Censo leiteiro deve se iniciar em abril

Nessa quarta-feira (2), a Embrapa Gado de Leite — com sede em Juiz de Fora (MG) — e o Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) firmaram parceria para a realização do 2º Censo do Cooperativismo de Leite.

O primeiro censo do setor foi realizado em 2003 em conjunto com o Cepea (Centro de Estudos em Pesquisas Avançadas). Doze anos depois, a expectativa é de que os dados mostrem os avanços do setor, necessidades e também as tendências da cadeia produtiva.

Divulgação
Primeiro censo apontou que 151 mil produtores possuíam vínculos com cooperativa

Conforme o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, o cooperativismo de leite vital para corrigir imperfeições de mercado. O produtor de leite tem pouco poder de barganha na hora de comercializar, pouco acesso à assistência técnica e informações de mercado, lembrou, apontando que o cooperativismo pode suprir tudo isso, essa realidade.

Conhecer a realidade atual do cooperativismo permitirá ao Governo e à OCB traçar estratégias longo prazo com políticas que apoiem o setor.

O presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, aponta que conhecer a fundo as atividades das cooperativas é fundamental. Sabemos que o cooperativismo de leite desempenha papel fundamental na organização dos produtores em um mercado altamente competitivo.

Freitas também destaca que no levantamento realizado em 2003, o sistema de cooperativismo era responsável pela captação de 40% da produção leiteira do Brasil, reunindo mais de 151 mil produtores. A cadeia tem uma importante contribuição social e econômica, comenta.

Coleta de dados

A iniciativa que será realizada pelo Sistema OCB e além de atualizar as informações sobre a cadeia produtiva e deve servir de base para a formulação de políticas públicas e a busca de soluções para ampliação e fortalecimento das cooperativas, considerando as relações com os produtores e com o mercado consumidor.

De acordo com analista técnico da OCB, Paulo Silveira, que coordenará a avaliação dos dados da pesquisa, o questionário já foi validado em um teste e passa por ajustes finais com base nos feedbacks das cooperativas e já será aplicado nos próximos meses.

Conforme Silveira, a expectativa é que os resultados já estejam disponíveis no segundo semestre, para tanto a pesquisa com as cooperativas deve se iniciar nos primeiros dias de abril.

Para que possamos cumprir com a expectativa de divulgarmos os dados no segundo semestre, as equipes estarão realizando a pesquisa simultaneamente, explicou Silveira, lembrando que as unidades estaduais serão responsáveis pela aplicação dos questionários, o que no caso do Paraná é a Ocepar (Organização de Cooperativas do Paraná).

Por se tratar de um censo cooperativado da cadeia do leite, dados como volume de rebanho, dados produtivos por propriedade não são o principal foco da pesquisa e sim apresentar um diagnóstico das cooperativas do setor. O levantamento deve ainda apresentar o perfil do produtor associado à cooperativa de leite.

Com o censo vamos entender a cooperativa e a sua relação com produtor define o analista técnico da OCB, afirmando que o plano de ação criado após o censo de 2003 deve ser refeito.

Expectativa de diagnóstico

Mesmo antes do início da coleta de dados a OCB já tem uma ideia de como a cadeia produtiva vem se comportando.

A entidade aponta que produção formal de leite no Brasil teve mudanças consideráveis desde 2003, quando 40% era de produtores cooperativados.

Entre as mudanças está o crescimento do número de propriedade e rebanho leiteiro da região Sul. O que também segundo a OCB é visível é o crescimento das cooperativas na região neste período.

Acreditamos que o crescimento de produção leiteira na região se deu muito nas cooperativas, explica Silveira, que não descarta um maior volume de participação no montante final, e por consequência um crescimento regional.

Contudo, ele adverte que o crescimento da cadeia cooperativada do leite não está apenas atrelada ao crescimento no Sul, mas também deve interferir no resultado final a redução de propriedades produtoras no Sudeste, com principal destaque para o estado de Minas Gerais.

Temos registrado uma diminuição de cooperativas e também de produção em regiões que tinham grande parcela da bacia leiteira do Brasil, afirma o analista apontando certa apreensão da OCB com o saldo final do censo.

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