Especial

O que um jogador precisa para ser ídolo?

Elenco de 2012, que tinha Vando como capitão - Foto: Arquivo Diário do Sudoeste

O Pato Futsal até pode ter uma história relativamente recente, se comparada às equipes que há mais tempo estão no cenário nacional, e, nem por isso sua trajetória tem seu brilho ofuscado, pelo contrário, é rica.

Nos 10 anos do clube, vale lembrar que, em alguns momentos, a atividade esteve mais afastada do público, com a atuação principalmente com a base, ou até mesmo suspensas. Isso não diminuiu a admiração do pato-branquense pelo esporte.

Os torcedores do início da década passada carregam vivas as memórias do time que deu o pontapé inicial para o que se vive hoje. Inevitavelmente esse resgate de lembranças se confunde também com outras recordações, a do elenco de 2006, do então Atlético Pato-Branquense.

Também pudera, o próprio presidente é considerado um ídolo do esporte local. Já há um bom tempo sem jogar, vez ou outra alguém recorda um ou outro lance do camisa 9, Lavardinha.

Quem também tem seu nome ligado a essa trajetória, é Vando Ronsani, para a torcida, o capitão de 2011 e 2012. Mas o camisa 4, não apenas jogou pelo Pato, como por três anos atuou na base, de 2014 a 2016.

Vando conquistou a série Prata do Campeonato Paranaense de 2011, com o então treinador Márcio Borges, e também esteve presente na Ouro sem muito brilho de 2012. “Falar do Pato Futsal é uma felicidade muito grande. O Pato não foi só alegria, não foi só tristeza”, afirma ele falando que é um misto de momentos vivenciados no clube.

Ele descreve o elenco de 2011, como um grupo que “amava defender o Pato”, e é essa entrega que pode ter contribuído para relevar muitas das dificuldades vivenciadas na época, assim ele recorda a viagem para Telêmaco Borba, de 11 horas de estrada, e ao chegar no ginásio do jogo, não havia condições de partida pela umidade da quadra. “Estávamos todos preocupados, um time de pouca renda, …, nosso presidente [Luiz Sérgio Lavarda] entra no ônibus e fala, ‘o importante é que viemos jogando cacheta e temos a volta para jogar e recuperar o dinheiro perdido’”, descrevendo assim o ambiente do time mesmo nas adversidades.

Naquela época, Vando já era bem conhecido da torcida, uma vez que também esteve no time campeão de 2006, contudo, afirma que a experiência de 2011, foi diferente pela responsabilidade de ser o capitão, por aquele grupo ser composto por atletas jovens, a exemplo de Tato, Juninho (Malinha), Dedé.

“O Pato Futsal me deu muitas alegrias, fiz muitos amigos, mais que amigos, são praticamente irmãos”, fala Vando, lembrando das dificuldades daqueles momentos e os conselhos que hoje busca passar para seus alunos de escolinha, ou até mesmo de equipes que treina, “aproveite esses momentos. Aproveite as fases ruins e as boas para se ter lembranças”.

Robério

Foto: Mauricio Moreira

Recentemente transferido para Portugal, Robério viveu o protagonismo em diversos momentos da equipe do Pato. Ele chegou em 2016, após ter cogitado deixar o esporte para se dedicar aos estudos, mas em Pato Branco, construiu uma carreira vitoriosa que lhe abriu as portas para o futsal internacional.

Robério recorda as dificuldades fora de quadra de 2016, mas descreve o elenco como um grupo que mesmo com peças muito jovens tinha o desejo de fazer algo, ao mesmo tempo em que, “as coisas iam dando certo pra gente dentro de quadra”, diz avaliando que a conquista daquele ano abriu as portas para o Estadual de 2017 e o ingresso na Liga Nacional de Futsal (LNF).

O jogador revela que na metade da temporada de 2016, recebeu uma proposta de jogar em outra equipe paranaense e que estava disputando a Liga. “Me identifiquei com a cidade [Pato Branco]”, o que fez ele ficar no time e compor os elencos seguintes, no momento mais vitoriosos da equipe até então.

Robério esteve em quadra no amistoso de 2016, com o Magnus Futsal. Ele já tinha jogado contra Simi em outras oportunidades, descreve 2017 como um ano importante para sua carreira, por ter a oportunidade de jogar com um dos maiores ídolos do futsal nacional.

Foi também nas temporadas 2016/2017 e 2017/2018, que Robério fez parcerias dentro e fora de quadra. Nas séries Prata e Ouro, ele dividiu quadra com Jan Guimarães, mas foi com Daniel Batalha, que o entrosamento ficou mais visível.

O pivô recorda do entendimento entre os dois, e da segurança que o fixo lhe dava para buscar o ataque.

Já em 2018, logo após as conquistas da Taça Brasil e da Liga Sul, um dos momentos profissionais mais marcantes da carreira segundo Robério, ele foi submetido a um procedimento cirúrgico, que lhe deixou por um longo tempo afastado das quadras.

Durante a recuperação, a vontade de estar em quadra fazia com que estivesse constantemente em contato com o restante do elenco, mas quem sabe além do apoio da família e dos companheiros, a força para retomada surgiu das crianças, que sempre estiveram por perto.

Neguinho

Foto: Mauricio Moreira

Falando em sentimento de dever cumprido, Neguinho se diz honrando em ter feito parte do Pato por três anos, e principalmente desde o início da visibilidade nacional. Quando anunciado no elenco de 2017, ele afirmou que o objetivo era em três anos fazer o Pato campeão.

Ainda em 2017, ele viveu um dos momentos que até hoje o deixa emocionado. A eliminação nas oitavas de final da Liga para o Foz em pleno Dolivar Lavarda segundo suas próprias palavras “pesou muito”, contudo, ele recorda que “na outra semana a gente recuperou os cacos. Lembro de uma conversa aqui no centro da quadra eu falei: eu sou o cara que mais devia estar sofrendo aqui, mas eu vou arrumar força de qualquer lado e a gente vai ser campeão paranaense, e no final tudo vai dar certo”. Ao final daquele ano, o Pato foi campeão paranaense, e Neguinho renovou para 2018, ano que o time somente não conquistou uma competição disputada.

“A cobrança se torna maior porque você se manter no topo é muito difícil, todo mundo fala isso e realmente é uma verdade na prática”, comenta ao se referir a expectativa criada para 2019 e até mesmo o sentimento dos jogadores que passaram a compor aquele elenco.

O ano de 2019 também marcou Neguinho fora da quadra, um acidente de automóvel, após a Copa do Brasil, lhe deixou sem jogar por um tempo, mas nem por isso longe do time. “Lembro de várias vezes quando eu estava fora, que eu tinha me acidentado, jogadores descendo todos chateados que não conseguiram jogar, meio que desacreditando eu falava gente calma, é um mata-mata que resolve”.

Neguinho pontua que o time teve altos e baixos na primeira fase. “A gente não estava legal”, mas segundo ele, “tem que ressaltar a força que a gente teve né, eu não falo dos principais jogadores, ou os jogadores que a torcida mais gosta, ou os que fazem mais gol, mas todo o plantel. Foi um plantel que se superou, todos os jogadores tinham uma importância muito grande, por isso eu acho que funcionou, isso me lembrava um pouco 2018 porque nosso elenco era muito fechado, muito unido e todo mundo tinha uma importância, se as vezes o cara não entra, mas ele estava apoiando, como eu vi o Robério machucado fazendo isso, como eu vi o Denner que jogava pouco ser protagonista na reta final para gente, e isso que deixava a gente e me deixa muito feliz.”

Depois de três anos no Pato, ele pondera que algumas coisas teria feito diferente. “Às vezes a gente acha que está aproveitando, as vezes não é isso. Eu ia aproveita mais os momentos com as pessoas que trabalham aqui há muito tempo, que eu tenho à proximidade muito grande hoje”  e conclui “vivi bons momentos, por mais de ter passado um momento difícil, mas aqui eu tive muito mais alegria do que tristeza.”

Di Maria

Foto: Mauricio Moreira

Henrique da Cunha Elgart, é Di Maria, antes de vestir a camisa do Pato por duas temporadas, estava na ACBF, uma das mais vitoriosas equipes de futsal do mundo. E foi em Carlos Barbosa (RS), que ele diz ter ouvido de então companheiros da época. “Ah, você é louco. Querer ir para uma equipe que não tem tanta tradição, não é muito respeitada no futsal, não tem uma história ainda”.

Ele revela que na temporada de 2017, outras propostas lhe foram feitas, inclusive do Corinthians, mas optou por estar no interior e não em São Paulo. “Foi uma aposta que, graças a Deus, deu certo nesses dois anos e conquistamos bastante títulos; ficamos marcados na história do clube.”

Di Maria ficou marcado na história do Pato, por gols importantes, nos segundos finais das partidas. Hoje ele brinca que Well não quis fazer o segundo gol da prorrogação na final da Liga de 2018, e acabou passando para ele. “Ficou para mim, a missão de consagrar.”

Outra situação foi na segunda partida das quartas de final da Liga de 2019. O Pato que tinha vencido em casa, foi a Carlos Barbosa para buscar a classificação. Depois da vitória dos donos da casa no tempo normal, a prorrogação encaminhava para a eliminação do Pato, foi quando o camisa 17 atuando como goleiro-linha, construiu o lance que ele mesmo narra, sem esquecer que segundos antes já vinha pensando no que ia falar na entrevista do pós-jogo.

Di Maria marcou ainda gols pelo Pato como na segunda partida da final de 2019, onde converteu duas vezes, o que contribuiu para seu nome ser lembrado pelos torcedores. “Agradeço por tudo, pelos momentos que vivi, não só no ginásio, mas com a torcida que até hoje manda mensagem com carinho. Então quero agradecer esse carinho que as pessoas têm por mim, pelo atleta que sou, e desejar todo sucesso ao Pato Futsal, e que possa continuar conquistando os títulos que sempre é o objetivo do clube.”

Djony

Foto: Mauricio Moreira

Convidado por Sério Lacerda para defender o Pato em 2018, Djony é “o homem” de confiança do treinador no gol. Eles já trabalharam juntos em outras oportunidades, mas foi em Pato Branco que escreveram as páginas mais vitoriosas. “Confesso que, no início [quando recebeu o convite do treinador], fiquei com pé atrás, porque o Pato [em termos de cenário nacional] estava engatinhando”, comenta o goleio que diz não se arrepender da escolha feita. “Está sendo um momento muito especial na minha carreira; talvez um dos melhores.”

Para ele a família do Pato, como define o ambiente bom dentro e fora de quadra criado em 2018, teve como consequência os resultados.  “O pessoal se dava muito bem, era uma família mesmo. Normal, como existem brigas, toda família tem isso. Mas foi muito especial, dentro de quadra a gente se dava muito bem.”

Recordando que nas temporadas anteriores sempre acabou trocando de equipe, o goleiro, que agora está em seu terceiro ano no Pato, acredita ter criado uma identidade com a equipe.

A identidade a que ele se refere passa também pela torcida, que para Djony é um diferencial . “Sabemos que jogar aqui dentro do nosso ginásio, todos comentam que é um ginásio pequeno, que tem pouca capacidade. Mas todos que vêm jogar aqui sente a pressão. Porque, apesar de ser um ginásio pequeno, as arquibancadas são bem próximas e a torcida bem calorosa faz muita pressão no adversário. Isso é um fator essencial e sabe que, sem eles, talvez não conseguiríamos esses títulos.”

O ano de 2019 para o goleiro não foi vitorioso apenas dentro de quadra, ao conquistar o bi da Liga Nacional, e o título de craque da Liga, mas também pelo nascimento de seu filho Vicente, que carrega na certidão de nascimento Pato Branco.

Danilo Baron

Foto: Bia Todelo

“Teve gente que riu da minha cara quando eu fui para Pato Branco [para o Pato Futsal]”, assim Danilo Baron segue dizendo que em 2017 começou uma bonita história no futsal, que se estendeu até 2018.

Recordando que a expectativa com o time era grande, ele descreve o projeto como “arrojado, de um time que estava na Série Prata, foi para Série Ouro e para Liga”, assim, o que não faltou foi cobrança da torcida.

Pelo Pato, Baron é campeão paranaense da Série Ouro, da Taça Brasil, da Liga Sul e da Liga Nacional de 2018.

Quase dois anos após a contusão que o tirou da final da Liga de 2018, o jogador afirma que ainda fica apreensivo em relembrar do episódio, principalmente por toda a caminhada que tinha sido trilhada naquele ano. Ao mesmo tempo, ele diz que tinha feito a parte dele em quadra e que mesmo tendo ficado apreensivo por não jogar, estava “tranquilo porque sabia que o time estava jogando bem e que quem fosse entrar iria dar o máximo para sair com o título.”

Baron destaca a entrega de Hernandes, “que estava treinando bem. Ele

estava muito bem”, enquanto que ele próprio passou a ser praticamente um espectador de tudo aquilo que ajudou a construir durante o ano.

Se no jogo contra o Atlântico de Erechim em Pato Branco ele esteve no banco buscando ajudar a equipe, na partida de volta ele esteve muito mais próximo da torcida, inclusive em determinados momentos viu o jogo em meio aos torcedores.

“Que bom que eu saí por cima”, diz Baron, que reflete ter conquistado tudo o que podia em Pato Branco, amigos, parceiros e títulos. “Conquistei amigos, a confiança (como atleta e pessoa) de uma boa parte das pessoas, tanto dos torcedores, quanto diretores e comissão técnica.”

“O que fica é a trajetória, a jornada de como foi conquistado tudo isso. Foi fazendo amigos, brigando pelo time, nem sempre foi um mar de flores, muitas vezes batendo de frente com a diretoria, mas acabou tudo certo. Acho que não faltou nada nem para o Baron, nem para o Pato”, afirma o atleta que se orgulha de como sua jornada foi cumprida no time.

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