Campanha Plante Seu Futuro reduz aplicação de inseticidas

Os resultados preliminares da Campanha Plante Seu Futuro na safra 2015/16 apontam que é possível reduzir ainda mais as aplicações de inseticidas para o controle de pragas nas lavouras de soja quando se adota as técnicas do MIP (Manejo Integrado de Pragas). Nas unidades demonstrativas monitoradas pela Emater, com apoio da Embrapa e parceiros, a aplicação de inseticida durante todo o ciclo de desenvolvimento da soja caiu de uma média de 2,1 vezes na safra anterior para 1,5 vezes na atual safra.

Divulgação

Desenvolvida pela Seab, Emater e entidades parceiras, há quatro anos, a campanha é uma atividade permanente e coletiva com o objetivo de dar novo impulso à adoção, pelos produtores rurais, de boas práticas agronômicas na condução das lavouras. A ação é baseada na escolha de propriedades, que passam a ser unidades de referência, monitoradas por técnicos da Emater-PR, Iapar, Embrapa, Adapar, cooperativas e prefeituras. Nesses levantamentos, é averiguado o nível de infestação de pragas e doenças e, somente quando necessário, indicada a aplicação de agrotóxicos.

A campanha está se solidificando apresentando ano a ano resultados animadores aos produtores. Com isso, ganha o meio ambiente, com um desenvolvimento mais sustentável, e o agricultor porque pode reduzir os custos de produção da lavoura, disse o secretário da Agricultura, Norberto Ortigara.

Participação

O bom desempenho está motivando as entidades parceiras a ampliarem a participação na campanha. Neste ano, a Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) e o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) criaram um curso para formar instrutores, que serão multiplicadores para formação de monitores nas lavouras. O curso será dirigido a filhos de agricultores ou mesmo aos agricultores, que até poderão terceirizar esses serviços aos vizinhos interessados.

Um dos empecilhos atuais para ampliar a abrangência da campanha é justamente a falta de monitores no campo. Os treinamentos vão capacitar, em todo o Estado, os próprios agricultores ou seus filhos, para que identifiquem o momento mais adequado de iniciar a aplicação do inseticida na lavoura.

Resultados

Nos resultados desta safra, que são ainda preliminares, o que chamou muito a atenção dos técnicos é que a entrada da primeira aplicação nas áreas monitoradas se deu em torno dos 62 dias da germinação da soja, independente de ser da variedade Bt ou não. Esta diferença de apenas 0,53 aplicação a menos nas propriedades que usaram soja Bt e os tempos da entrada da primeira aplicação de inseticidas muito próximos, mostra na prática a importância da ferramente Bt de estar integrada a boas práticas do manejo integrado de pragas.

Ainda na média dos últimos quatro anos, produtores que monitoraram a lavoura para a tomada de decisão diminuíram sempre em mais de 50% o uso de inseticidas independente da variedade de soja plantada.

Menor pressão

Para Nelson Harger, coordenador técnico na área dos manejos integrados nas culturas da Campanha Plante Seu Futuro e coordenador estadual pela Emater, esses resultados foram obtidos com a tabulação até o momento de 112 unidades referencias de campo e que, pela prática de outros anos, deverão sofrer poucas mudanças com as cerca de 190 unidades instaladas. Vale lembrar que este ano o clima, mais chuvoso, colaborou para que houvesse menor pressão de pragas, especialmente as lagartas desfolhadoras na fase vegetativa da cultura de soja.

Em compensação, houve a incidência maior de percevejos na fase reprodutiva das plantas, depois da floração, quando comparado com a safra anterior. Nesta safra, na fase do enchimento das vagens de soja, o percevejo passou a ser a praga principal, com relatos de dificuldade de controle.
Mesmo assim o número de aplicações de inseticidas nas unidades monitoradas caiu e mais uma vez os agricultores assistidos comprovaram a importância do MIP como estratégia principal de avaliação, afirmou Harger.

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