Entre gritos e broncas de juízes, técnica ‘Rosi’ mudou patamar

ITALO NOGUEIRA E PAULO ROBERTO CONDE, ENVIADOS ESPECIAIS
TORONTO, CANADÁ (FOLHAPRESS) – Em um esporte disciplinado e hierarquizado como o judô, suas caras, bocas e manifestações saltam aos olhos. Se por vezes parecem exageradas, de outras dão um tempero a tanta serenidade no tatame.
Rosi, como é mais conhecida no meio esportivo, foi judoca e disputou os Jogos Olímpicos de Barcelona-1992 e Atlanta-1996, sem ir ao pódio. Parecia destino, porque as medalhas dela estavam reservadas em outra esfera.
Desde 2005, ela é a técnica da seleção brasileira feminina de judô. A bem da verdade, a equipe já tinha conquistas em Mundiais com Danielle Zangrando e Edinanci Silva, mas vivia à sombra do masculino. Com Rosi, o patamar foi elevado.
Sob seu comando, as judocas brasileiras conquistaram a primeira medalha olímpica -com Ketleyn Quadros, em Pequim-2008- e os primeiros ouros em Mundiais, com Rafaela Silva e Mayra Aguiar 
Atualmente, o time feminino é quem mais triunfos internacionais tem amealhado, bem à frente do sexo oposto. As conquistas são movidas pela intensidade de Rosi. E também, dizem as atletas, por ela entender as necessidades e vicissitudes de uma mulher no esporte.
O problema é que, algumas vezes, tanta energia é mal interpretada. Há alguns anos, a federação internacional de judô estabeleceu uma regra que pune os treinadores que se comuniquem com atletas. Essa instrução, ainda que indiretamente, teve a ver com Rosi.
“Eu tento me controlar o tempo todo por conta da regra. É muito involuntário. Quando eu vejo fico até envergonhada. ‘Nossa, eu fiz isso?!’. Mas, quando eu estou lá, eu me desplugo. A vontade que eu tinha era de estar lá lutando junto”, diz a treinadora, que é casada com o ex-presidente do Flamengo Edmundo Santos Silva.
Mãe dos gêmeos Mattheus e Ana Clara, ela foi advertida por árbitros algumas vezes no Pan devido a manifestações durante as lutas. Rosi acha que às vezes há exagero no rigor. “Eles prestam muita atenção o tempo todo. Como sou mulher e gesticulo demais… Eu falo com as mãos. A regra tem que ser para todo mundo”.
Ainda assim, ela acredita que hoje está mais calma. “Eu era muito atentada. O judô que me acalmo”, dispara.
Os meses que vêm pela frente, porém, não devem deixá-la tão tranquila. Em agosto, ela comanda a equipe feminina no Mundial de Astana, no Cazaquistão. É a última etapa para os Jogos Olímpicos do Rio, em agosto de 2016.
Com ou sem berros, ela vai atrás das metas que tem para cumprir em ambos. 

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima