Corpo do ator Omar Sharif, ‘Doutor Jivago’, é enterrado no Egito

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ator Omar Sharif, que morreu na sexta-feira (10), foi enterrado neste domingo (12) no mausoléu de sua família no cemitério Sayeda Nafisa, no Cairo (Egito), informou a agência estatal de notícias “Mena”.
O enterro teve a presença de um grande número de artistas, jornalistas e personalidades públicas egípcias e aconteceu após a realização de um funeral na mesquita Mohammed Tantawi.
O ator Sameh al Sariti, membro do conselho diretor do sindicato de atores do Egito, disse à “Mena” que na próxima quarta (15) haverá outra cerimônia religiosa, na qual os parentes receberão o pesar na mesquita de Omar Makram, localizada na praça Tahrir.
Omar Sharif, famoso internacionalmente por seus papéis nos filmes “Lawrence da Arábia” e “Doutor Jivago”, morreu aos 83 anos, de infarto.
Sharif, que sofria de Alzheimer, morreu em um hospital onde estava internado há quase um mês.
Foi seu único filho, Tarek, que falou sobre a doença do pai, em maio deste ano, ao jornal espanhol “El Mundo”: “Meu pai tem Alzheimer. É difícil determinar em que fase está”.
MEMÓRIA
Sharif, que nasceu nasceu em Alexandria, com o nome Michel Chalhoub, passou muitos anos vivendo entre a França, Itália e Estados Unidos antes de voltar para seu país natal.
Ele entrou para a história do cinema ao interpretar, em 1962, Sherif Ali no lendário filme “Lawrence da Arábia”, que conta a participação do arqueólogo e escritor britânico Thomas Edward Lawrence nas rebeliões árabes da Primeira Guerra Mundial.
“Lawrence da Arábia” é considerado pelo American Film Institute o melhor filme épico na frente de “Ben-Hur” e o sétimo melhor de todos os tempos, uma lista liderada por “Cidadão Kane”, seguido por “O Poderoso Chefão” e “Casablanca”.
O filme ganhou sete Oscars, incluindo o de melhor filme, direção (David Lean). Peter O’Toole foi indicado para ator e Sharif para coadjuvante (sua única nomeação na Academia), mas perdeu para Ed Begley (“Doce Pássaro da Juventude”).
O grande sucesso de Sharif como protagonista também foi dirigido por Lean: “Doutor Jivago” (1965). Centrado na Rússia do início do século 20 até a queda do czar Nicolau 2º, o filme levou cinco estatuetas do Oscar -perdeu o principal para “A Noviça Rebelde”.
A filmografia de Sharif ainda inclui filmes como “Funny Girls” (1968), com Barbra Streisand, e “Che!” (1969), onde interpretou o revolucionário argentino Che Guevara.
Apesar de sua referência principal ser “Lawrence da Arábia”, o currículo de Omar Sharif é bastante extenso. Ele atuou em 118 filmes de 1954 a 2013, segundo o IMDb.
As premiações internacionais, porém, se resumiram a “Lawrence da Arábia” e “Doutor Jivago”, pelos quais Sharif ganhou dois Globos de Ouro. Seu último papel em um longa-metragem foi no drama francês “Rock the Casbah” (2013).
VIDA PESSOAL
Antes de ascender à fama em Hollywood, Sharif participou de várias produções no Egito na década de 1950, atuando principalmente em comédias românticas. Ele costumava ser o par romântico da atriz Faten Hamama, sua mulher.
O relacionamento começou em um filme em que os dois contracenaram em uma cena de beijo, “Siraa Fil-Wadi” (1954). Apaixonado, Sharif aceitou se converter ao islamismo para poder se casar com Hamama.
O casal se separou quando Sharif se mudou para a Europa, em 1965. Em 2007, o ator disse à “Al Jazeera” que nunca se apaixonou por outra mulher depois de seu primeiro casamento. Hamama também morreu em 2015, aos 83 anos.
O único filho de Sharif e Hamama, Tarek El-Sharif, atuou junto ao pai em “Doutor Jivago” quando tinha apenas oito anos.
O neto de Omar Sharif, Omar Sharif Jr. (filho de Tarek El-Sharif), também é ator e causou comoção em 2012 ao assumir ser gay e metade judeu.

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