Com poucos recursos, Cuba consegue no judô feito desejado pelo Brasil

PAULO ROBERTO CONDE, ENVIADO ESPECIAL
TORONTO, CANADÁ (FOLHAPRESS) – Badalado e tido como essencial para alcançar os objetivos nos Jogos do Rio-2016, o judô brasileiro encerrou sua campanha no Pan de Toronto atrás de seu maior rival nas Américas em pódios atingidos: Cuba.
Os judocas da ilha conquistaram medalhas em todas as 14 categorias em disputa na competição, justamente o que era a meta da CBJ (Confederação Brasileira de Judô). O Brasil terminou com 13 pódios.
Embora tenha tido mais medalhas do que o Brasil no total, Cuba teve menos ouros (três, perante cinco brasileiros), o que, pelos critérios do Pan, deixou a equipe brasileira em primeiro lugar no quadro de medalhas da modalidade.
Isso não é visto como problema pela delegação do país caribenho, já que o Pan foi apenas um indicativo para o Mundial de Astana, no Cazaquistão, no próximo mês.
A vantagem cubana em número total de medalhas salta aos olhos por causa do abismo de investimentos. Enquanto a CBJ tem seis patrocinadores e paga cerca de R$ 145 mil por ano para preparação de cada judoca da seleção nacional, os tatames cubanos se superam para não definhar.
“Não chegamos nem perto de ter um investimento deste. Vou a apenas três ou quatro competições por ano. É bem pouco, porque não temos muito dinheiro. Isso afeta a preparação”, afirma à reportagem Onix Cortés.
A judoca de 26 anos foi prata na categoria médio (até 70 kg) no Pan de Toronto e bronze no Mundial de Chelyabinsk, na Rússia, no ano passado. Indagada sobre o que faz o judô de seu país tão forte, ela não hesita. “Ganhamos com o coração.”
Apesar de mais tradicional do que o brasileiro -tem 35 medalhas contra 19 brasileiras em Olimpíadas-, o judô cubano se acostumou a sobreviver com poucos recursos. Os atletas de sua seleção não vão a muitas etapas de Grand Prix e Grand Slam, por falta de verba, e isso afeta posicionamento no ranking mundial. Os integrantes da delegação não falam em valores, mas reconhecem que o orçamento é baixo.
“A cada dia o esporte é mais caro. Passagens aéreas são pesadas e não conseguimos viajar para torneios na Europa, com exceção de Mundiais e Olimpíadas. Acabamos ficando pelas Américas”, conta Justo Noda, técnico da equipe masculina cubana.
“Todo o time está treinando muito bem. Eu, particularmente, quero repetir minha medalha no Mundial. E acho que teremos mais medalhistas”, resume Onix.
Segundo a atleta, o aperto financeiro faz-se presente até mesmo na hora de definir delegações. Ela afirma que Cuba não sabe, por ora, quantos judocas farão a viagem ao Cazaquistão.
CUBA X EUA
Noda e Maylin del Toro, judoca da categoria meio-médio (até 63 kg), concordam que a retomada das relações diplomáticas com os Estados Unidos e um eventual fim do embargo econômico podem refletir positivamente em todos os setores em Cuba, inclusive nos esportes.
“Se não fazemos tantas viagens ao exterior como outros países, ao menos somos fortes. Ainda pensamos que tudo pode melhorar com um término do embargo. Estamos confiantes de que isso vai nos ajudar”, diz Del Toro, 20, medalhista de bronze em Toronto e há quatro anos na seleção nacional.
Noda aponta que isso facilitará, principalmente, acesso a coisas básicas como equipamentos de primeira linha, hoje em falta em Cuba.

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