‘Estou 10 vezes melhor que sempre’, diz Bethe sobre luta com Ronda

GUILHERME SETO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Estou otimista, e o povo brasileiro vai ver o resultado da minha dedicação. Sou uma Bethe 10 vezes melhorada do que todos conhecem, em todos os aspectos”.
É com esse espírito que a paraibana Bethe Correia, que se descreve como uma “nordestina casca grossa”, chega para enfrentar a atual campeã dos pesos-galos femininos do UFC, Ronda Rousey, neste sábado (1º).
Em entrevista à reportagem, ela conta que nunca se preparou tanto para uma luta antes.
“Fiquei quatro meses em campo só me preparando para esta luta. Renunciei à muita coisa, me privei, e os brasileiros vão ver que estou na minha melhor forma, tanto tecnicamente como fisicamente”, disse.
Questionada sobre como evitar as chaves de braço da adversária, que lhe renderam 9 de suas 11 vitórias no UFC, Bethe revelou que a estratégia é intensificar seu estilo.
“Ninguém consegue pegar o braço com uma mão na cara. Eu melhorei muito nos treinamentos: na defesa de quedas, no chão, na trocação. Quero me impor e virar campeã com meu estilo”, afirmou.
Especialista na “trocação”, nome dado aos socos e chutes direcionados ao adversário, Bethe chega à luta invicta, assim como a adversária. Ela já fez 9 lutas no MMA, tendo vencido sete por decisão dos juízes e duas por nocaute técnico.
DA CONTABILIDADE À TROCAÇÃO
Relativamente nova no mundo das lutas -Bethe se iniciou nas artes marciais em 2011, deixando para trás uma vida de contadora sedentária-, ela não se incomoda com a trajetória da adversária, que treina judô desde criança e é medalhista pan-americana e olímpica pelos Estados Unidos.
“Isso só vai valorizar o meu título de campeã. Eu lutei várias vezes com atletas preparadas para a luta desde cedo e ganhei. A Ronda tem seus méritos no judô, é claro. Mas quando entrei para o MMA, decidi que seria a melhor”, explica Bethe.
A paraibana diz que sua história “não é normal”. Após uma vida desajustada como contadora, quando “vivia infeliz, sentindo que não estava no lugar certo”, ela se encontrou nas artes marciais em 2011 -“foi um chamado.”
Aos 28 anos e sem nenhuma experiência, ela decidiu que lutaria MMA e seria a melhor atleta da categoria.
“Virei motivo de chacota”, conta.
Dois anos depois, em 2013, ela iniciou uma campanha nas redes sociais para que as mulheres pudessem disputar o Jungle Fight. Após convencer os organizadores de seu propósito, ela surpreendeu Erica Paes, a única atleta a vencer Cris Cyborg, com um soco direto que a arremessou no solo.
Três meses depois -dois anos após dar seus primeiros passos no kung fu- ela assinaria com o UFC.
“Tiraram sarro da minha cara, treinei com equipamentos todo enferrujados, consegui chegar até aqui e não vou parar. Meu caminho mostra que sou um fenômeno, uma guerreira”, diz Bethe.
Para a paraibana, a possível vitória sobre Ronda representaria o ápice dessa ascensão vertiginosa.
“Hoje, a Ronda é considerada a melhor. Para provar a todos que é a melhor, você precisa bater quem está no topo. E é isso que vou fazer. E depois começo a me preparar para defender o cinturão, que eu vejo como uma tarefa ainda mais difícil”, explica a lutadora.
A luta entre Bethe e Ronda está programada para começar às 23h deste sábado (1º), na Arena da Barra, no Rio de Janeiro.

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