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No comando do Paris Saint-Germain, Mauricio Pochettino precisa recuperar a excelência dos franceses dentro de casa

Fora raríssimas exceções que se revelam mais como peculiaridades individuais de clubes do que um elemento que permeia todo o futebol na Europa, é muito raro ver trocas de comando entre os grandes times do Velho Mundo em meio de temporada. Mesmo quando os resultados registrados pelo técnico não são dos melhores, é-lhe oferecida um grau de paciência invejável ainda mais quando fazemos comparações com o futebol brasileiro e seu aparente viés para resultados, e não para o conjunto de trabalho em si, nas análises dos dirigentes sobre os líderes nas laterais dos gramados.

Assim, a troca imediata no Paris Saint-Germain do alemão Thomas Tuchel pelo argentino Mauricio Pochettino surpreendeu boa parte do mundo futebolístico dentro e fora da França. Afinal haviam poucos meses desde que Tuchel liderou o PSG para um vice-campeonato da Champions League, com o título sendo perdido para os eventuais campeões, o Bayern de Munique, em uma derrota simples por 1 a 0.

Entretanto a sinceridade de Tuchel ao vocalizar seus problemas com as escolhas do clube no mercado de transferências tanto em compras quanto em vendas, em combinação com resultados ruins para começar a temporada 2020-21, enfraqueceram de maneira irreversível os “pilares” que mantinham o alemão no comando do PSG. Além disso, é possível que o time francês não queria deixar passar a oportunidade de tentar a sorte com Pochettino, um excelente treinador que estava sem clube desde sua demissão do clube da Premier League inglesa, Tottenham, na primeira metade da temporada 2019-20.

Acertos e erros

Tuchel chegou ao Paris Saint-Germain na sequência do espanhol Unai Emery. Seu predecessor foi contratado pelo PSG após um trabalho incontestavelmente excelente no Sevilla, onde conquistou três título seguidos da Europa League em 2014, 2015 e 2016. Mas mesmo com um elenco superior ao do seu antigo time na Espanha, Emery falhou em reproduzir tal sucesso nos campos parisienses.

No PSG, Tuchel foi parcialmente responsável por várias mudanças de elenco que fizeram do PSG um time mais combativo. O foco era vencer duelos a partir do meio-campo por meio de jogadores como Ander Herrera e Idrissa Gueye, e fazer a conexão imediata entre o setor e as estrelas ofensivas Neymar e Kylian Mbappé através de Ángel Di María e Leandro Paredes. O resultado foi uma unidade ofensiva que ajudou o PSG a marcar mais de 100 gols no campeonato francês na temporada 2018-19, quando Tuchel iniciou seu trabalho.

Mas a segunda temporada de Tuchel teve um PSG não tão mais arrojado. A produtividade ofensiva caiu e enquanto o foco maior na defesa pode ter sido o diferencial que levou o time francês à final da Champions League, a falta de um ataque mais contundente foi também a razão pela falha na missão de finalmente levantar o tão sonhado troféu europeu. Estes problemas se estenderam para a temporada atual e com Tuchel não medindo palavras em suas reclamações públicas sobre o clube, sua demissão se tornou algo quase inevitável após maus resultados na liga francesa no fim do ano passado.

Hoje o PSG se encontra em uma situação inusitada, com 42 pontos em 20 jogos e em uma batalha real pelo título contra o Lyon e o Lille. São 14 pontos a menos do que os registrados na temporada 2018-19 nesta mesma altura do torneio. Talvez por isso que no dia 20 de janeiro, sites de futebol bets como a Betway colocavam o Paris Saint-Germain como quarto favorito ao título da Champions League este ano, com 8,3% de chances de atingir o primeiro lugar do pódio. Enquanto isso, o vitorioso Bayern mantem-se como favorito ao torneio europeu, apesar de estar em situação semelhante na Alemanha.

Reajustes necessários

A missão primária de todo técnico que chega ao Paris Saint-Germain é o título da Champions League, e isso não será diferente para Pochettino. E quanto antes ele poder se mostrar capaz de liderar o PSG de volta ao grande palco que é a final do maior torneio de clubes da Europa, melhor para sua longevidade como comandante do clube, e até como sinalização de que investimentos em seu elenco não serão um “desperdício”.

Mas no Tottenham, Pochettino ficou marcado por ser um técnico que consegue fazer muito apesar de ter menos recursos do que seus adversários. As maiores estrelas do seu time eram jogadores como os atacantes Harry Kane e Son Heung-Min, e o meia-atacante Dele Alli. Os três foram “apostas” do técnico em trabalhar com jogadores jovens no nível profissional que deram muitos frutos subsequentes, incluindo a presença na final da Champions League em 2019 – onde foram derrotados pelo Liverpool por 2 a 0.

A nível de performance no curto prazo, a preocupação de Pochettino deverá ser a recuperação da letalidade que o PSG demonstrava em frente aos gols. Enquanto 44 gols em 20 jogos na liga francesa é marca invejável para qualquer time que se preze, incluindo alguns dos maiores da Europa, este time do PSG já conseguiu alcançar médias de quase 3 gols por jogo ao mesmo tempo que mantinha uma solidez defensiva de menos de um gol sofrido por partida.

Recuperar-se a nível nacional trará excelentes frutos no nível internacional. Com a confiança de que o título nacional está a passos de ser garantido, o time poderá voltar atenções à Champions League novamente e quem sabe assim recolocar-se na final do torneio, desta vez com a gana, a habilidade e a confiança necessárias para se tornar campeão da Europa em definitivo.

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