Embrapa do Sudoeste tem “pontapé” inicial com assinatura de termo de implantação

Tido como o dia da agricultura na Expobel (Exposição Feira de Francisco Beltrão), a sexta-feira (11) foi marcada por leilões e julgamento de animais, mas também teve ações da Agricultura Familiar com uma programação que debateu desde o desenvolvimento agrário, o futuro das agroindústrias e teve seu fechamento com a assinatura do convênio do projeto de Biogás — parceria com a Itaipu Binacional — e a assinatura do termo de implantação da Embrapa Sudoeste, que vem sendo tratada como a Embrapa Agricultura Familiar.

Desejo da região desde 2008, a Embrapa se consolida no Sudoeste em uma transferência de conhecimento entre as unidades Embrapa, o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) e UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná).

Até o momento, a projeção de recursos é de R$ 942 mil (R$ 642 mil emenda parlamentar e R$ 300 mil da própria Embrapa).

Divulgação

O diretor de Transferência de Tecnologia da Embrapa, Waldyr Stumpf Junior, comentou que com a assinatura a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária passa a colocar no mapa do Brasil mais uma estrelinha, ao se referir à localização das unidades de pesquisa no país.

Stumpf lembrou que a Embrapa Clima Temperado deu todo o suporte para o andamento do processo de implantação da unidade Agricultura Familiar e afirmou que ela é fruto da união de esforços, dando destaque ao desejo dos agricultores de terem uma unidade na região.

Esses agricultores (familiares) colocam 70% dos alimentos na mesa da população, disse, atribuindo a essa parcela do agronegócio uma revolução silenciosa, que resultou nos últimos 30 anos na redução do valor da cesta básica no comparativo com o salário mínimo.

O diretor da Embrapa ainda lembrou que o modelo a ser implantado no Sudoeste é único pela formatação que une instituições de pesquisa educacional (UTFPR), estadual (Iapar) e pesquisadores da Embrapa, além das instituições regionais para entender as necessidades dos agricultores familiares.

O reitor da UTFPR, Carlos Eduardo Cantarelli, recordou a soma de esforços para a implantação da Embrapa do Sudoeste. Todos nós estamos cientes de que esse é um passo inicial e que temos que fazer muito para que ele tenha toda a sua abrangência, atendendo a agricultura familiar e os produtores que precisam.

Ele falou ainda no desejo de que o modelo adotado na nova unidade sirva de exemplo a outras comunidades brasileiras e até mesmo em âmbito internacional.

Para o presidente do Iapar, Florindo Dalberto, a assinatura do termo é um passo importante para o desenvolvimento da agricultura regional. A produção agrícola deu um salto de produtividade nos últimos anos e isso faz com que ocorra uma dependência dos produtores em novas tecnologias. Com a Embrapa aqui vocês terão essa tecnologia bem mais perto, afirmou.

O compromisso dessas três entidades passa a ser de unir seus acervos tecnológicos, os seus conhecimentos para propostas mais detalhadas voltadas para o progresso da agricultura e do Sudoeste do Paraná, disse Dalberto.

Ausência do Mapa

Na programação da Expobel também era aguardada a presença da ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), que se acreditava participaria do ato de assinatura do termo de implantação da Embrapa Sudoeste.

Conforme o Diário do Sudoeste divulgou ainda na quinta-feira (9), o escritório as SFA-PR (Superintendência Federal da Agricultura Familiar do Paraná) não confirmou a presença da ministra.

Sem a presença da ministra, representantes de entidades do agronegócio, em especial da microrregião de Pato Branco, a documentação pedindo revisão da determinação de fechamento da Utra (Unidade Técnica Regional de Agricultura, Pecuária e Abastecimento) somente será protocolada via ministério.

Lideranças

Para o deputado Assis do Couto, que por meio de emendas parlamentares disponibilizou R$ 642 mil via Ministério da Educação para UTFPR, a articulação dos prefeitos (Pato Branco, Dois Vizinhos e Francisco Beltrão) e dos campi da UTFPR na região foi importante para a base de apoio do projeto da Embrapa.

Assis também afirmou que a articulação de pesquisa entre entidade reflete a atual realidade de precisar fazer mais com menos (recursos).

Representante do governo Federal, a senadora Gleisi Hoffmann lembrou que a Embrapa sempre trabalhou voltada à agricultura comercial, e o diferencial da Embrapa do Sudoeste é justamente estar direcionada à Agricultura Familiar. Damos um passo importante para melhorar a tecnologia de produção da agricultura familiar, disse a senadora, lembrando da luta para a estruturação da unidade.

O presidente da Amsop (Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná), Fernando Bandeira, ressaltou que o convênio é mais uma conquista que integra a Carta Sudoeste. A assinatura do protocolo é um passo muito importante para presença da Embrapa que vai beneficiar toda a região. Todos os prefeitos e lideranças do Sudoeste somaram força para esse acontecimento.

Itaipu e prefeitura firmam convênio
Mais de 100 propriedades rurais de Francisco Beltrão receberão estudo de viabilidade para instalação de biodigestores que transformará os dejetos de animais em energia. O projeto de viabilidade será custeado pela Itaipu Binacional, através do CI Biogás e terá contrapartida do Município na fase de implantação.

O conceito de lixo, daquilo que se joga fora, não existe mais; hoje tudo pode ser reaproveitado, se transformar e ter utilidade, tudo tem oportunidade de se trabalhar, e é isto que estamos fazendo, afirmou o presidente da Itaipu, Jorge Samek, no ato de assinatura do convênio. Ele citou que na Europa, por exemplo, boa parte das propriedades são sustentáveis em energia graças ao reaproveitamento de dejetos: este é o futuro e Beltrão está no caminho dele com este projeto, completou.

Através do convênio, a CI Biogás irá avaliar a implantação de biodigestores em algumas propriedades e também na comunidade de Assentamento Missões, onde será feito um modelo de condomínio para captação dos dejetos e transformação em energia para diversas famílias.

Para o prefeito Antonio Cantelmo Neto, o projeto é um avanço ao modelo de produção familiar característico do município. As propriedades rurais de nossa região passaram por uma grande transformação nos últimos anos, algo que é contínuo e que em uma nova fase considera a sustentabilidade da produção, disse.

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