Especial

Mais sorrisos do que lágrimas … sempre Pato

Final da Série Ouro do Campeonato Paranaense de Futsal - Foto: Marcilei Rossi/Diário do Sudoeste

Motivo de muito orgulho e respeito entre os pato-branquenses, o bicampeão da Liga Nacional recebe apoio dentro e fora de quadra de todos que por ele torcem. Do pequeno ao idoso, cada um em seu ritmo, apoiam juntos o time de Pato Branco 

É comum ver e ouvir pato-branquenses demonstrarem um grande orgulho e admiração por seu Município. Um nato pato-branquense fala com a boca cheia que mora na cidade que, além de ser referência na geração de empregos, no desenvolvimento de novas tecnologias e na qualidade de vida, é também referência no espetáculo de Natal, sendo um dos mais completos da região e do estado.

No entanto, quem mora em Pato Branco não tem orgulho somente dos títulos e da estrutura que o Município possui. Os pato-branquenses também se orgulham e defendem, com todas as forças, o Pato Futsal. A paixão pela modalidade é antiga, mas ganhou proporções maiores com a participação da Liga Nacional de Futsal (LNF) e a conquista da Série Ouro do Campeonato Paranaense de 2017.

Em todos os jogos em casa, é facilmente possível notar a presença de diversos públicos. No ginásio, assistem, vidrados e ansiosos ao time, desde crianças pequenas, que mesmo antes de conseguirem formar frases completas já brincam com as bolas nos pés imaginando ser um dos craques do time, até os adultos e idosos. Em jogos em casa, não importa a idade, a cor, a condição financeira ou o gênero. No ginásio, todos são um — todos são a torcida do Pato Futsal, que unidos gritam “É tradição não é moda…”.

Nunca é tarde para torcer

Em todos os jogos do Pato em casa, dona Lídia, com seus 74 anos de idade, está presente, mesmo quando sua filha não consegue acompanha-la – Foto: Marcilei Rossi/Diário do Sudoeste

Exemplo de que nunca é tarde para recomeçar, a aposentada, Lídia Patro, com 74 anos de idade, começou a acompanhar a equipe do Pato Futsal ainda no início do time, em 2010, no auge de seus 64 anos.

Segundo ela, sua paixão por esportes já vem desde cedo, quando ainda era uma criança e adorava brincar jogando bola e assistindo a campeonatos. Porém, o gosto pelos jogos foi deixado de lado quando se casou e voltar a falar mais alto quando ela se divorciou. “Foi aí que comecei a ir nos jogos e também a dançar”, contou dizendo que fazer parte da torcida do Pato é como fazer parte de uma outra família. “Eu não sou de ir na casa dos outros. Gosto de estar com a minha família, de ir dançar e de ir nos jogos. Isso para mim, me faz muito feliz.”

Dona Lídia divide a paixão pelo time com a filha Sandra, que junto com a mãe vai a todos os jogos. “Quando minha filha não pode ir no jogo, ela me leva e depois eu volto sozinha. Até me perguntam ‘vó, tu vai sozinha?’ e eu respondo que nunca estou sozinha e sim com Deus, que é para quem peço as bênçãos ao time todos os dias em minhas orações”, contou.

Haja coração

Durante um jogo emocionante, os sentimentos de um torcedor podem ser diversos, passando por vários estágios e intensidades. O nível de tensão pode ser tão alto que em alguns casos podem levar a derrames e infartos. Fato esse, comprovado por um estudo científico realizado na Universidade de São Paulo (USP). Em 2013, a instituição de ensino mostrou que os infartos aumentavam de 4% a 8%, entre os torcedores brasileiros, durante jogos da Copa.

Com os torcedores do Pato Futsal a tensão também existe, e é comprovada por torcedores como a aposentada dona Lídia, o bancário, Ronaldo Felipe Pereira e sem sombra de dúvidas com os outros milhares de torcedores do clube. No caso da aposentada, a tensão é grande em todos os jogos, sendo alguns dias necessários ela mesma se acalmar. “Tem horas que eu digo que não vou mais assistir porque vai me dar um treco”, fala comentando que por maior que seja a tensão ela não consegue e quer parar de acompanhar os meninos.

Ronaldo Felipe Pereira acompanha o time desde 1997, quando ainda era Atlético Parati – Foto: Arquivo pessoal

Já Pereira, comenta que um dos maiores episódios de tensão que vivenciou enquanto torcedor do Pato foi na final da Série Ouro em 2017, onde o time disputava o título contra o Marreco, no ginásio Dolivar Lavarda. “Na segunda metade do segundo tempo eu estava tão nervoso que sai do ginásio e fui caminhar na pista do Largo da Liberdade rezando para a equipe assegurar a vitória no tempo normal que era o que precisávamos.” Naquele 9 de dezembro de 2017, o Pato Futsal devolveu o placar do primeiro jogo, e sagrou-se campeão da Ouro nos pênaltis.

A paixão de Pereira pelo time surgiu quando o Pato ainda era chamado de Atlético Parati [Atlético Pato-Branquense]. Na época, 1997, o torcedor, que se denomina como fanático, era ainda uma criança com 12 anos de idade. “Voluntariamente ajudei o Lavardinha nos bastidores e viajava com a equipe na primeira temporada adulta que o Pato disputou em 2011 onde fomos campeões da Série Prata. Procuro ajudar a equipe com a aquisição do sócio torcedor e vou quando consigo a todos os jogos no Lavardão”, contou ao explicar porque se considera um fiel torcedor.

Superstição também vale

Conforme a empatia pelo time foi aumentando, Pereira conta que passou a crer mais em simpatias e superstições na hora dos jogos, principalmente nos fora de casa.

Segundo ele, as viagens para acompanhar o Pato já não acontecem mais. “Assisto todos os jogos, seja no ginásio ou na internet. Porém, não viajo mais, pois, tenho medo de dar azar ao time que vem conseguindo excelentes resultados”, disse comentando que coleciona itens do clube assim como todos os uniformes desde a temporada de 2007.

Brincadeira de criança

Ao longo de sua trajetória, de suas conquistas e de seus momentos difíceis, o Pato foi conquistando a empatia e a paixão por torcer de inúmeras pessoas. Entre seus torcedores, um público que cresce cada vez mais e tem o time como motivo de orgulho e inspiração, são as crianças de Pato Branco.

Estes pequenos, ousamos dizer que, em alguns casos, são mais torcedores e sabem mais sobre o time e os jogadores, do que muitos adultos que sempre acompanharam a equipe.

Nos jogos em casa, o ginásio ganha vida e em questão de segundos após aberto os portões conta com um público enorme de crianças, todas devidamente uniformizadas e atentas para o início da partida, sem falar as enormes filas que formam ao lado da quadra para poder entrar com o time. Gritos ensurdecedores como “tio, me deixa entrar; tio abre o portão pra gente brincar com o mascote; O Djony tira uma foto comigo” são comuns e já fazem parte do show.

Com 9 anos de idade Fabrício, que sabe tudo sobre seu time, é um grande fã do goleiro Djony – Foto: Arquivo pessoal

Um exemplo é o Fabrício Eduardo Fiorini Bianco, que com 9 anos de idade não perde nenhuma partida, sabe tudo sobre o time, faz questão de entrar em quadra com a equipe em todos os jogos em casa e tem como ídolo o goleiro Djony. “Meu primeiro jogo fui com meu papai, era tão legal que até convenci minha mamãe a ir nos jogos. Ela gostou muito e até comprou o uniforme para todos nós”, conta o menino completando que “não vejo a hora de chegar [poder voltar a ver do ginásio] o jogo do Pato.”

A mãe, Evandra Carla Fiorini Bianco, que também é uma grande fã do time, comenta que o filho é bastante fanático pelo time, tendo já ficado extremamente triste por não conseguir entrar em quadra no ano passado, por não estar usando o mesmo uniforme do time. “Ele voltou para a arquibancada decepcionado, quase chorando, me dizendo que não poderia entrar. Graças a Deus, minutos depois o Pato liberou a entrada na quadra e aí, acabou a tristeza”, relembra a mãe dizendo que toda a família é torcedora fiel do time e que para assistir a alguns jogos já passaram horas na fila.

Samuel, com 6 anos de idade, costuma assistir, atenciosamente, a todos os jogos com seu pai, seja no ginásio ou em casa – Foto: Arquivo pessoal

Assim como Fabrício, o pequeno Samuel Lazarin, com 6 anos de idade, acompanha fielmente todos os jogos do time. Segundo seus pais, Daniela Trojan e Elias Lazarin, o pequeno curte tanto a equipe, que nas brincadeiras em criança, o time dele sempre se chama “Pato Futsal”.

Mesmo tendo apenas 6 anos, Samuel já é um torcedor assíduo e deixa claro que sofre a cada partida do time. Conforme seus pais, durante cada jogo o pequeno fica agoniado, nervoso e chega até mesmo a roer as unhas. “Desde pequeno o Elias sempre mostrou e incentivou ele a se interessar em assistir e a torcer pelo time. Foi então que ele pediu para nós uma camisa do Pato. Nós demos a ele o uniforme e hoje, se deixar ele fica só com o uniforme”, conta a mãe.

Camisa 6

Responsáveis por agitarem o ginásio e os torcedores com suas batidas e seus cantos tradicionais, a torcida organizada Camisa 6, foi criada em 2007, como já foi visto, em outro momento do futsal de Pato Branco.

Ao longo de toda a trajetória do time, a Camisa 6 já faz parte da equipe do clube, funcionando e planejando seus reportórios de jogos sempre em sincronia com a equipe.

Segundo um dos membros e responsáveis pela Camisa 6, Roberto Pontes Maciel, a torcida organizada, formada atualmente por aproximadamente 50 pessoas, busca sempre dar o máximo de apoio a equipe. “Procuramos sempre conversar com o presidente sobre o que a torcida precisa e o que ele precisa da torcida”, disse.

Torcida Organizada Camisa 6 – Foto: Mauricio Moreira

Torcer na pandemia

Em dia de jogo, estamos acostumados a presenciar o ginásio Dolivar Lavarda cheio. Estamos acostumados a ver pessoas, de todas as idades e classes sociais, gritando e apoiando seu time de coração. O esporte, muito mais do que uma prática de exercício físico e de uma disputa, é também, para a torcida pato-branquense, um lugar de reencontro, de lazer e de diversão, entre a criançada, os amigos e familiares.

Com a pandemia do novo coronavírus, os torcedores foram obrigados e ver seus craques, somente por trás das telas. Hoje, nos 10 anos de Pato Futsal, os craques jogam com o ginásio vazio, mas jamais, em hipótese alguma, estão sozinhos, porquê de suas casas, cada torcedor, de uma forma ou outra, assiste vidrado a cada passe de bola e torce como ainda mais, como se toda a energia possa ser entregue a seu clube do coração, mesmo que de longe.

Assim como dona Lídia, Pereira, Samuel, Fabrício, a torcida organizada da Camisa 6 e todos os outros milhares de torcedores do Pato Futsal, estão longe de seu time, porém, atentos e torcendo ainda mais para que seus craques mandem bem em campo. Como a própria dona Lídia diz, “não é porque não estamos na arquibancada que não estamos com eles. Estamos em casa torcendo mais do que se fosse no ginásio. Sofremos igual.”

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