Caçula e última em Winnipeg, Fabiana Murer volta ao Canadá pelo ouro

MARCEL MERGUIZO, ENVIADO ESPECIAL
TORONTO, CANADÁ (FOLHAPRESS) – Tudo era novidade na primeira vez de Fabiana Murer no Canadá. A prova do salto com vara estreava no programa do Pan e ela era a caçula da delegação brasileira, com 18 anos.
Hoje, aos 34, 16 depois do Pan de Winnipeg-1999, a saltadora brasileira vai competir pela segunda vez em solo canadense, agora em busca do ouro no Pan de Toronto.
“O Pan de Winnipeg era uma experiência diferente para mim. Eu estava contente por estar participando. É claro que eu também queria saltar bem, mas era muito inexperiente. Eu tinha apenas dois anos de treinos no salto com vara. Tudo muito novo. Foi importante para o meu crescimento, para ver o que é uma competição geral de alto nível, conhecer o esquema de seleções do COB, bem parecido com o da Olimpíada”, diz Fabiana.
Em 1999, Fabiana foi a última colocada da prova, com um salto de 3,50 m. A campeã foi a argentina Alejandra Garcia, com a marca de 4,30 m.
Já a disputa pela medalha nesta quinta-feira (23), a partir das 18h55 (de Brasília) será com um nível elevadíssimo. Além de Fabiana, bicampeã mundial (2010, indoor, e 2011, pista descoberta), a prova em Toronto contará com a norte-americana Jennifer Suhr, atual campeã olímpica, e a cubana Yarisley Silva, medalhista olímpica, mundial e atual campeã e recordista do Pan.
A cubana quebrou o recorde da prova em Guadalajara-2011, com 4,75 m, deixando Fabiana (campeã no Rio-2007) com a prata.
Hoje, Fabiana tem 4,80 m como melhor marca no ano, e é a terceira saltadora no ranking mundial da temporada, atrás da grega Nikoleta Kyriakopoúlou e de Suhr.
“Em Toronto, chego com grande experiência, com vários anos de treinos e de grandes competições, com títulos internacionais. Chego com uma carga diferente e também uma expectativa diferente de buscar medalha e não só participar”, afirmou.
Em Winnipeg-1999, Fabiana foi uma das nove precursoras da prova, pois disputava-se pela primeira vez o salto com vara feminino em um Pan.
A prova feminina também foi introduzida nos Jogos Olímpicos apenas em Sydney-2000. Enquanto a masculina era disputada desde a primeira Olimpíada, em Atenas-1896.
“A prova estava começando no mundo. As marcas não eram tão expressivas como na atualidade”, lembrou Fabiana que, na época, nem treinador pessoal teve para acompanhá-la. “O Elson Miranda já era o meu técnico, sempre foi, desde o início. Mas como a delegação do atletismo é grande nem sempre cada atleta tem o seu treinador e um ajuda o outro”.
Com Elson, hoje seu marido também, bem perto da pista, Fabiana é favorita à medalha nesta que é das provas com competidoras mais fortes do Pan de Toronto.
Para quem foi precursora, caçula e lanterninha na última vez que os Jogos foram no Canadá, deixar a pista da Universidade York com o ouro aumentará as boas lembranças do país.

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