Brasileiros vão prestar continência na Rio-2016, diz Nuzman

CLÁUDIO GOLDBERG RABIN E MARCEL MERGUIZO, ENVIADO ESPECIAL
SÃO PAULO, SP, E TORONTO, CANADÁ (FOLHAPRESS) – O presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil) e do Comitê Organizador dos Jogos de 2016, Carlos Arthur Nuzman, 73, não vê problema nos atletas-militares do país prestarem continência no pódio olímpico no ano que vem.
Questionado se os esportistas vão poder continuar a prática disseminada no Pan de Toronto, o dirigente foi enfático.
“Vai. Igual os americanos com a mão no peito. Não tem problema algum. É uma questão de civismo”, afirmou Nuzman.
O COI (Comite Olímpico Internacional) vai avaliar cada caso de atletas que baterem continência nas Olimpíadas do Rio, em 2016. O ato virou praxe entre os atletas militares na competição.
As regras dos COI e da FIFA proíbem manifestações políticas e religiosas no pódio. COB e Odepan consideram que o gesto é de exaltação à bandeira nacional e que não fere o regulamento da entidade.
Questionado sobre o tema, o COI disse, em nota enviada pela assessoria de imprensa da instituição, que o caso nas próximas olimpíadas é “um cenário hipotético e que durante os jogos olímpicos o COI sempre teria uma avaliação sensível para cada caso”.
Mário Andrada, assessor do comitê organizador dos jogos do Rio, acredita que o gesto não fere as regras do COI, que proíbem manifestações políticas no pódio.
“É uma saudação à bandeira por atletas militares. Estão exaltando um símbolo nacional”, diz.
Dos 590 atletas brasileiros competindo no Pan de Toronto, 123 são militares. Quase das medalhas do Brasil são de atletas das Forças Armadas.
Cada vez que um desses atletas vai para o pódio, eles batem continência quando o hino nacional e executado e a bandeira é hasteada.
A continência foi vista em quase todos os pódios do judô, onde chamou mais atenção, mas há militares também na natação, remo e badminton, entre outros.
A inclusão dos atletas nas Forças Armadas se intensificou às vésperas dos Jogos Mundiais Militares de 2011 no Rio. Para obter o apoio militar, que inclui salário em média de R$ 2.300, os atletas têm de ser integrados ao Exército, Marinha ou Aeronáutica.
O primeiro vice-presidente da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana), Ivar Sisniega, afirmou que a entidade não tomará providência em relação ao gestão. Segundo o dirigente mexicano, a atitude não infringe regra ou protocolo da organização.
O COB (Comitê Olímpico do Brasil) defendeu a prática e disse que era uma regra militar e uma manifestação de patriotismo.

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima