Especial

Onde tudo começou

Márcio Borges, o treinador dos acessos do futsal de Pato Branco e a ligação com o time mesmo antes do Pato Futsal

A presença do técnico Márcio Borges na história do Pato Futsal vai muito além da condução da equipe que conquistou a Série Prata do Campeonato Paranaense em 2016, e montou o elenco de 2017.

Na verdade a ligação de Borges com o futsal de Pato Branco remete-se a 2001, quando ele então preparado físico integrava a comissão técnica de Écio Verona, então treinador do Clube Atlético Patobranquense de Futsal.

Foi na década de 2000, que ele teve sua primeira oportunidade como treinado. Convidado por Dolivar Lavarda em 2002, Borges afirma inicialmente ter titubeado com o convite, mas ouviu do presidente o que precisava, o inventivo, a palavra de confiança.

Ainda pelo Atlético, Borges conquistou os Jogos Abertos do Paraná e os Jogos Abertos Brasileiros de 2003, e junto com a equipe sentiu o falecimento de Seu Lavarda em 2004, o que segundo ele, fez o elenco somente terminar a temporada, “não tinha condições, pois ele era o pai de todo mundo”.

Borges se despediu do Atlético em 2005 e em 2006 a equipe foi campeã estadual da Série Ouro no comando de Sérgio Lacerda.

O nascimento de um projeto

Em 2010, o projeto Pato Futsal passava a movimentar a modalidade no Município, o que permitiu o ingresso no Campeonato Paranaense da Série Prata de 2011.

Borges novamente se encontrava com a modalidade e a torcida de Pato Branco, em quadra ele tinha atletas como Fernando [Nando], Douglão, Vando, Alex Gaúcho e Alex Maranhão. Nomes que marcaram a conquista da segunda divisão do futsal paranaense naquele ano, e possibilitou a disputa da Série Ouro em 2012.

Borges recorda que passado o acesso a equipe ficou um tempo fora das competições e em 2015, recém-saído do Keima [Ponta Grossa], foi procurado por Lavarda [Lavardinha], para junto com Leo [outro ídolo do futsal de Pato Branco pelo Atlético] conduzir a base do Pato, que se formava em forma de escolinha no ginásio do Sesi. “Fomos [Márcio Borges e Leo] trabalhar com a base, porque não tinha time adulto, e aquela coisa, sempre com o problema de recurso”, recorda o treinador que recebeu em 2016 o convite para montar a equipe adulta e disputar novamente a Série Prata do estadual.

“A gente [Márcio Borges e Lavarda] não tinha muito mistério, sempre nos demos muito bem”, comenta Borges, pontuando que ao conquistar a competição de 2016 e garantir o acesso para a Série Ouro de 2017, inicialmente, o objetivo era jogar o Estadual.

Borges renovou com o Pato e não apenas formou a equipe, que mais tarde se tornaria Campeã Paranaense da Série Ouro daquele ano, como também foi o primeiro treinador da equipe na Liga Nacional de Futsal (LNF).

“Sou muito feliz na minha trajetória no Pato [futsal pato-branquense], seu [Dolivar] Lavarda me deu a oportunidade lá atrás, depois Lavardinha assumiu, sempre tivemos um bom relacionamento, sempre um buscando ajudar o outro” destaca o treinador descrevendo a cidade como apaixonada por futsal e o time bicampeão da LNF, um dos melhores times do Brasil e do mundo.

Descrito como o treinador dos acessos do Pato, Borges diz que assim como ele esteve naqueles momentos da equipe, a torcida também. “No acesso a torcida estava lá… na Série Prata ela estava lá, na Série Ouro e na Liga Nacional.”

Em 2016 ao vencer a série Prata, a equipe garantiu acesso para a elite do futsal paranaense – Foto: Arquivo Diário do Sudoeste

Essência

Tradição é para Borges a palavra que define o futsal de Pato Branco. “Tem um grito da torcida que fala “é tradição não é moda”, isso tem tudo a ver com a equipe. Desde lá do Grêmio, a cidade de Pato Branco vive bastante o futsal.”

Segundo ele, Pato Branco nunca faz time por fazer, mas para chegar nas finais, se não pelo menos entre os quatro, sendo o título a consequência de tudo o trabalho. “Para vestir essa camisa, tem que [se] doar o máximo possível, tem que honrar o escudo, o Município e isso é muito gratificante. Quem é competitivo gosta disso.”

Sabores de vitória e derrota

Com alguns títulos no currículo Borges pontua que todas as vitórias são saborosas, mas elenca a conquista da Série Prata em 2016 como a mais importantes. “Por toda a dificuldade que tivemos, o título de 2016 foi muito importante [todos os títulos foram importantes], mas 2016 foi muito festejada, porque passamos uma dificuldade muito grande naquele ano. Buscamos o máximo de cada um.”

Na semifinal daquele ano, o Pato estava fora da decisão faltando seis segundos para o término da partida, quando teve a oportunidade de uma cobrança de tiro livre. “Se aquele tiro livre não tivesse sido convertido, o Pato não estaria no ano seguinte na Ouro, e poderíamos nem estar falando em bicampeonato Nacional.”

Por sua vez, a eliminação em casa para o Foz Cataratas no primeiro ano de Liga Nacional é para o treinador, a derrota mais amarga. “Mesmo sabendo que era o primeiro de Liga Nacional, que era uma estruturação para as próximas, sabíamos que podíamos ter ido um pouco mais longe.”

Treinador deixou a equipe em 2017 – Foto: Bia Toledo/Pato Futsal

Revelar jogadores

O treinador se orgulho de revelar jogadores, o que no caso do Pato, abriu as portas para Fernandinho, Leandrinho no início de tudo.

Talentos da cidade que conforme eles jogavam muito bem e tiveram a oportunidade de fazer muito mais do que jogar os interbairros.

Em 2017, o grande achado de Borges segundo ele foi Batalha. “Ninguém conhecia, eu fui buscar em Tapera, foi a indicação de um atleta e hoje está em um patamar, em uma das melhores equipes do mundo.”

Um ano antes, Borges foi o responsável pela contratação de Robério. “Quando chamei em 2016, ele tinha praticamente largado o futsal, ia fazer uma faculdade. Ele veio acreditando em mais um ano no futsal, conquistou 2016, Liga Nacional e é um dos grandes atletas na história do time e do Brasil.”

Foi Borges que também deu a primeira oportunidade para o maior artilheiro do Pato, Juninho, que é carinhosamente chamado pela torcida de “Malinha”.

Natural de Pato Branco, Juninho possuiu a marca de 68 gols com a camisa do Pato Futsal.

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