Especial

Uma bênção, um legado

Vários são os religiosos que, além de receberem bênçãos do frei Policarpo, resolveram seguir suas vocações ao conhecê-lo

Embora seja amplamente reconhecido por suas bênçãos e seu jeito peculiar, frei Policarpo Berri também é responsável por inspirar várias pessoas a seguirem na vida religiosa. Dois deles são os pato-branquenses, Adriano Matana e Roberto Carlos Felipe.

Adriano Matana, hoje padre Diocesano, desde criança, afirmava que queria ser padre. Isso começou por volta dos seis anos de idade, em uma missa na comunidade Fazenda da Barra [hoje pertencente a Paróquia Cristo Rei], de onde é natural.

“Os padres e as irmãs iam lá para celebrar a Santa Missa e eu dizia que queria ser padre. O tempo foi passando e sempre com aquele desejo no coração”, lembra o sacerdote, que há mais de um ano está em Palmas, onde é pároco da catedral Senhor Bom Jesus da Coluna e também chanceler da Cúria Diocesana.

Padres destacam que a vivência de frei Policarpo é o testemunho de vida

Mas quem, de fato, acendeu a chama para que Matana fizesse parte da vida religiosa foi Policarpo. Além de ter sido batizado pelo frei — que completa sete décadas de sacerdócio —, antigamente também celebrava as missas de Natal, na comunidade de Independência [hoje pertencente à Paróquia Nossa Senhora de Fátima], onde residem os avós do jovem sacerdote e local em que se reunia toda a família.

“A primeira memória que tenho de frei Policarpo é que, nessas missas, ele ia perto do presépio e falava com tanta docilidade das figuras do Menino Jesus, de Maria e de José. Então, todas as vezes que alguém faz referência a ele, “vem à memória a imagem desse frei tão gentil e amado; um homem de Deus próximo ao presépio com as mãos postas, falando com muito amor, dedicação e profundidade da figura da mensagem do Natal”.

Matana, no ano de 2004, ingressou num seminário propedêutico, em São João, permanecendo durante um ano para aprofundamento e discernimento. Entre 2005 e 2007, frequentou o curso de Filosofia, no Seminário Diocesano Bom Pastor, em Francisco Beltrão; e, entre 2008 e 2011, cursou Teologia, em Cascavel, na Faculdade Missioneira do Paraná (Famipar).

Já o seu estágio pastoral ocorreu na Paróquia da Nossa Senhora Aparecida, em Salto do Lontra, em 2012. Neste mesmo ano, no dia 25 de novembro, foi ordenado diácono; enquanto que a ordenação presbiteral ocorreu em 31 de agosto de 2013. Passou por vários lugares desde então [inclusive em Canaã dos Carajás, no Pará], mas voltou para o Sudoeste e hoje atua em Palmas.

Ordenação

Com o passar dos anos, Matana e Policarpo se encontraram algumas vezes. “Encontrava-o na rua e sempre era uma alegria. Ele com o seu jeito peculiar, sempre rapidinho, mas sempre dando atenção as pessoas que se aproximam dele. Conversamos algumas vezes e recebia a tradicional bênção, que nunca falha. Lembro que, uma ou duas vezes, conversamos sobre vocação e confissões. Em outros momentos, sempre era grato por encontrá-lo e com muito orgulho de ter sido batizado por ele”.

Mas o momento mais próximo recente com o frei, de fato, foi em sua ordenação em 2013. Matana relembra que levou o convite pessoalmente a Policarpo, que logo disse que estaria presente.

“Isso foi uma graça, por ter aquele que me colocou no caminho da fé; que me deu, em nome da igreja, a fé. E ver essa fé chegando à consolidação da vocação sacerdotal, para a qual fui escolhido, é muito singular. É um sentimento de gratidão a Deus por essa dádiva, por esse dom”.

O hoje chanceler da Diocese de Palmas e de Francisco Beltrão afirma que foi “maravilhoso sentir quando [Policarpo] impôs as mãos em minha cabeça, depois me deu um abraço e, no final, Dom José Antônio Peruzzo pediu que me dissesse algumas palavras, visto que eu já sabia que seria enviado às terras do Pará. Policarpo me disse para nunca esquecer de Nossa Senhora. Tanto as palavras, como a bênção que proferiu ao final da missa, não me acompanharam só nas terras do Pará, mas permanecem comigo ainda hoje”.

Padre Adriano Matana no momento da imposição das mãos por frei Policarpo

Sempre presente

Mas não são somente as boas lembranças que Matana carrega consigo. Também uma imagem em miniatura do frei Policarpo. Ele conta que, certo dia, quando foi dar a bênção numa casa de amigos em Pato Branco, viu que no pequeno altar da família havia uma “imagenzinha de frei Policarpo. Depois que terminei a bênção, pedi à senhora, dona da casa, onde ela tinha conseguido a imagem. E ela prontamente disse que iria conseguir uma para mim também”.

Uma semana depois, a família o entregou a miniatura. Ele a descreve como muito parecida com o frei, com suas mãos abençoando. “Ela está em meu escritório de trabalho, juntamente com as imagens de São Miguel; do Cristo Rei do Universo; de São João Paulo II; e da bem aventurada Virgem Maria. Esses são os santos que me acompanham na minha vocação, no apostolado e na missão. Não poderia deixar de ter aquele que foi a razão, que plantou a sementinha da fé em minha vida, possibilitando tudo isso”.

Matana diz ser muito grato a Deus por ter lhe dado a bênção de ter “esse ícone da fé sudoestina em minha vida. Oxalá que possamos nos inspirar cada dia mais nesse santo [podemos dizer assim], que emana a energia, a santidade que Deus lhe depositou. Que o Senhor da Glória nos ajude a olharmos ao frei Policarpo e nos tornemos melhores a cada dia. Isso sim é experiência de Deus, isso sim é viver a vocação. Que longos anos possamos ter esse santo de Deus caminhando entre nós”.

Atravessando fronteiras

Roberto Carlos Felipe também se inspirou em “Polica”, como ele carinhosamente o chama, para seguir na vida religiosa. Natural da comunidade de São João Batista, há quatro anos está em Trás-os-Montes, em Portugal, e pertence à congregação dos Padres Marianos da Imaculada Conceição.

Assim como Matana, Felipe também tem um histórico junto ao frei Policarpo, que é um padre muito presente em sua família. Casou seus pais [seu João e dona Otília] e batizou os quatro filhos do casal.

“Todos os sacramentos, do batismo, a primeira confissão, a primeira comunhão, recebi de suas mãos”, diz, informando que a família sempre recebia sua visita.

Várias são as características de “Polica”, que Felipe sempre leva consigo. “O contexto todo da vida do frei Policarpo é o testemunho de vida dele. Daquele jeito dele, que todos conhecemos [no tempo mais passado], muito ligeirinho, tudo muito rápido e a gente gostava das missas dele porque ele era rapidinho, né? (risos)”.

Para ele, este homem de Deus [cheio de vida, de alegria e de entusiasmo com a própria vocação] “é um grande testemunho, e no meu ministério hoje uso muito o testemunho dele. Considero-me um padre missionário e, por onde passo, a figura do frei Policarpo sempre é muito presente no meu trabalho pastoral. Pois cresci vendo ele fazer seu trabalho pastoral, dedicando sua vida, testemunhando aquilo que acredita nas suas palavras, no jeito e gesto de ir até o povo, de estar com o povo”.

Padre Roberto Carlos Felipe, afirma que a influência mariana em sua vida é atribuída a Policarpo – Foto Chicoski/Acervo família Felipe

Felipe afirma que tem muitas boas lembranças do frei Policarpo, de quando era pequeno. “As duas figuras que me acompanham são dele e do frei Sérgio Hillesheim, indo às festas na nossa comunidade São João Batista e almoçando aquele famoso frango que frei Policarpo gostava. E esse testemunho da alegria. Quando a gente é pequeno, essas coisas marcam muito e a mim me marcou. Da alegria daquele homem que, com certeza, tinha e tem suas dificuldades, mas também a alegria de se relacionar com o povo. Isto me marcou e tenho isso muito presente na minha vida pastoral”.

Ordenação

Da mesma forma que Matana, padre Felipe teve a graça de ter a bênção de Policarpo quando foi sagrado sacerdote. Ele conta que no dia, depois de ser ordenado, ficou na casa paroquial com os padres e os freis.

E no outro dia, durante o café da manhã, ao conversar com Policarpo, disse a Felipe que estava lembrando de sua ordenação. “Naquele lembrar de sua ordenação, disse-me que a vida de padre, de religioso, não é fácil, mas vale a pena. Aquelas palavras, na alegria do momento, talvez não tiveram grande peso. Mas, no decorrer da vida, a gente vai percebendo realmente que a vida do sacerdote, do religioso não é fácil, mas vale a pena, e isso é o entusiasmo da minha vida ainda hoje. Isso me faz ter grande carinho por ele, por esse testemunho de vida”.

Devoção

Frei Policarpo tem grande devoção à Maria, Nossa Senhora. Isso, padre Felipe observou por meio de um gesto carinhoso que teve durante uma festa de Nossa Senhora de Lurdes, na comunidade de São João Batista.

Segundo ele, houve a procissão e a missa naquela ocasião. “Policarpo, ao colocar de volta a imagem de Nossa Senhora de Lurdes na gruta, beijou os seus pés. Sempre me questionei o porquê de não beijado as mãos ou o rosto. Mas hoje entendo esse gesto de frei Policarpo, de que justamente é o filho predileto de Maria que se coloca aos pés de Nossa Senhora, quer dizer, consagra a sua vida à Nossa Senhora”.

Essas pequenas imagens e gestos dele, que ficaram gravados em sua memória, fizeram com que padre Felipe se tornasse mariano. “A influência dele na minha escolha como religioso foi muito grande, tanto que naturalmente eu deveria ser franciscano, devido que cresci nesse ambiente. Mas, quando iniciei o meu caminho vocacional, uma vez perguntei para ele o que deveria fazer para ser padre. Ele disse assim: ‘Reza para Nossa Senhora e escuta o teu coração’. E esse conselho me acompanhou e me acompanha até hoje”.

Inclusive, Felipe hoje passa o legado aos jovens que fazem a ele o mesmo questionamento. “Digo a mesma coisa, dou esse mesmo testemunho, que para mim é muito forte esse gesto de carinho, de amor dele para com Nossa Senhora”, relata, acrescentando que não tem nada físico dele consigo em Portugal, porém “guardo mesmo dele essas coisas imateriais, que para mim também são de grande valor”.

Felipe também é muito grato ao “Polica”, por tudo o que representa no mundo. “Um testemunho de humano fantástico, um religioso, um missionário exemplar, que testemunha, prega e vive aquilo que acredita. Além de sua alegria e autenticidade. Deixo a minha mensagem para ele como agradecimento por aquilo que foi e é em minha vida e da minha família”.

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