Derrota para Alemanha tinha de ter acontecido, afirma Boris Fausto

ANGELA BOLDRINI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Você precisa de alguma coisa que coloque um ponto de interrogação em ‘nunca mais'”, disse Boris Fausto nesta quarta-feira (8) ao comentar como, após a morte da mulher com quem viveu 49 anos, Cynira, em 2010, passou a buscar a “possibilidade de uma transcendência”.
O historiador participava de um debate com a editora-assistente da Três Estrelas, Rita Palmeira, o editor-adjunto de “Poder” Ricardo Mendonça e o repórter da “Ilustrada’, Marco Rodrigo Almeida em evento promovido pela Folha de S.Paulo na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos, último de uma série de encontros organizada com autores após a Festa Literária de Paraty (Flip).
Boris comentou, além do luto que o inspirou a escrever o diário “O Brilho do Bronze”, publicado no final de 2014 pela Cosac Naify, a morte da mãe, o diário de Getúlio Vargas e até o famigerado 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil na Copa, que completou um ano nesta quarta.
“Eu estava com absoluta raiva e fiquei olhando aquilo com um certo sadismo”, contou ele, que é um fanático torcedor do Corinthians. “Não assisti aquilo com alegria, mas era algo que tinha que acontecer para por a nu toda a podridão do futebol.”
Ele, que completa 85 anos em dezembro deste ano, disse que a primeira Copa da qual tem memórias é a de 1938, sediada na França e vencida pela Itália. Já a que mais o marcou foi a de 1958, quando o Brasil conquistou seu primeiro título. A Copa de 2010, na África do Sul, no entanto, veio acompanhada de tristeza: foi no meio dela que Cynira morreu.
“Naquelas últimas semanas, que foram difíceis, eu saía para dar uma volta e assistia pedaços de alguns jogos”, contou. “Era a única coisa que me fazia abstrair, se o jogo fosse bom.”
RETIRO
O historiador contou também sobre o período que passou em um retiro espiritual budista, retratado em seu “O Brilho do Bronze”. Para ele, o que a experiência trouxe de positivo foi a capacidade de se “relacionar com pessoas totalmente diferentes”. “Era uma tribo do planeta Marte para mim, as conversas, as afirmações,” disse ele.
“Tinha muito publicitário, a gente podia fazer um estudo sobre isso. Jornalista acho que não tinha nenhum,” brincou.

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