Festival de direitos humanos termina com show de Pitty no Ibirapuera

BRUNO LEE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em um dia marcado por protestos contra a presidente Dilma Rousseff em várias capitais, os pedidos de impeachment não deram as caras no parque Ibirapuera, que recebeu o show “Cidadania nas Ruas” neste domingo (13).

O clima era outro. Sob um céu nublado e um cheirinho persistente de maconha, a multidão que apareceu para assistir apresentações de Elza Soares, Criolo, Mano Brown, Ney Matogrosso, Pitty e Ava Rocha queria igualdade e menos preconceito.

Um grupo chegou a puxar gritos de “Fora, Cunha”, mas a adesão foi pequena.

Os shows, que ocorreram na área externa do auditório Ibirapuera, encerraram o 3º Festival dos Direitos Humanos de São Paulo, promovido pela secretaria municipal de Direitos Humanos.

Coube a Ava Rocha abrir a apresentação.

Depois, foi a vez de Pitty e seus cabelos vermelhos. O momento alto de seu show veio com “Me adora”, que teve o refrão cantado em coro.

“É uma canção que diz respeito a muitas mulheres”, afirmou a cantora, acrescentando que “cantada não é elogio”. A resposta da plateia veio em forma de aplausos.

De mulher para mulher, Pitty entregou o microfone para Elza Soares.

O destaque foi a interpretação de “Volta por Cima”, em que ela repete, quase como um mantra, o verso “chorei, chorei, chorei e dei a volta por cima”. A voz sofrida da cantora convence, e muito.

Elza, mulher e negra, também deixou seu recado: “Precisamos de mais respeito, mais proteção.

A expectativa para a hora de Mano Brown assumir o comando era grande. Sua aparição, todo vestido de preto, teve um efeito instantâneo: mãos para cima, de um lado para o outro.

Entre uma canção e outra, o líder dos Racionais se dirigiu ao público. “Vivemos momento político conturbadíssimo”, tomado por “pensamentos individualistas”, afirmou Brown. A situação foi definida por ele como um “caldeirão da bruxa”.

“No momento, não me sinto representado por ninguém. Eu sou meu próprio partido, eu tenho opinião.”

Em seguida, o mc chamou para o palco o ex-senador pelo PT Eduardo Suplicy, “um cara que eu respeito”. A multidão aprovou.

A batida inicial de “Negro Drama” foi a deixa para o atual secretário de Direitos Humanos da prefeitura de São Pauli se soltar. Arriscou uma dancinha, mas, apesar do microfone na mão, não soltou nenhuma rima.

Suplicy estava preservando a voz. Acompanhado de um piano, cantou “Blowin in the Wind”, um clássico na voz do petista.

Criolo, então, assumiu o comando. Com “Linha de Frente”, conquistou o público. A glória veio com “Freguês da Meia-Noite”, cantada em parceria com Ney Matogrosso.

Ney, conhecedor de todos os truques da profissão, não precisou se esforçar para agradar. Ele também cantou “Rosa de Hiroshima” e “Rua da Passagem”.

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para cima