírito franciscano alegre. Foi uma pessoa muito estimada em Pato Branco”, disse.

Outro frade designado para Pato Branco por causa das comunicações, foi frei Lindolfo Schmitz.Ele passava as férias aqui quando era seminarista e consertava aparelhos na rádio. Quando ele foi ordenado padre, foi transferido para cá e trabalhava nas rádios e na TV. Era curioso, autodidata e apaixonado pela área da eletrônica. Ficou 20 anos trabalhando aqui. Dirigiu a rádio com frei Nelson e trabalhou na instalação da televisão. Também foi vice-presidente da Fundação”, contou Policarpo. Frei Lindolfo faleceu em um acidente de ultraleve em 2006, em Ituporanga (SC), onde era pároco.

Também foi para trabalhar na rádio Celinauta que Pato Branco recebeu frei Nelson Rabelo, em 1965. “Ele estava de experiência, fazia Teologia em Petrópolis (RJ). Fez um tempo de estágio aqui em Pato Branco e depois decidiu estudar Jornalismo no Rio Grande do Sul. Quando se formou, voltou para cá para trabalhar na Celinauta”, contou frei Policarpo. “No começo ele fazia programas e a direção comercial era comigo. Ele cuidava muito da programação, da discoteca, ele tinha muito conhecimento das músicas e fazia programas musicais. Ele também trabalhou nas aulas radiofônicas. Mais tarde, assumiu a direção completa da rádio e, depois, da programação da TV”, explicou.

Frei Nelson e frei Policarpo firmaram uma parceria de anos. “Frei Nelson esteve presente nos principais acontecimentos da rádio e da TV Sudoeste como principal executor e diretor. Ele sempre valorizou os meios de comunicação”, descreveu. Frei Nelson Rabelo faleceu em outubro de 2017, em Pato Branco.

Frei Policarpo diz que tudo o que fez, foi pelo propósito de evangelizar. “Desde que foi inventado o cinema, o rádio e a televisão, a Igreja sempre aconselhou a usar os meios modernos de comunicação. Então, quando Jesus disse: Ide e pregai o evangelho a todas as nações, então a gente abrangendo muitas pessoas, então a gente consegue penetrar mais pelo mundo afora”.

E sobre seus feitos, conclui:  “Eu me alegro com o progresso que aconteceu sempre. A minha participação é pequena, né? Sempre ajudou um pouquinho, mais na parte legal. De resto, eu não ajudo em nada lá dentro. Eu só dei o pontapé inicial. Quando a gente trabalha na rádio, a gente fica apaixonado, por isso a gente não tinha preguiça de ir atrás das coisas, mesmo com sacrifício. Acho que valeu a pena fazer algum sacrifício”.

Frei Nelson, frei Policarpo, com o diretor da Fundação Cultural Celinauta, frei Neuri Reinisch, no lançamento da TV Sudoeste em sinal digital – Foto: Zeca Bett
Marilena Chiciai Rizzi

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