Com ouro garantido, Bimba diz que “Toronto não é lugar para velejar”

ITALO NOGUEIRA, ENVIADO ESPECIAL
TORONTO, CANADÁ (FOLHAPRESS) – O velejador Ricardo Winiki, 35, praticamente garantiu nesta sexta-feira (17) a medalha de ouro nos Jogos Pan Americanos na classe Windsurf RSX. Mas ao sair das águas do lago Ontário, demonstrou que não sentirá saudade da competição.
“Realmente, Toronto não é um lugar para se velejar”, disse Winiki à Folha de S.Paulo.
A queixa se deve aos ventos fraquíssimos em Toronto. Como parte das raias estão próximo à orla -para permitir ao público assistir à disputa da orla do centro-, eles se enfraquecem ainda mais em razão dos prédios altos.
Winiki precisa apenas concluir a prova final, neste sábado (18), para garantir o ouro. “Amanhã é só fazer o feijão com arroz. Largar tranquilo, não queimar a largada, não fazer nenhuma besteira e cruzar a linha de chegada.”
Como um resultado adverso é improvável, ele já faz um balanço da competição como campeão.
“Conheço muito meus adversário. Sabia do potencial deles, principalmente com ventos fracos. Me preparei para um campeonato de vento fraco, mas não imaginava que seria tão fraco. Cheguei aqui muito forte. Fiquei surpreso com meu preparo físico acima da média. Por mais difícil [que tenha sido a preparação], foi o Pan mais fácil dos cinco que eu fiz”, disse o velejador.
Winik é o segundo homem a conquistar o ouro quatro vezes seguidas na mesma modalidade -atrás apenas do patinador Marcel Stürmer, que chegou à marca no domingo (12). Poderia ser o quinto título, já que perdeu o ouro em Winnipeg-99 na linha de chegada.
O velejador diz não se importar com a marca. Mas afirma que vai buscar o penta, aos 39, no Pan de Lima-19.
“Velejo para mim, não para os outros. Para minha família, todo mundo que me apoia, que me ajudou a conquistar esse número. Enquanto for o número um do Brasil e estiver entre os dez melhores do mundo, como tenho feito nos últimos dez anos, vou continuar. Não vai ter nenhum cabelo preto na minha cabeça. Desde que tenha muque…”
PESO
A preparação para Winik incluiu redução de peso, que é uma preocupação de toda a delegação brasileira. Em locais de disputa com ventos fracos, o peso do competidor interfere na velocidade da prancha, no caso do windsurf, ou da embarcação em outras classes.
No caso do windsurf, a redução de peso vai contra o que é feito no circuito mundial. Como todos os locais de competição do calendário da classe são em áreas com ventos fortes, os atletas buscam não perder muito peso para manter a estabilidade da prancha.
Mais uma vez, Toronto foi um problema.
“É difícil porque há vários anos tento ganhar peso, me preparar para as competições internacionais. Quando chega aqui tem que perder peso, tudo oposto ao circuito mundial. O mexicano apostou tudo nesse vento fraco”, disse Winik, em referência a David Mier Teran, que perdeu 10 kg para a competição.

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