A menina da bike

Com apenas 15 anos, a beltronense Eduarda Penso Bordignon já é conhecida pelos amigos e amantes do esporte como a menina da bike, ou melhor, do BMX. Foi pela influência e incentivo do pai, um apaixonado por esportes radicais, que a proximidade com a bicicleta passou a ser rotina na vida da filha. Desde pequena sempre mantive contato com a bike, amava poder andar por vários lugares, me sentindo livre.

Divulgação
Eduarda Penso Bordignon, 15 anos, é apaixonada por bike desde os tempos da “caloi super poderosa”. Hoje, ela é atleta de BMX, e vem ganhando destaque na modalidade

Da paixão de infância, Eduarda carrega a responsabilidade de ser destaque no esporte. Hoje, praticamente da modalidade BMX freestyle, já participou de vários campeonatos e alcançou bons resultados. Em Beltrão, conquistou o 5º lugar. Depois chegou à terceira colocação na competição em Itajaí, e foi destaque nos campeonatos de Caxias do Sul (RS) e Cascavel, com o 1º lugar.

Mas se tem uma coisa da qual Eduarda se orgulha é dos medos que deixou para trás. Para ela, conquistar manobras difíceis, e superar as dificuldades na hora de cada salto, a faz querer ir mais longe e alcançar novos desafios na carreira. Me identifiquei com a modalidade por gostar de saltar, e de andar nas pistas. O esporte ainda não é muito divulgado, e há poucas meninas que praticam no Brasil. Mas, aos poucos, está se criando espaço.

Caloi super poderosa

Na infância, ao invés de boneca, Eduarda sempre preferiu as bikes. Gostava de andar pelas redondezas da casa da avó, e improvisa rampas com tijolo, madeiras e até telhas. Na esquina tinha um half, aonde sempre ia para ver os mais velhos praticarem o BMX, lembra.

Começou as primeiras manobras com sua caloi super poderosa. Foi com ela que andei nas primeiras rampas, dropei as primeiras calçadas. Depois de alguns anos, convenceu a família que precisava de uma bike estilo BMX, e aí sim foi possível ir mais longe.

Para a jovem, a bike sempre foi uma paixão, e foi o prazer pelo esporte que fez querer sempre crescer. Via amigos que praticam o BMX saltar tão alto, fluir com facilidade nas manobras, e coloquei na minha cabeça que se eu quisesse evoluir neste esporte bastava apenas coragem e vontade.

O ônus

Saltar de uma rampa para outra e se arriscar em manobras radicais, rende a Eduarda não apenas boas colocações nos campeonatos e destaque estadual. Há que se arcar também com o ônus. Como ela mesma diz andar de bike é ter que encarar joelhos ralados e muitos tombos, porém, sempre usando proteção adequada. Pensamento e rotina de uma profissional.

Além dos machucados, que logo saram, Eduarda precisa lidar com o ambiente masculino. São poucas meninas que praticam BMX, ainda mais em cidades do interior. Tanto é verdade, que nem mesmo os campeonatos abrem inscrições para categorias femininas. Como se isso fosse empecilho para ela: Sempre participo na mesma categoria que os meninos.

Apoio e patrocínio

A família pode ser da mais descolada à conservadora, algo é sempre igual: a preocupação com o bem-estar dos filhos. Por isso, no começo, os pais de Eduarda tinha receio do esporte escolhido pela filha. Por proteção, o primeiro passo deles foi querer conhecer bem o BMX, ainda mais porque eu era a única menina que andava na cidade.

Feito o reconhecimento da área, e percebendo a paixão pelo esporte, o apoio foi consequência. Meu avô sempre ia comigo na pista, pois no início tinha medo. Devo muito a ele por estar sempre do meu lado. Tive a oportunidade de assistir os X Games em Foz do Iguaçu, em 2013. Foi um sonho realizado graças a meu tio Cézar. Lá conheci vários nomes do BMX como Gary Young, entre outros. Não poderia deixar de agradecê-los.

Sem falar no apoio dos amigos, que segundo Eduarda, foi fundamental para seu crescimento na modalidade.

A jovem não possui patrocínios, mas já recebeu vários presentes de marcas respeitadas ligadas ao esporte. Com dedicação e muito treino, não vai desistir até conquistar seu maior sonho: representar o Brasil no BMX mundial.

Como é ter uma filha BMX?

Num território onde a maioria é do sexo masculino, Eduarda sofreu com o preconceito. Mesmo toda feminina, no começo, foi chamada várias vezes de menino. Se para ela foi difícil, imagine para a mãe coruja e protetora. No início nem eu entendia o que era BMX, mas com o tempo comecei a compreender mais sobre o assunto, conta Débora Cristina Penso.

Diz que percebeu o grande reconhecimento que Eduarda tem no BMX feminino por meio das reportagens, vídeos e postagens nas redes sociais. Hoje só tenho que apoiar seu maior sonho, de conseguir patrocínios e poder representar o esporte brasileiro.

O Bicycle Moto Cross, ou simplesmente BMX, surgiu no final da década de 60, na Califórnia, pegando carona na onda do motocross em todo o território norte-americano.

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